Conheça Aline Rocha, atleta do esqui cross-crountry pioneira nos Jogos Paralímpicos de Inverno

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image-1 Conheça Aline Rocha, atleta do esqui cross-crountry pioneira nos Jogos Paralímpicos de Inverno

 Primeira mulher brasileira a competir em uma edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno, feito que realizou em PyeongChang, em 2018, Aline Rocha, 35, carrega a responsabilidade e orgulho de ser pioneira. A atleta, que sofreu um acidente automobilístico aos 15 anos, entrou no esporte aos 19 anos pelo atletismo. Após anos competindo nas provas de velocidade na cadeira de rodas, ela decidiu dar um passo corajoso e se aventurou no esqui cross-country em 2017. Hoje, ela carrega várias conquistas na trajetória no esporte de inverno. Somente no ano passado conquistou prata na prova no Mundial de Toblach e outra prata na Copa do Mundo de Val di Fiemme. Na Europa desde janeiro, para preparação dos Jogos, Aline e o treinador, seu marido Fernando Orso, estão com expectativa alta e foco total. “Nossa parceria é fundamental, um dá força para o outro todos os dias, é um sonho em conjunto”, compartilha a atleta. A repercussão dos Jogos de Inverno também anima a paranaense que se mudou para São Paulo em 2014. “É maravilhoso ver as pessoas querendo conhecer as modalidades de inverno. Estamos treinando a muito tempo, é um sentimento único poder mostrar isso agora e fazer acontecer uma medalha”, conta. 

Aline, como foi a rotina de treinos às vésperas dos Jogos? 

Foi um treino pesado. A gente tá fazendo muitos ‘tiros’ de subidas, descidas, buscando trabalhar o máximo as especificidades que só se encontra aqui na neve. Então, também trabalhando academia, bastante treino de força. 

Falando em treino na neve, como funciona aqui no Brasil? 

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A gente tem uma adaptação que se chama rollerski. Então, é um sistema de rodinhas, mas a cadeira que a gente usa na neve é a mesma que usamos no asfalto. O que muda é a parte de baixo, onde encaixa os esquis. Também tem o carveboard, que é aquele skate grande de montanha, que a gente consegue andar na estrada de chão e na grama. A parte mais específica de curvas é a principal diferença, porque o esqui desliza mais na neve. Por isso, é importante treinar bem as curvas quando temos a oportunidade de estar na neve. 

Você viajou para a Argentina no ano passado justamente para ter esse preparo? 

Isso. No Brasil, eu treino em São Carlos, no Parque Eco Esportivo Damha e no Cerrado da UfScar (Universidade Federal de São Carlos). São ótimos locais para treinar na estrada de chão. Mas, em agosto passado, eu fui para a Argentina justamente para fazer essa transição e ter esse contato com a neve. 

Quando você foi pela primeira vez aos Jogos Paralímpicos de Inverno, em 2018, tinha pouco tempo no esporte. Como é retornar agora com mais preparo? 

Em Pyeongchang, eu estava bem verdona mesmo no esqui porque eu comecei em dezembro de 2016. Então, só de participar eu já estava megafeliz. Em Pequim, eu já queria muito ter chegar no top 10. Foi uma participação muito boa. E, nos últimos anos eu tive os meus melhores resultados, principalmente nos dois últimos mundiais onde eu conquistei medalhas. Agora, eu chego bem mais preparada, conheço todos os tipos de neve, desde a mais derretida até a dura. Então, evoluí muito nesse sentido, amadureci muito. Estou muito mais confiante: sem medo dos percursos, das descidas, mais animada e com a expectativa de chegar e lutar por uma medalha. 

É muito interessante essa sua transição de modalidade. Como surgiu o interesse pelo esqui?

Quando eu participava das provas de corrida, do atletismo, eu conheci o Fernando Aranha, que foi o primeiro atleta a participar das Paralimpíadas de Inverno pelo Brasil em 2014. Então, como eu conhecia ele do triathlon e ciclismo, ele foi uma das pessoas que me motivou. Eu entrei em contato com a Confederação após os jogos no Rio 2016 e foi tudo muito rápido. Desde a primeira reunião, eles já marcaram logo a minha primeira viagem para neve. Fui para a Suécia, em dezembro de 2016, e foi a primeira vez que eu conheci a neve. Os treinos eram muito difíceis, eu passava mais tempo caindo do que esquiando. Foi uma adaptação bem difícil, mas foi algo muito divertido também. Daí, em janeiro de 2017, eu já estava participando da minha primeira competição que foi na Ucrânia.

A experiência no atletismo te deu alguma vantagem ao entrar na nova modalidade? 

O atletismo foi fundamental. Como eu fazia maratona, provas muito longas de pista, a resistência que eu tinha me ajudou muito no esqui, porque é uma prova muito mais pesada. A neve tem mais peso, então  uma prova curta de esqui é muito mais exaustiva do que uma prova curta de atletismo.

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O Time São Paulo Paralímpico, criado em 2024, contou com R$ 8,2 milhões investidos do governo estadual. É um novo momento para as modalidades paralímpicas em termos de investimento? 

No último ciclo, a gente evoluiu absurdamente com relação aos equipamentos. No primeiro ano, a gente tinha pouquíssimos pares de esqui e tinha que evitar ao máximo uma queda para não quebrar eles. Hoje, a gente tem uma frota. É um investimento enorme que foi feito na gente nos últimos anos. Nós temos também dois enceradores profissionais para preparar nosso material. A gente não perde em nada para atletas de países que nascem na neve. 

Confira quando torcer para Aline Rocha no esqui cross-country

Sábado (7)

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Biatlo – 7,5 km sprint – Finais sentado, 6h (horário de Brasília)

Terça-feira (10)

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Esqui cross-country – Sprint – Classificatória, 5h45 (de Brasília)

 

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