Saiba como foi o restauro de R$ 42 milhões do prédio histórico da Estação Júlio Prestes

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A Estação Júlio Prestes, no centro de São Paulo, ganhou novos ares (e cores) com a conclusão do restauro, ocorrida em 30 de janeiro. O edifício histórico, que hoje é o ponto de partida da Linha 8-Diamante da CPTM e atende cerca de 5 000 passageiros por dia, recebeu melhorias de acessibilidade, modernização da infraestrutura, além de intervenções para aproximá-lo de suas características originais.

“Esse trabalho veio com o viés de recuperar o patrimônio histórico de um marco relevante para a cidade, que significa um ponto de desenvolvimento de nossa economia e uma região importante do centro de São Paulo”, afirma André Costa, diretor da ViaMobilidade, concessionária que opera as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM.

O restauro, que custou cerca de 42 milhões de reais, durou catorze meses e não alterou o funcionamento da estação, já que as intervenções maiores foram feitas durante a madrugada, quando as linhas não recebem passageiros.

O restauro em números

42 milhões de reais
250 trabalhadores
14 meses de obra
5 000 metros quadrados de fachada restaurados
34 estruturas de metal repintadas

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A principal mudança foi a recuperação das cores originais do interior da plataforma. As estruturas metálicas do teto, pintadas de cinza entre 1950 e 1953, receberam a cor vinho original, e as paredes, antes brancas, foram coloridas com tinta da cor “flor de laranjeira” (veja abaixo). As tonalidades foram escolhidas em diálogo constante entre a Concrejato, empresa responsável pelo restauro da estação, e os órgãos de preservação de patrimônio.

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Relógio da plataforma, um dos exemplares recuperado no restauroMasao Goto Filho/Veja SP
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A equipe trabalhou com “janelas de prospecção”, pedaços da superfície que são raspados até chegar à camada de tinta original, que é então comparada às opções de cores disponíveis no mercado. O mesmo foi feito na fachada amarela de 5 000 metros quadrados, que também recebeu um tom mais próximo do original. “Encontramos três ou quatro versões de fachadas que o prédio teve nesses quase 100 anos”, conta Eduardo Viegas, presidente da Concrejato. A equipe fez cerca de sete testes de cor até chegar à mais adequada.

Outro destaque foi a recuperação dos três relógios históricos — um no alto da torre e dois no interior do edifício. A antiga sala de espera dos passageiros de segunda classe do trem para Sorocaba, que permanecia fechada ao público, também foi restaurada e deverá abrigar uma cafeteria, com previsão de abertura ainda no primeiro semestre.

Outras melhorias incluíram a revisão da parte elétrica, a troca de telhas por placas transparentes (de forma a otimizar a luz natural e reduzir gastos com energia elétrica), o restauro da bilheteria original de madeira e a correção da acessibilidade em toda a estação.

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A bilheteria original também foi restauradaMasao Goto Filho/Divulgação
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“É muito desafiador trabalhar com construções tombadas”, pontua o presidente da Concrejato, citando a necessidade de equipe especializada e sucessivas aprovações dos órgãos de patrimônio. A empresa já fez o restauro de outros edifícios históricos, como o Museu do Ipiranga, o Copan, a Pinacoteca e o Museu da Língua Portuguesa, além da Estação Motiva Cultural (antes Estação CCR das Artes), nova sala da Osesp no mesmo complexo, inaugurada no ano passado.

Antes e depois

Plataforma

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<span class="hidden">–</span>Leonardo Giantomasi/Concrejato/Divulgação
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<span class="hidden">–</span>Masao Goto Filho/Veja SP

Saguão

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<span class="hidden">–</span>Via Mobilidade/Divulgação
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<span class="hidden">–</span>Via Mobilidade/Divulgação

 

Construída entre 1926 e 1938, a Estação Júlio Prestes foi projetada pelos arquitetos Samuel das Neves (1863-1937) e Christiano Stockler das Neves (1889-1982), pai e filho, para sediar a linha férrea que ligava São Paulo ao interior do estado, responsável pelo transporte de passageiros e de carga industrial produzida na capital. Parte da construção foi transformada na Sala São Paulo, a sede da Osesp, em 1999, área que não foi contemplada nesta intervenção.

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Construção da EstaçãoAcervo Osesp/Reprodução

“A Estação Júlio Prestes foi um projeto ambicioso, compatível com a dimensão que São Paulo estava tomando”, aponta Marcos Carrilho, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e arquiteto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A estação foi construída pela Estrada de Ferro Sorocabana, como forma de disputar com o monopólio da companhia inglesa São Paulo Railway — que operava na Estação da Luz, a cerca de 600 metros de distância. Enquanto a Júlio Prestes sediava uma linha de trem nacional e era um terminal, a vizinha concorrente era uma parada na linha que ia a Santos. “Por ser um terminal, a Júlio Prestes tinha uma série de serviços. Os passageiros podiam tomar banho, trocar de roupa, guardar suas malas em armários… Era muito sofisticado.” Entre 1943 e 1954, chegou a ter uma linha que fazia o trajeto de cinco dias até Montevidéu, no Uruguai.

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Voltando aos arquitetos, Samuel e Christiano (autores de outros edifícios, como o Sampaio Moreira, primeiro arranha-céu de São Paulo) projetaram a estação em estilo eclético. “Os elementos característicos estão baseados na linguagem clássica, mas também tem outros elementos que não pertencem estritamente a essa tradição, como as janelas termais”, explica Carrilho, referindo-se às janelas em arcos divididas em três partes.

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A plataforma nos anos 1930Escritorio MLD RAI/Divulgação

Elogiada à época do início da construção, a arquitetura foi vítima das mudanças econômicas da cidade — e do mundo. No final da década de 1920, a quebra da bolsa de Nova York, a crise do café e a consequente derrocada da economia paulista prejudicaram o andamento da construção, que só pôde ser concluída em 1938, mais de dez anos depois do início das obras. Na época de sua inauguração, a estação já parecia anacrônica e foi criticada pelos modernistas, explica Carrilho.

Esse preconceito com o ecletismo explica, em parte, o tombamento tardio pelo Iphan, em 2024, quase três décadas após a solicitação, em 1997. Antes, já tinha sido tombado nas esferas municipal e estadual. Desde então, é um dos poucos edifícios tombados pelo órgão federal na cidade de São Paulo. São dezessete construções paulistanas no Livro do Tombo — a título de comparação, o Rio de Janeiro tem mais de sessenta edificações protegidas. “Qualquer investimento no patrimônio é muito bem-vindo”, defende Viegas, da Concrejato.

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Publicado em VEJA São Paulo de 6 de fevereiro de 2026, edição nº2981

 

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