RIO — A Rocinha, uma das maiores favelas do Rio, com cerca de 70 mil moradores, tem muitas demandas. Mas, qualquer que seja a lista de prioridades, ela certamente inclui o saneamento. Hoje, quase todo o esgoto da comunidade corre em valões e é transportado até uma Unidade de Tratamento de Rios (UTR), mantida pela prefeitura. Depois de tratado, segue por uma rede de troncos coletores da Cedae. Mas, quando chove, é comum o aparecimento de línguas-negras em São Conrado, porque o esgoto se mistura às águas pluviais, chegando à praia.
No entanto, mais uma vez, surge uma esperança para os moradores. O estado promete lançar, no segundo semestre deste ano, um projeto para implantação de uma rede de captação de esgotos em toda a Rocinha. O plano, ainda em desenvolvimento na Cedae, prevê gastar até R$ 400 milhões em quatro anos e integra parte do programa “Comunidade Cidade”, que o governador Wilson Witzel prometeu na campanha. O valor final do programa ainda não foi orçado, porque os projetos ainda estão em fase de detalhamento. Terá, porém, algumas limitações em comparação ao sistema convencional. A ideia é ligar as tubulações à rede de águas pluviais, o que fará com que o programa seja eficiente em tempo seco, mas não afastará a possibilidade de poluição em caso de chuvas.
Os R$ 400 milhões viriam da economia, em quatro anos, de um programa de reforma administrativa que está sendo implantado pelo atual presidente da Cedae, Hélio Cabral, que prevê também revisão na política geral de gratificações. Segundo a empresa, havia, entre os 50 funcionários que deixaram a estatal, quem ganhasse salários acima de R$ 80 mil. Da lista, fazem parte engenheiros, contadores, administradores, biólogos etc.
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Na comunidade Camarista Méier, parte da comunidade não tem água encanada e moradores tomam banho e pegam água num poço, no alto do morro Foto: Márcia Foletto / Agência O GloboAposentada Regina Calixto, de 61 anos, tem casa condenada no Morro do Andaraí desde 2014. Doente e com um filho deficiente, ela briga na Justiça por aluguel social Foto: Pedro Teixeira / Agência O GloboAo longo dos últimos anos, chuvas destruíram parte da Rua União Vitória, no alto da Camarista Méier Foto: Márcia Foletto / Agência O GloboNa Rocinha, esgoto jorra à vontade de bueiro na Estrada da Gávea, na entrada da localidade conhecida como Dionéia, muito atingida pelas chuvas do último dia 6 Foto: Márcia Foletto / Agência O GloboNo Vidigal, pedras ainda ameaçam casas. Ao lado, moradora ainda tenta limpar a área de sua residência, tomada por terra e folhas Foto: Marcelo Carnaval / Agência O GloboO buraco, num dos acessos à Rocinha, na Estrada da Gávea, expõe o abandono que vive a comunidade Foto: Márcia Foletto / Agência O GloboNo Morro Dona Marta, um depósito de bebidas fica onde antigamente era o Posto Urbanístico e Social (POUSO) da comunidade Foto: Pedro Teixeira / Agência O GloboRI – Rio de Janeiro (RJ) 07/02/2019 –
Comunidades abandonadas pelo poder público.
Na foto: Morro do Andaraí, Gilson Rosa Ribeiro, presidente da Associação de moradores de Nova Divinéia
Fotos: Pedro Teixeira/ O Globo Foto: Pedro Teixeira / Agência O GloboExpedito Cobertino de Oliveira mostra o descaso do poder público no Morro do Andaraí. Ao lado de sua casa, uma encosta ameaça todo o terreno Foto: Pedro Teixeira / Agência O GloboFios de ligações clandestinas de luz, TV e internet não são artigos raros nas comunidades do Rio. Na foto, um poste da Rocinha, tomado pelas gambiarras Foto: Márcia Foletto / Agência O GloboNa Camarista Meier, Leonardo Monteiro de Matos precisa usar água do poço para dar banho nas filhas de 2 e 10 anos. Seu filho do meio, de 4 anos, morreu leishmaniose, adquirida na comunidade Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo