Ibirapuera sob tensão: os dilemas entre a falta de segurança e a privatização do parque

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“Eu costumava jogar futsal com amigos aos sábados de manhã, quando deixávamos nossos pertences ao lado da quadra. Um dia, depois do jogo, fui pegar a minha mochila e estava aberta, sem meu celular”, conta o atleta Luis Silva.

O episódio aconteceu no fim de 2024, mas relatos como este se tornaram recorrentes entre os frequentadores do Parque Ibirapuera, que se queixam nas redes sociais sobre roubos de smartphones e bicicletas no local.

Segundo relatório da própria Urbia — concessionária encarregada da gestão do parque —, foram registrados 43 furtos e sete tentativas de furto nos últimos três meses de 2025.

Em 25 de outubro, por exemplo, a proprietária de um quiosque próximo à Praça do Leão chegou para trabalhar por volta das 10h20 e percebeu que o local havia sido saqueado.

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No dia 31 do mesmo mês, por volta das 22h34, um homem acionou uma vigilante local e relatou um assalto na região do Córrego do Sapateiro, onde quatro adolescentes roubaram um celular, um boné e um tênis.

Cláudia Franco, representante da escola de pilotagem de bicicleta CicloFemini, alerta seus alunos sobre a possibilidade de furtos nas aulas que acontecem no parque. “Sempre orientamos para que não deixem as bolsas muito distantes ou os celulares à mostra”, comenta.

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De acordo com a professora, embora haja regiões com maior vigilância, a extensão da área facilita a ação e a fuga de criminosos.

Em resposta às contestações, a Urbia destaca que “o sistema de monitoramento local conta com mais de 400 câmeras integradas, atualmente em implantação”. A empresa, porém, alega que o Ibirapuera é uma área pública e, assim, a segurança do espaço é de responsabilidade da Guarda Civil Metropolitana (GCM).

Em nota, a prefeitura informou que, “diante de um aumento da demanda no local, o patrulhamento foi reforçado com trinta agentes, treze viaturas e seis motocicletas, com intensificação nos horários de maior movimento”.

Descaracterização

Além da segurança, recentes projetos de reforma e construção de novos empreendimentos também têm levado um dos principais cartões-postais e refúgios verdes da cidade ao centro do debate público.

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Segundo Silvio Marques, promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), “a atual administração está descaracterizando o espaço ao erguer uma série de lojas, restaurantes e espaços patrocinados com benefícios para clientes, o que pode causar prejuízos ao patrimônio público e social”.

Ele é autor do inquérito do MP-SP que investiga, desde dezembro de 2024, supostas irregularidades no Ibirapuera, como a “utilização predatória de espaços públicos por empresários”, o “preço ‘inacessível’ dos serviços oferecidos” e a “redução da área útil usada gratuitamente por munícipes”, conforme documento de parecer técnico obtido por VEJA SÃO PAULO.

O promotor ainda estuda a abertura de uma ação civil pública contra a gestora, que nega as inconsistências e aponta dados inverídicos, imprecisões e interpretações distorcidas na investigação.

Serraria

Uma das propostas da concessionária que mais tem repercutido é a transformação da antiga e histórica Serraria da Praça Burle Marx em um novo centro comercial, com instalação de uma academia privada no mezanino.

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Enquanto visitantes do parque e conselheiros críticos ao projeto declaram que essa área — usada para a prática de esportes ao ar livre — será desfigurada caso a obra siga, a Urbia afirma se tratar de uma iniciativa para valorizar o patrimônio histórico, planejada de acordo com as licenças das autoridades competentes.

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Serraria da Praça Burle Marx: estrutura industrial da década de 1930 deve passar por um projeto de reforma, com instalação de vidraças e academiaParque Ibirapuera/Divulgação

A concessionária conta com a aprovação dos órgãos de preservação patrimonial Iphan e Condephaat, com negativa apenas do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) do município.

Protocolado no Conpresp no último dia 9, o projeto só deve ser debatido após avaliação do presidente do órgão, Ricardo Ferrari Nogueira, que pediu vista para analisar o assunto, mas ainda não definiu uma data para isso.

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Serraria-Parque-Ibirapuera.jpg Ibirapuera sob tensão: os dilemas entre a falta de segurança e a privatização do parque
Projeto para a Serraria: área com risco de ser desfiguradaReprodução/Divulgação

Para a advogada Célia Marcondes, membro da Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro de Cerqueira César, a estrutura deve ter sua finalidade original mantida.

“É uma área tradicionalmente destinada ao lazer e à coexistência entre o público, a fauna e a flora, não à exploração econômica. A população também deveria ter o direito de decidir sobre o futuro do local”, defende.

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A advogada Célia Marcondes: defesa da preservação do patrimônio histórico e social do parqueLéo Martins/Veja SP
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