Lee Jae-yong, conhecido como “herdeiro da Samsung” devido à sua posição de vice chairman da empresa, pode ser preso por até nove anos, caso a recomendação da promotoria de Seul, na Coreia do Sul, seja acatada pelos juízes. A data para sentenciação definitiva está marcada para 18 de janeiro.
O herdeiro da Samsung é réu em um processo que o identificou como o pagador de uma propina no valor de 30 bilhões de won (R$ 147,51 milhões, na conversão direta). O intuito do executivo era assegurar a sua posição como sucessor do pai, Lee Kun-hee.
Em 2017, Jae-yong pagou o valor referido para a então presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, por meio de uma intermediária. Geun-hye seria removida do cargo em processo de impeachment naquele mesmo ano, sob várias acusações de corrupção.
“A Samsung é um grupo com poder tão dominante que dizem que as empresas coreanas se dividem entre ‘Samsung’ e ‘Não-Samsung’”, disse a promotoria, aludindo ao fato de que a fabricante do Galaxy S21 tem o hábito de adquirir empresas menores para ampliar sua participação no mercado. “Pelo bem do desenvolvimento de nossa sociedade, a posição da Samsung deve ser a de atitude firme contra a corrupção, para que ela dê o exemplo”.
Em suas considerações finais, Jae-yong disse: “Eu estou aqui com um coração cheio de remorso. Quando o meu pai, chairman Lee, faleceu [em outubro de 2020] subitamente, eu tive uma reunião particular com a ex-presidente Park. Se fosse agora, eu jamais teria lidado [com a situação] da mesma maneira”. O réu ainda disse que quer “criar uma nova Samsung, apropriada da dignidade deste país, e ser um bom filho para o meu respeitável pai”.
Mais envolvidos no caso
Os promotores ainda pediram sentenças de sete anos para outros dois ex-executivos da Samsung – Jang Choong-ki e Park Sang-jin – por terem envolvimento com o caso. A maior decisão, porém, reside na Suprema Corte, que vai definir se Lee Jae-yong voltará à prisão.
Isso porque o herdeiro da Samsung já havia servido um termo curto na cadeia em 2017, com sentença de cinco anos, porém foi libertado e retornou ao seu cargo na empresa após a corte de apelações reduzir a sua pena em dois anos e meio, com suspensão de início por quatro anos.
Em agosto de 2020, porém, a Suprema Corte determinou que essa punição era leve demais e deveria considerar valores adicionais da propina paga pelo executivo.
Enquanto promotores recomendam nove anos de prisão – ou um termo mínimo de cinco anos -, a defesa de Jae-yong argumenta que os fundos pagos foram fornecidos pela própria Samsung, que teria sofrido extrema pressão da ex-presidente Park.
A empresa chegou a criar um comitê de compliance para investigação interna – cujas conclusões serão levadas em consideração até 18 de janeiro, segundo a Suprema Corte.
Fonte: The Korea Herald
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