Assédio sexual, xingamentos e burnout: novas denúncias contra o Sesc SP

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dan_7479 Assédio sexual, xingamentos e burnout: novas denúncias contra o Sesc SP

Um suicídio no Sesc Pompeia, no dia 28 de fevereiro, causou mobilização entre funcionários e ex-funcionários do Sesc, que se pronunciaram com denúncias de assédio moral e sexual, sobreposição de funções, escalas de trabalho exaustivas e acúmulo no banco de horas.

“A violência, o assédio e o abuso são políticas institucionais. É a cultura institucional, não são exceções. É sistêmico e naturalizado”, opina uma ex-funcionária, que preferiu manter-se anônima.

Para além do Sesc Pompeia, a VEJA SÃO PAULO ouviu oito ex-trabalhadores que fizeram denúncias sobre unidades espalhadas pelo estado, como Campinas, Bertioga, São Caetano do Sul, Consolação e Avenida Paulista.

Assédio sexual, moral e sobrecarga no Sesc Campinas

Uma mulher que trabalhou no Sesc Campinas entre 2015 e 2023 afirmou que foi vítima de assédios morais e sexuais e que desenvolveu síndrome do pânico e crises severas de ansiedade. Ela pediu para manter a identidade preservada.

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“Cheguei ao ponto de pensar em cometer suicídio inúmeras vezes, porque eles me faziam pensar que eu era uma inútil, que eu não me encaixava e que nunca era suficiente”, conta.

Ela relatou que um gestor a abordava quando estava sozinha e em locais sem visibilidade de câmeras e tentava agarrá-la, beijá-la na boca e apalpá-la. Na época, ela comunicou a uma supervisora, que não tomou nenhuma providência e, depois de um tempo, ele foi promovido e transferido para outra unidade, segundo a vítima.

“A omissão era geral, você podia estar passando pelos piores momentos, que ele fingiam que nada estava acontecendo, e não era só comigo, muitos outros colaboradores passaram por situações idênticas”, completa. Segundo ela, o Sesc oferece diversos projetos de proteção à mulher, mas são todos “para inglês ver”.

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A reportagem conversou com outros ex-funcionários do Sesc Campinas, que também denunciaram abusos morais e omissão na instituição. Todos sob condição de sigilo da identidade.

Um deles abriu um processo judicial contra o Sesc por acúmulo e desvio de funções e assédio moral, que tramita na Justiça do Trabalho. Ele foi contratado como agente de atendimento em 2009, mas com o passar do tempo ficou encarregado de funções de coordenação e gestão de equipes. O acúmulo de função fez com que desenvolvesse um quadro de esgotamento profissional e precisasse ficar afastado e com acompanhamento psiquiátrico por vários meses.

Ele conta que vivenciou “reuniões exaustivas com extrema pressão psicológica, gritos e humilhações em público”.

Uma outra ex-funcionária relata que os gritos e xingamentos eram cotidianos no Sesc Campinas. Ela lembra um dia em que, logo após ingressar na unidade, saiu para jantar no mesmo horário que o colega – algo que a coordenadora não permitia. Ao retornarem, foram recebidos por gritos e foram chamados de “arrombados” pela gestora.

Desigualdade salarial e demissões injustificadas

A mesma funcionária, que é uma mulher negra, conta que chegou a ser promovida no Sesc, mas ao assumir o cargo notou que recebia muito menos do que os colegas brancos.

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Ela exigiu um salário equivalente e, logo depois, foi demitida. “Eles promovem para poderem dizer que têm mulheres negras em cargos de gestão, mas o salário dessas mulheres não é igual ao das mulheres brancas de mesmo cargo”, aponta.

Ela não foi a única que relatou ter sido demitida após protestar contra injustiças no Sesc. Ao descobrir que um colega de trabalho havia agredido a namorada fisicamente em uma outra unidade do Sesc, uma ex-funcionária do Sesc São Caetano do Sul se juntou a outras nove funcionárias para redigir uma carta solicitando providências por parte da coordenação da unidade.

A unidade não tomou nenhuma providência efetiva para punir o agressor e a denúncia das mulheres gerou mal estar com a gerência, segundo a funcionária.

“A gerente ficou com o ego ferido, como se eu tivesse quebrado a confiança dela”, conta a ex-funcionária, que foi demitida no ano seguinte ao caso, segundo ela, por causa desse mal-estar.

Denúncias no Sesc Bertioga e Avenida Paulista

Outras unidades também foram alvo de denúncias. O marido de uma funcionária da lanchonete do Sesc Bertioga, que preferiu não se identificar, relatou que a esposa começou tratamento psicológico após entrar no trabalho e está sofrendo com problemas de saúde devido ao manuseio de cargas pesadas sem o devido cuidado.

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Uma funcionária que trabalhou 14 anos no Sesc Avenida Paulista também denunciou sobrecarga. Ela teve burnout, depressão e ansiedade. “Tinha muita vontade de me suicidar”, conta.

Falta de transparência

Outras denúncias falam de nepotismo e tráfico de influência. “Não há provas, processo seletivo, nem nada do tipo. As pessoas simplesmente ascendem do nada. Gerentes adjuntos há dez anos na função não são nomeados gerentes, enquanto funcionários de oito anos ganham os cargos”, conta um ex-funcionário que trabalhou 18 anos no Sesc e preferiu manter o anonimato.

Escândalo no Sesc Guarulhos

Em maio de 2024, 2ª Vara do Trabalho de Guarulhos condenou o Sesc por assédio moral no trabalho. A decisão estabeleceu que três coordenadores fossem afastados definitivamente dos cargos de coordenação e supervisão após denúncias de constrangimento, agressões verbais e ameaças. A sentença também estabeleceu uma indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 100.000,00.

No processo, obtido pela Vejinha, uma ex-funcionária testemunhou que um deles teria corrido atrás dela enquanto ela passava na frente de uma janela e dito: “Que pena que você olhou antes, porque senão eu ia te jogar lá para baixo”. Ela afirmou que foi xingada e que tinha medo de prestar depoimentos por conta de retaliações.

Em outra ocasião, o mesmo gestor teria dito a um funcionário: “como que você não fechou a sala, você é burro?”. O trabalhador acrescentou que ele tinha o hábito de gritar com funcionários e que os xingamentos já fizeram com que ele e outras duas funcionárias saíssem chorando da sala.

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Um homem que trabalhou no Sesc Guarulhos por 1 ano e 10 meses foi chamado em um canto pelo coordenador denunciado durante uma atividade, momento em que ele teria dito: “A sua energia é bem intensa mas está atrapalhando o trabalho, gostaria que você arrumasse três negões bem fortes para te f**** bem gostoso e ver se você volta mais equilibrado”.

Conforme verificado no Portal de Transparência do Sesc São Paulo, com informações atualizadas em janeiro de 2026, os três continuam empregados no Sesc, em outras unidades.

A Vejinha entrou em contato com o Sesc São Paulo questionando a manutenção na equipe dos três supervisores condenados em 2024 e as novas denúncias de assédio moral e sexual, acúmulo de funções, condições de trabalho insalubres e falta de transparência nas contratações. A resposta da instituição foi a seguinte:

“O Sesc São Paulo respeita rigorosamente as leis trabalhistas e não se pronuncia publicamente sobre casos de compliance e processos judiciais”

Suicídio no Sesc Pompeia

No dia 28 de fevereiro, o Sesc Pompeia cancelou todas as atividades culturais da noite, com a justificativa de problemas técnicos. Dias depois veio à tona que a suspensão ocorreu, na realidade, porque um funcionário da unidade tinha cometido suicídio no local.

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A morte inspirou um movimento de trabalhadores anônimos, que redigiram uma nota denunciando práticas abusivas no Sesc São Paulo.

“Quanto tempo o Sesc permanecerá em silêncio diante do sofrimento cotidiano de trabalhadores de todos os setores? Até quando seremos trados como peças substituíveis diante de uma engrenagem que não pode parar? Quantos empregados do Sesc-SP já se suicidaram? O adoecimento mental e emocional dentro do Sesc é uma realidade conhecida”, declarou a nota.

No documento, o coletivo cita sobrecargas, assédios, pressão por resultados e retirada de direitos como causas de adoecimento mental na instituição.

Em nota enviada à Vejinha, o Sesc afirmou que o funcionário deixou uma carta sobre sua mesa expondo os motivos do suicídio, e que nela não havia menção às condições de trabalho.

“Em uma primeira análise descontextualizada de tudo o que deveria compô-la, um suicídio em ambiente de trabalho conduz à conclusão de que o ato significa uma resposta ou indignação envolvendo questões de trabalho. No entanto, na escala da verdade, a realidade se distancia dessa conclusão, já que nosso colega deixou sobre sua mesa de trabalho uma carta, expondo os motivos de sua decisão, isentando a todos de qualquer culpa, inexistindo uma palavra sequer sobre condições de trabalho”, apontou.

Sobre as condições de trabalho abusiva, a nota reforçou que existem canais oficiais para denúncia e que a ouvidoria do Sesc investiga e pune os casos, conforme eles são apresentados.

O que diz a lei trabalhista

“O assédio está ligado a práticas de ameaça e violência que acontecem no ambiente de trabalho”, explica Otávio Pinto e Silva, presidente da Comissão de Advocacia Trabalhista da OAB SP. Ele aponta que o assédio geralmente ocorre entre uma pessoa de maior poder e um subordinado, mas também pode ocorrer de forma horizontal, entre dois colegas de mesmo cargo.

Em 2019, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) aprovou a Convenção 190, que definiu assédio no ambiente de trabalho como “um conjunto de comportamentos e práticas inaceitáveis, ou de suas ameaças, de ocorrência única ou repetida, que visem, causem, ou sejam susceptíveis de causar dano físico, psicológico, sexual ou econômico, e inclui a violência e o assédio com base no gênero”.

Essas violações podem ocorrer no local de trabalho, no local onde o trabalhador descansa, se alimenta ou usa as instalações sanitárias, durante viagens, treinamentos, eventos ou atividades sociais relacionadas com o trabalho; nas comunicações do trabalho, online ou presenciais; no alojamento fornecido pelo empregador e durante o trajeto entre o domicílio e o local de trabalho.

Em casos de abuso no ambiente de trabalho, o Pinto e Silva aponta que o trabalhador pode denúnciar, em primeiro lugar, ao sindicado, responsável por defender os interesses dos trabalhadores. “Outra possibilidade é levar uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho, que pode abrir uma investigação, exigir da empresa informações e documentos, ouvir testemunhas e tomar outras providências para apurar a denúncia”, completa. Se o procurador do trabalho entender que se caracterizou um caso de violência e de assédio, ele pode exigir correção de comportamento da empresa.

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