{"id":7719,"date":"2023-02-26T15:05:09","date_gmt":"2023-02-26T18:05:09","guid":{"rendered":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/de-corote-a-catuaba-as-bebidas-que-ameacam-a-cerveja-no-carnaval\/"},"modified":"2019-03-01T05:06:13","modified_gmt":"2019-03-01T08:06:13","slug":"de-corote-a-catuaba-as-bebidas-que-ameacam-a-cerveja-no-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/de-corote-a-catuaba-as-bebidas-que-ameacam-a-cerveja-no-carnaval\/","title":{"rendered":"De Corote a Catuaba: as bebidas que amea\u00e7am a cerveja no carnaval"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<p><span>Qual ser\u00e1 a bebida do <strong><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/carnaval\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">carnaval<\/a><\/strong>? De uns anos para c\u00e1, a data mais festiva do ano deixou de ser exclusiva das grandes cervejarias. H\u00e1 cada vez mais empresas novatas que se valem da explos\u00e3o dos blocos de rua para al\u00e9m do Rio, de Salvador e de Recife, e da queda no poder de compra trazido pela crise para chegar aos jovens das classes B, C e D.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>O nicho de bebida barata e irreverente come\u00e7ou a ganhar forma em 2016, quando as cervejas passaram a disputar espa\u00e7o com as catuabas e as vodcas saborizadas no carnaval e em festas universit\u00e1rias. <\/span>Geralmente comercializadas em garrafas PET, as bebidas popularzonas s\u00e3o mais alco\u00f3licas que a cerveja e geralmente combinam a\u00e7\u00facar e xaropes \u00e0 base de frutas. O gosto adocicado fez com que quebrassem a resist\u00eancia de quem torcia o nariz para cacha\u00e7a e o u\u00edsque. O compartilhamento de experi\u00eancias e a fidelidade aos produtos fizeram com que o ramo se consolidasse espontaneamente entre os jovens, principalmente nas redes sociais.<\/p>\n<p><span>S\u00e3o bebidas que conseguiram romper uma barreira importante: a renda. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (<strong><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/oms\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">OMS<\/a><\/strong>), os brasileiros bebem muito menos que os cidad\u00e3os de pa\u00edses desenvolvidos \u2013 como Estados Unidos, Fran\u00e7a e Alemanha. O consumo de\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/bebidas-alcoolicas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bebidas alco\u00f3licas<\/a><\/strong> est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 renda per capita de cada pa\u00eds. Quanto mais dinheiro, mais consumo. Por isso, historicamente, cerveja e cacha\u00e7a foram tidos como bebidas das classes C e D no Brasil. <\/span><\/p>\n<p><span>Mas o cen\u00e1rio muda rapidamente, puxado principalmente por duas marcas: Corote e Catuaba. Criada em 1958, a Missiato, fabricante da cacha\u00e7a Corote sempre apostou em bebidas tradicionais. At\u00e9 que viu que, mais de 50 anos depois de sua funda\u00e7\u00e3o, a empresa deslanchou com drinks que conquistariam o paladar dos mais jovens. Hoje, a Corote Sabores, feita com vodca, conta com mais de oito sabores \u2014 lim\u00e3o, morango, p\u00eassego, maracuj\u00e1, blueberry, canelinha, a\u00e7a\u00ed com catuaba e menta. <\/span><\/p>\n<p>Conhecida por suas propriedades estimulantes e afrodis\u00edacas, a Catuaba Selvagem nasceu em 1992 , inspirada por Instinto Selvagem <span>\u2014 <\/span> o cl\u00e1ssico filme com Michael Douglas e Sharon Stone. Ao longo dos vinte e seis anos de hist\u00f3ria da bebida, apenas a embalagem mudou. A modifica\u00e7\u00e3o do formato e material da garrafa veio junto com uma mudan\u00e7a tamb\u00e9m no consumo. Aos poucos, os jovens abandonam os copos pl\u00e1sticos para beberem diretamente da garrafa \u2014 que pode ser transportada facilmente durante o &#8220;rol\u00ea&#8221;.<\/p>\n<p>Juntas, as bebidas criaram seu pr\u00f3prio nicho. Mesmo sofrendo certo preconceito, as bebidas n\u00e3o s\u00f3 tomaram as ruas e os ambientes universit\u00e1rios como tamb\u00e9m guinaram o setor. Aos poucos, n\u00e3o s\u00f3 o consumo aumentou como tamb\u00e9m a variedade de marcas e sabores das bebidas de baixo custo.<\/p>\n<p><span>\u201cOs movimentos hipster, LGBT e do funk impulsionaram muito a Catuaba Selvagem. A marca se transformou em algo n\u00e3o apenas encontrado nas periferias, mas tamb\u00e9m em bairros nobres de S\u00e3o Paulo\u201d, diz Anna Speroni, gerente de marketing e eventos da Arbor, fabricante da bebida \u00e0 base de vinho.<\/span><\/p>\n<p><span>Para o presidente da Missiato, Paulo Missiato, a Corote Sabores deslanchou em grandes festas universit\u00e1rias do interior do estado de S\u00e3o Paulo (Tusca e InterUnesp) e grandes festas de carnaval. \u201cVimos uma grande oportunidade voltada ao p\u00fablico universit\u00e1rio, pois al\u00e9m de fazer muitas festas, esse p\u00fablico busca produtos mais acess\u00edveis\u201d, diz Paulo.<\/span><\/p>\n<p><span>As empresas criaram estrat\u00e9gias de marketing que falam diretamente com consumidores hiperconectados. Para o especialista em comportamento jovem, Rony Rodrigues,<\/span><span>\u00a0os <em>millennials<\/em>\u00a0querem consumir experi\u00eancias \u2014 como festas e viagens. \u201cCom um maior investimento voltado para a experi\u00eancia \u2014 gastos com ingresso, locomo\u00e7\u00e3o, etc \u2014 o jovem come\u00e7ou a ter que fazer escolhas. E uma escolha foi, de fato, optar por bebidas mais baratas\u201d. A Catuaba Selvagem foi um dos propulsores deste mercado de bebidas prontas e baratas, com teor alco\u00f3lico em torno de 14%, ou seja, quase 3 vezes maior que a cerveja.<\/span><\/p>\n<p><span>Para analistas, a tend\u00eancia era que o mercado pendesse para produtos <em>premium<\/em>. Segundo uma pesquisa divulgada pela Mintel, 57% dos brasileiros preferem beber pequenas quantidades de cerveja de melhor qualidade. Mas a crise dos \u00faltimos anos mudou o roteiro. Casos peculiares como o da Catuaba mostraram que os jovens acabam se conectando com marcas menores. \u201cO jovem olha essas empresas menores e acha verdadeiro, humano, e acaba simpatizando com a marca\u201d, afirma Rony.<\/span><\/p>\n<p>O carnaval deve impulsionar essas marcas, ou abrir espa\u00e7o para novatas que tentem roubar o nicho das novatas de anos atr\u00e1s.\u00a0<span>Para manter seu p\u00fablico, a Catuaba Selvagem inaugurou a \u201cCasa Selvagem\u201d, em um dos mais famosos bairros<i>\u00a0<\/i>do Carnaval de S\u00e3o Paulo, a Vila Madalena. \u201cSempre apoiamos grandes blocos tradicionais de Carnaval de rua em S\u00e3o Paulo. Mas nosso apoio tem que ir al\u00e9m do tradicional. A gente tem que gerar experi\u00eancias reais, experi\u00eancias essas que possam ser reverberadas nas redes sociais tamb\u00e9m\u201d, afirma Anna.<\/span><\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"image002 De Corote a Catuaba: as bebidas que amea\u00e7am a cerveja no carnaval\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2019\/02\/image002.jpg\" \/><figcaption>Casa Selvagem, em S\u00e3o Paulo<span class=\"copyright\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Mas, e o litr\u00e3o?\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>Apesar do avan\u00e7o de Catuabas e Corotes, n\u00e3o se engane: a cerveja ainda reina no carnaval. Segundo um estudo da Euromonitor, a cerveja \u00e9, de longe, a bebida mais consumida no Brasil. Acontece que, para as grandes fabricantes, perder o ar &#8220;cool&#8221; com o p\u00fablico jovem em momentos de festa \u00e9 um problema potencial para o longo prazo.<\/p>\n<p><span>Quando as bebidas \u201c<em>ice<\/em>\u201d \u2014 de baixo teor alco\u00f3lico \u2014 foram lan\u00e7adas na Europa, elas correspondiam apenas a 1% do mercado de cerveja. Desde ent\u00e3o, v\u00eam ganhando espa\u00e7o, embora a cerveja ainda tenha seus ambientes sagrados. <\/span><span>\u201cVoc\u00ea n\u00e3o vai ver um jovem sentando em um bar pedindo uma Catuaba para ficar conversando. A bebida para fazer isso \u00e9 a cerveja&#8221;, diz<\/span><span>\u00a0Adalberto Viviani, consultor especializado no mercado de bebidas.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Mesmo invadindo o carnaval, as novatas ainda t\u00eam desafios pela frente. Atingindo <span>pessoas de diferentes idades, h\u00e1bitos e renda, especialistas t\u00eam dificuldade de classific\u00e1-las \u2014 seja pelo <em>boom<\/em> recente ou at\u00e9 mesmo por preconceito \u2014 e faltam explica\u00e7\u00f5es para seu sucesso. Mas as empresas parecem n\u00e3o se preocupar com a supremacia da cerveja, crescendo junto ao n\u00famero de fi\u00e9is e transcendendo a uma simples moda de Carnaval.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/negocios\/de-corote-a-catuaba-as-bebidas-que-ameacam-a-cerveja-no-carnaval\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual ser\u00e1 a bebida do carnaval? De uns anos para c\u00e1, a data mais festiva do ano deixou de ser exclusiva das grandes cervejarias. 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