{"id":72172,"date":"2023-02-26T15:37:06","date_gmt":"2023-02-26T18:37:06","guid":{"rendered":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/ecos-do-front-na-vila-zelina-familias-vivem-sob-a-tensao-da-guerra-na-ucrania\/"},"modified":"2022-03-11T06:05:09","modified_gmt":"2022-03-11T09:05:09","slug":"ecos-do-front-na-vila-zelina-familias-vivem-sob-a-tensao-da-guerra-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/ecos-do-front-na-vila-zelina-familias-vivem-sob-a-tensao-da-guerra-na-ucrania\/","title":{"rendered":"Ecos do front: na Vila Zelina, fam\u00edlias vivem sob a tens\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<p>\u201cEstamos vivendo os tormentos da guerra. Guerra, n\u00e3o: invas\u00e3o! Est\u00e3o massacrando o nosso povo, como fizeram com nossos tatarav\u00f3s, que fugiram do bolchevismo\u201d, diz o padre <strong>Josafat Vozivoda<\/strong>, na missa de domingo (6) da <strong>Par\u00f3quia Cat\u00f3lica Ucraniana Nossa Senhora da Gl\u00f3ria<\/strong>, encravada no alto de uma ladeira da <strong>Vila Zelina<\/strong>, Zona Leste de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>+ <a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cultura-lazer\/lilia-cabral-a-lista-sao-paulo\/\">A hora da estrela: Lilia Cabral volta aos palcos paulistanos ap\u00f3s dez anos<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Foram poucas as palavras em portugu\u00eas ditas aos quarenta presentes naquela manh\u00e3 \u2014 a cerim\u00f4nia \u00e9 quase toda em ucraniano. Os c\u00e2nticos, no mesmo idioma, s\u00e3o entoados por tr\u00eas freiras no banco pr\u00f3ximo ao altar. Perto das 13 horas, o sino bate. A missa termina, mas a tensa mensagem de <strong>Vozivoda<\/strong> ecoa na vizinhan\u00e7a, marcada pela imigra\u00e7\u00e3o de russos, ucranianos e outros povos do Leste Europeu, como lituanos e poloneses.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"VilaZelina2dialm27.jpg Ecos do front: na Vila Zelina, fam\u00edlias vivem sob a tens\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/VilaZelina2dialm27.jpg.jpg\" \/><figcaption>\u201cAcompanho o notici\u00e1rio e fico triste e emocionada.&#8221; Luba Fesz, 96.<span class=\"copyright\">Leo Martins\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Desde que a guerra explodiu na <strong>Ucr\u00e2nia<\/strong>, ap\u00f3s a invas\u00e3o russa de 24 de fevereiro, a tristeza e o inconformismo rondam as reuni\u00f5es semanais da par\u00f3quia \u2014 sempre aos domingos, \u00e0s 10 horas. A comunidade religiosa tem aproximadamente 100 frequentadores, entre os cerca de 10 000 ucranianos ou descendentes que moram na capital e na regi\u00e3o metropolitana, boa parte em <strong>S\u00e3o Caetano do Sul<\/strong>, no ABC.<\/p>\n<p>A missa segue a tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, mais comum no oeste do pa\u00eds europeu, de maioria ortodoxa. \u201cAntigamente, quase todos os fi\u00e9is moravam no bairro. Nos anos 40, os imigrantes vinham para c\u00e1 porque havia quem falasse o idioma. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, por\u00e9m, as fam\u00edlias \u2014 e os novos imigrantes \u2014 se espalharam pela cidade\u201d, explica o padre <strong>Estefano Wonsik<\/strong>, 33, da mesma igreja, que morou por quatro anos em <strong>Lviv<\/strong>, na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 1958, viviam 78 fam\u00edlias ucranianas nos arredores da igreja. Atualmente, s\u00e3o cerca de 22\u201d, diz a arquiteta <strong>Nadia Kuchar<\/strong>, 68, filha de ucranianos e estudiosa da hist\u00f3ria da comunidade.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"VilaZelina2dialm27.jpg Ecos do front: na Vila Zelina, fam\u00edlias vivem sob a tens\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/VilaZelinalm15.jpg.jpg\" \/><figcaption>\u201cNunca tivemos amizade (com as igrejas russas do bairro), muito menos agora.\u201d Estefano Wonsik, padre da Igreja Cat\u00f3lica ucraniana<span class=\"copyright\">Leo Martins\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A imponente catedral (abaixo), constru\u00edda em 1960, vive cercada por tr\u00eas templos russos ortodoxos e uma <strong>Assembleia de Deus<\/strong> evang\u00e9lica russa, instalada na regi\u00e3o em 1939. Uma dessas igrejas, localizada em uma pacata rua do bairro, \u00e9 adepta do chamado \u201crito antigo\u201d, ou staroveri, dissid\u00eancia surgida em 1666 contra reformas ortodoxas do per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>+ <a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/coluna\/terraco-paulistano\/aos-64-anos-paulista-vai-cruzar-o-oceano-artico-em-pequeno-barco-a-vela\/\">Aos 64 anos, paulista vai cruzar o Oceano \u00c1rtico em pequeno barco a vela<\/a><\/strong><\/p>\n<p>As diferen\u00e7as de cren\u00e7a explicam, em parte, a dist\u00e2ncia entre os religiosos dos dois pa\u00edses na Vila Zelina. \u201cNunca houve amizade entre as igrejas, ainda menos agora\u201d, diz o padre Wonsik, sem disfar\u00e7ar aindigna\u00e7\u00e3o suscitada pela guerra. \u201cN\u00e3o recebemos nenhum gesto de apoio neste momento\u201d, ele afirma.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"VilaZelina2dialm27.jpg Ecos do front: na Vila Zelina, fam\u00edlias vivem sob a tens\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/VilaZelinalm6.jpg-1.jpg\" \/><figcaption>A Igreja Cat\u00f3lica ucraniana, na Vila Zelina.<span class=\"copyright\">Leo Martins\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A reportagem procurou a igreja ortodoxa russa, que optou por n\u00e3o dar entrevista. \u201cEssa dor tamb\u00e9m \u00e9 nossa, respeite o nosso sil\u00eancio. N\u00e3o cabe a n\u00f3s acabar a guerra, e sim orar para que ela chegue ao fim. Todos queremos a paz\u201d, disse um representante que n\u00e3o quis se identificar \u2014 o contato era do bispo <strong>George Petrenko<\/strong>, da<strong> Igreja Sant\u00edssima Trindade<\/strong>.<\/p>\n<p>As igrejas s\u00e3o a principal marca da imigra\u00e7\u00e3o europeia no bairro \u2014 h\u00e1 ainda uma catedral lituana, na pra\u00e7a central. N\u00e3o existem bares ou restaurantes t\u00edpicos \u2014 a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o <strong>Bar do Vito<\/strong>, de origem lituana, aberto em 1942. A pizzaria russa <strong>Famiglia Klestoff<\/strong>, que vendia pizzas quadradas e fez sucesso na <strong>Copa de 2018<\/strong> ao distribuir vodca de gra\u00e7a nos gols da R\u00fassia, fechou em 2019.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"VilaZelina2dialm27.jpg Ecos do front: na Vila Zelina, fam\u00edlias vivem sob a tens\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/VilaZelinalm19.jpg.jpg\" \/><figcaption>\u201cAs comunidades sempre viveram em harmonia. Ningu\u00e9m quer a guerra.\u201d Victor Gers, descendente de russos.<span class=\"copyright\">Leo Martins\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cA cultura do Leste Europeu \u00e9 pouco divulgada em S\u00e3o Paulo, isso n\u00e3o ajuda os neg\u00f3cios\u201d, diz <strong>Victor Gers<\/strong>, diretor da associa\u00e7\u00e3o de comerciantes e moradores da Vila Zelina, a <strong>Amoviza<\/strong>. Representante da comunidade russa (a bisav\u00f3 nasceu no pa\u00eds), Gers organiza a feira cultural e gastron\u00f4mica do bairro, cuja pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o est\u00e1 marcada para domingo (13).<\/p>\n<p><strong>+ <a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/vandalismo-semaforos-2\/\">Vandalismo contra sem\u00e1foros aumenta, assim como risco para motoristas<\/a><\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a melhor oportunidade para experimentar os quitutes t\u00edpicos do Leste Europeu, como o varenique. No restante do ano, o visitante encontra apenas uma rotisseria com alguns pratos tradicionais e uma padaria que vende o famoso p\u00e3o preto \u2014 os donos, por\u00e9m, s\u00e3o portugueses.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"VilaZelina2dialm27.jpg Ecos do front: na Vila Zelina, fam\u00edlias vivem sob a tens\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/VilaZelinalm1.jpg.jpg\" \/><figcaption>A Assembleia de Deus.<span class=\"copyright\">Leo Martins\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cUsamos a receita original, que passou de m\u00e3o em m\u00e3o at\u00e9 o nosso padeiro. O p\u00e3o tem um sabor mais azedo e a casca mais firme\u201d, diz <strong>Beatriz Oliveira<\/strong>, nutricionista da padaria<strong> A Pra\u00e7a<\/strong>. \u201cTemos um projeto para criar uma decora\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica em uma rua do bairro, mas falta levantar os recursos\u201d, diz Gers.<\/p>\n<p>As not\u00edcias dos \u00faltimos dias s\u00e3o particularmente duras para quem viveu o horror de uma guerra. Nascida em <strong>Starobelsk<\/strong>, na Ucr\u00e2nia, <strong>Luba Fesz<\/strong>, 96 anos (acima), mudou-se para o Brasil ap\u00f3s o fim da <strong>II Guerra Mundial<\/strong>, em 1946. O pai tinha morrido na pris\u00e3o, depois de se recusar a entregar as terras da fam\u00edlia \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. \u201cCheguei aos 21 anos. A gente n\u00e3o tinha para onde ir. Trabalhei em fazendas em Maraca\u00ed (no interior paulista)\u201d, ela conta.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\"><span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div id=\"abrAD_rectangle2\" class=\"abrAD\" data-ad-><\/div>\n<\/div>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"VilaZelina2dialm27.jpg Ecos do front: na Vila Zelina, fam\u00edlias vivem sob a tens\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/VilaZelinalm36.jpg.jpg\" \/><figcaption>Um dos templos russos. &#8220;A dor&lt;br \/&gt;tamb\u00e9m \u00e9 nossa\u201d.<span class=\"copyright\">Leo Martins\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Depois de uma grave tuberculose, Luba tem apenas a metade de um pulm\u00e3o funcionando, mas acompanha bem o senta e levanta da missa. \u201cNa verdade, vim fazer lua de mel\u201d, ela brinca, por ter se mudado para o pa\u00eds logo ap\u00f3s o casamento. Quase todas as fam\u00edlias ucranianas da Vila Zelina, da mesma forma, chegaram ap\u00f3s a II Guerra \u2014 as levas anteriores, vindas principalmente na I Guerra e na Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917, se concentraram no Sul do pa\u00eds; a gera\u00e7\u00e3o de Luba, por sua vez, tinha experi\u00eancia na ind\u00fastria e acabou atra\u00edda pelos empregos da cidade.<\/p>\n<p><b>+<\/b><a href=\"https:\/\/abr.ai\/assine-vejasp\"><b>Assine a Vejinha a partir de 12,90.<\/b><\/a><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>\u201cMinha m\u00e3e est\u00e1 muito triste por ver a guerra se repetir na Ucr\u00e2nia. Ela acompanha sempre os notici\u00e1rios e fica emocionada ao falar sobre isso\u201d, diz <strong>Irene Fesz<\/strong>, 58, professora da rede estadual \u2014 sentimento que dona Luba tamb\u00e9m compartilha com a reportagem. \u201cMoro no bairro desde que nasci. Na nossa rua, viviam muitos ucranianos que ajudaram a construir a igreja\u201d, diz a filha, que aprendeu o idioma com as freiras de um col\u00e9gio local.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"VilaZelina2dialm27.jpg Ecos do front: na Vila Zelina, fam\u00edlias vivem sob a tens\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/VilaZelinalm26.jpg.jpg\" \/><figcaption>Um dos templos russos. &#8220;A dor&lt;br \/&gt;tamb\u00e9m \u00e9 nossa\u201d.<span class=\"copyright\">Leo Martins\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cCostumamos fazer almo\u00e7os para comer p\u00e3o preto com sopa. Antes da pandemia, vinham os russos ortodoxos. Sempre mantivemos uma cordialidade, nuca houve atrito\u201d, ela relata. \u00c9 o mesmo sentimento de Gers, da comunidade russa. \u201c\u00c0 parte as diferen\u00e7as das igrejas, os moradores sempre viveram em harmonia. Ningu\u00e9m \u00e9 a favor da guerra\u201d, ele diz.<\/p>\n<p>A hist\u00f3rica conviv\u00eancia no bairro, por\u00e9m, tamb\u00e9m pode acabar marcada pelo conflito europeu. \u201cEu esperava que a comunidade russa se manifestasse de maneira mais contundente pela paz. Pessoalmente, n\u00e3o recebi nenhuma mensagem de apoio\u201d, queixa-se <strong>Jorge Rybka<\/strong>, c\u00f4nsul da Ucr\u00e2nia em S\u00e3o Paulo e um dos principais porta-vozes dos ucranianos no pa\u00eds.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"VilaZelina2dialm27.jpg Ecos do front: na Vila Zelina, fam\u00edlias vivem sob a tens\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/VilaZelinalm24.jpg.jpg\" \/><figcaption>Cultura nas ruas: a Vila Zelina tem vias cujos nomes fazem refer\u00eancia ao Leste Europeu, como a Pra\u00e7a Rep\u00fablica Lituana e a Pra\u00e7a Pushkin (foto), em homenagem ao poeta rom\u00e2ntico russo.<span class=\"copyright\">Leo Martins\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cSempre vivemos em harmonia, com um povo frequentando as festas do outro. Mas, neste momento, n\u00e3o d\u00e1 para ficar em cima do muro. Sen\u00e3o, aqueles que sempre os consideraram amigos ficam com uma pulga atr\u00e1s da orelha\u201d, ele afirma. Outro reflexo prov\u00e1vel da guerra seria a chegada de uma nova leva de imigrantes ucranianos \u00e0 cidade \u2014 no caso, refugiados.<\/p>\n<p><strong>+ <a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/coluna\/terraco-paulistano\/esposa-de-roger-abdelmassih-devera-pagar-mais-de-500-mil-reais-ao-banco\/\">Esposa de Roger Abdelmassih dever\u00e1 pagar mais de 500 mil reais ao Banco do Brasil<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Segundo Rybka, h\u00e1 uma lista com cerca de 100 interessados em abrigo no pa\u00eds. \u201cO governo e a prefeitura de S\u00e3o Paulo colocaram as secretarias \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para facilitar esse processo, se necess\u00e1rio\u201d, afirma o c\u00f4nsul. \u201cA verdade \u00e9 que todos os imigrantes que vieram para c\u00e1 no passado, dos dois pa\u00edses, chegaram com uma m\u00e3o na frente e a outra atr\u00e1s\u201d, completa<strong> Danilo Zajac<\/strong>, 29, neto de ucranianos e regente do coral da igreja.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"VilaZelina2dialm27.jpg Ecos do front: na Vila Zelina, fam\u00edlias vivem sob a tens\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Untitled_Page_4.jpg.jpg\" \/><figcaption>Todos juntos: festa anual e as feiras mensais do bairro t\u00eam comida e cultura dos ucranianos, russos, lituanos e outras comunidades.<span class=\"copyright\">Cr\u00e9dito\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEra natural que os povos se aproximassem na cidade. A melhor amiga da minha av\u00f3 era russa\u201d, ele diz. Pesquisador da cultura do bairro, Zajac e outros entrevistados fazem uma ressalva: a Vila Zelina \u00e9 uma \u201cmacrorregi\u00e3o\u201d que re\u00fane povos do Leste Europeu, mas os ucranianos se concentraram especialmente na \u201csub-regi\u00e3o\u201d da <strong>Vila Bela<\/strong>, uma \u00e1rea mais nobre pr\u00f3ximo ao limite de <strong>S\u00e3o Caetano do Sul<\/strong>.<\/p>\n<p>Em frente \u00e0 igreja, fica o <strong>Col\u00e9gio Aparecida<\/strong>, tamb\u00e9m de origem ucraniana, fundado em 1956. As freiras davam cursos do idioma nas f\u00e9rias. \u201cAt\u00e9 2010, t\u00ednhamos trinta alunos\u201d, diz a diretora, <strong>Ros\u00e2ngela Campanharo<\/strong>. O \u00faltimo foi em 2018, com cinco participantes. \u201cAs gera\u00e7\u00f5es antigas tinham parentes na Ucr\u00e2nia. As novas n\u00e3o veem necessidade de falar ucraniano\u201d, ela diz.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"VilaZelina2dialm27.jpg Ecos do front: na Vila Zelina, fam\u00edlias vivem sob a tens\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/VilaZelina2dialm50.jpg.jpg\" \/><figcaption>E a comida? O p\u00e3o preto da padaria A Pra\u00e7a \u00e9 um dos poucos itens t\u00edpicos que podem ser encontradas na regi\u00e3o. Receita original, garante a casa.<span class=\"copyright\">Leo Martins\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas a resist\u00eancia cultural tamb\u00e9m tem vez no bairro. \u201cMeus filhos fazem catequese com as irm\u00e3s\u201d, diz <strong>Alexandre Captia<\/strong>, 44, neto de ucranianos (acima). \u201cSonho em conhecer o pa\u00eds\u201d, diz. \u00c9, tamb\u00e9m, a vontade de Danilo. \u201cMesmo sem ter ido, tenho um orgulho enorme de l\u00e1. E a guerra faz com que eu me sinta ainda mais \u2018ucraniano\u2019\u201d.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"VilaZelina2dialm27.jpg Ecos do front: na Vila Zelina, fam\u00edlias vivem sob a tens\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/VilaZelina2dialm35.jpg.jpg\" \/><figcaption>\u201cMeus filhos fazem catequese na escola ucraniana. Sonho em conhecer o pa\u00eds\u201d Alexandre Captia, 44, neto de ucranianos<span class=\"copyright\">Leo Martins\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><b>+<\/b><a href=\"https:\/\/abr.ai\/assine-vejasp\"><b>Assine a Vejinha a partir de 12,90.<\/b><\/a><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>Publicado em VEJA S\u00e3o Paulo de 16 de mar\u00e7o de 2022, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 2780<\/b><\/p>\n<div id=\"relacionadas\" class=\"block  three_columns\">\n<ul class=\"block-menu\">\n<li data-tab=\"tab-1\" class=\"active\">Relacionadas<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"tab-1\" class=\"block-content active\">\n<ul class=\"relacionadas-s-img\">\n<li class=\"widget-news-item without-thumb with-border\">\n<div class=\"widget-news-info\"><a href=\"http:\/\/vejasp.abril.com.br\/cultura-lazer\">Cultura &amp; Lazer<\/a><span class=\"widget-news-item-title\"><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cultura-lazer\/lilia-cabral-a-lista-sao-paulo\/\">A hora da estrela: Lilia Cabral volta aos palcos paulistanos ap\u00f3s dez anos<\/a><\/span><span class=\"widget-news-item-date\">4 mar 2022 &#8211; 06h03<\/span><\/div>\n<\/li>\n<li class=\"widget-news-item without-thumb with-border\">\n<div class=\"widget-news-info\"><a href=\"http:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\">Cidades<\/a><span class=\"widget-news-item-title\"><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/ciclovia-rodovia-dos-bandeirantes\/\">Ciclovia na Bandeirantes: governo anuncia projeto com 57 km de extens\u00e3o<\/a><\/span><span class=\"widget-news-item-date\">10 mar 2022 &#8211; 13h03<\/span><\/div>\n<\/li>\n<li class=\"widget-news-item without-thumb with-border\">\n<div class=\"widget-news-info\"><a href=\"http:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\">Cidades<\/a><span class=\"widget-news-item-title\"><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/estrutura-usp-insuficiente-violencia-contra-mulher\/\">Estrutura da USP \u00e9 insuficiente para tratar da viol\u00eancia contra mulher, diz Defensoria<\/a><\/span><span class=\"widget-news-item-date\">9 mar 2022 &#8211; 19h03<\/span><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ads post-ads\"><span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div id=\"abrAD_rectangle3\" class=\"abrAD\" data-ad-><\/div>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/vila-zelina-sp-ucranianos-russos\/\">Fonte do Artigo <\/a><br \/>\nTags:<br \/>\n#loterias #loteriascaixa #megasena #resultadoapostas#noticias #noticiario  #noticia #brasil #noticiascolombia #mundo #esporte #colombia #noticiadeld #ltimasnoticias  #noticiario #noticiasregionales #noticiasdepartamentales #noticiashoy #esportes #noticiaahora #elinformantenoticias #noticiasdeboyac  #esporteinterativo #esportivo #diariodosesportes  #noticiero  #jogodefutebol #jogos #loto #apostas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEstamos vivendo os tormentos da guerra. Guerra, n\u00e3o: invas\u00e3o! Est\u00e3o massacrando o nosso povo, como fizeram com nossos tatarav\u00f3s, que fugiram do bolchevismo\u201d, diz o padre Josafat Vozivoda, na missa de domingo (6) da Par\u00f3quia Cat\u00f3lica Ucraniana Nossa Senhora da Gl\u00f3ria, encravada no alto de uma ladeira da Vila Zelina, Zona Leste de S\u00e3o Paulo. 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