{"id":66071,"date":"2023-02-26T15:25:39","date_gmt":"2023-02-26T18:25:39","guid":{"rendered":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/os-santaners-a-paixao-pelos-botecos-os-comercios-centenarios-e-os-moradores-conservadores-do-centro-da-zona-norte\/"},"modified":"2021-02-12T03:17:14","modified_gmt":"2021-02-12T05:17:14","slug":"os-santaners-a-paixao-pelos-botecos-os-comercios-centenarios-e-os-moradores-conservadores-do-centro-da-zona-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/os-santaners-a-paixao-pelos-botecos-os-comercios-centenarios-e-os-moradores-conservadores-do-centro-da-zona-norte\/","title":{"rendered":"Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<p>\u00c9 meio-dia de um s\u00e1bado na Rua Alferes Magalh\u00e3es. Valter Francisco Ribeiro, 63, se senta em uma das cadeiras do <strong>Famoso Bar do Justo,<\/strong> t\u00edpicas de um boteco, quando come\u00e7a a apontar para o entorno: \u201cali, a barbearia, desde a d\u00e9cada de 50. Na esquina, outro bar da mesma \u00e9poca. <strong>Santana<\/strong> \u00e9 assim\u201d. Com uma camisa azul abotoada at\u00e9 o meio do peito e a voz grossa do cigarro, ele trabalha ali desde 1969: \u00e9 o terceiro dono do estabelecimento, aberto no mesmo local em 1946. \u201c\u00c9 um bairro muito religioso, fam\u00edlia e conservador\u201d, resume.<\/p>\n<p>Morar h\u00e1 cinquenta anos ou mais no mesmo CEP, como \u00e9 o caso de <strong>Valter,<\/strong> conhecer todos os vizinhos e estar antenado nas fofocas do bairro s\u00e3o at\u00e9 comuns por ali. Os <strong>santaners<\/strong> n\u00e3o d\u00e3o um esbarr\u00e3o sem devolver um animado \u201col\u00e1\u201d em resposta e reconhecem quando o visitante \u00e9 forasteiro. S\u00e3o 13 quil\u00f4metros quadrados que come\u00e7am nas margens da <strong>Marginal Tiet\u00ea<\/strong> e acabam na <strong>Avenida Engenheiro Caetano \u00c1lvares,<\/strong> a 4 quil\u00f4metros do Horto Florestal, no sop\u00e9 da Serra da Cantareira. Para ser exato, 137 920 pessoas em 54 000 domic\u00edlios, de acordo com a consultoria Cognatis, pouco menor que S\u00e3o Caetano do Sul.<\/p>\n<p>\u201cA entrada da Zona Norte \u00e9 a Ponte das Bandeiras. Passou, entrou no <strong>Anhembi,<\/strong> j\u00e1 est\u00e1 no territ\u00f3rio de <strong>Santana\u201d,<\/strong> explica o padre<strong> Jos\u00e9 Roberto de Mattos<\/strong>, 51, da Bas\u00edlica de Sant\u2019Ana. O \u00edndice de desenvolvimento humano do peda\u00e7o fica na casa dos 0,847, de acordo com a consultoria Urbit. Maior do que a mais diversa Bela Vista, com 0,829 (quanto mais perto de 1, melhor). Em 2020, o valor do metro quadrado para lan\u00e7amentos residenciais em Santana foi de 9 026 reais, segundo o Secovi-SP. Para compara\u00e7\u00e3o, em Pinheiros o valor era 16 336 reais e nos Jardins, 21 037.<\/p>\n<p>Nascer, estudar, trabalhar, se aposentar e morrer no peda\u00e7o n\u00e3o \u00e9 lenda: \u00e9 quase regra. E a fam\u00edlia, claro, \u00e9 sagrada: as construtoras captaram o recado. O CEO da Sabel Incorporadora e da Labat Construtora, <strong>Abel Rocha,<\/strong> 56, explica que o que n\u00e3o pode faltar nos condom\u00ednios da regi\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea para as reuni\u00f5es de fam\u00edlia. \u201cPrecisa ter espa\u00e7o de festa generoso\u201d, explica. \u201cTem bairro que a gente coloca churrasqueira el\u00e9trica e a pessoa at\u00e9 prefere. Mas em <strong>Santana,<\/strong> eles gostam que seja carv\u00e3o\u201d, explica o diretor comercial da construtora Cyrela, Orlando Pereira.<\/p>\n<p>\u201cMeu pai nasceu em <strong>Santana.<\/strong> Ele precisou convencer a minha m\u00e3e a vir para c\u00e1, ela vivia em Pinheiros. Sorte que n\u00e3o precisei fazer isso com a minha esposa, porque ia ser um problema\u201d, diz <strong>Pedro Vergueiro,<\/strong> 29, que mora no peda\u00e7o desde que nasceu. Ele e <strong>Thais,<\/strong> que residia no Piqueri, se mudaram para o apartamento pr\u00f3prio em 2018.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/PEDRO_THAIS_2.JPG.jpg\" \/><figcaption>\u201cTem amigo que acha que eu moro na ro\u00e7a, s\u00f3 porque \u00e9 Zona Norte. Mas n\u00e3o sabem da estrutura que tem aqui\u201d, diz Pedro, que aparece ao lado da esposa, Thais, e do cachorro Banoffee<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cSomos muito bairristas. \u00c9 Zona Norte como um todo, mas o maior bairro \u00e9 <strong>Santana\u201d,<\/strong> explica <strong>Nanci Toledo,<\/strong> 45, publicit\u00e1ria que criou o Guia ZN, com mais de 43 000 seguidores no Instagram. Outros clich\u00eas <strong>santaners<\/strong> incluem uma avers\u00e3o a precisar \u201catravessar o rio\u201d, ir para o outro lado do Tiet\u00ea (apesar de muitos fazerem isso todo dia para trabalhar). \u201cA gente n\u00e3o sai daqui para nada. N\u00e3o tem necessidade! Tem tudo\u201d, explica <strong>Alessandra Carvalho,<\/strong> 50, que toca uma loja de itens de costura que funciona no bairro desde 1904, a Agulha de Ouro, na Rua Salete. A Rua Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria serve como um bom resumo. A via corta <strong>Santana<\/strong> praticamente ao meio em seus quase 6 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, conta com uma grande variedade de com\u00e9rcios populares pr\u00f3ximos ao metr\u00f4 e, conforme vai subindo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o mais alta, ganha academias, supermercados, hospitais e pr\u00e9dios residenciais de alto padr\u00e3o.<\/p>\n<blockquote class=\"quote-box  with-author\">\n<p>10 790 reais por m\u00eas \u00e9 a renda m\u00e9dia mensal das fam\u00edlias santaners. Maior que os vizinhos Casa Verde (6 591) e Mandaqui (7 071). Na capital paulista como um todo o valor \u00e9 6 631 reais<\/p>\n<p>      <strong class=\"author\">Dados da base de informa\u00e7\u00f5es GEOpop, da Cognatis, consultoria de geomarketing e big data<\/strong><\/p>\n<div class=\"item-share-list\">\n        <a href=\"\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/capa-santaners-zona-norte\/ via VEJA S\u00c3O PAULO\" data-action=\"share\/whatsapp\/share\" class=\"item-share-list-link item-whatsapp hidden-md hidden-lg\"><i class=\"icon-whatsapp\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"https:\/\/facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/capa-santaners-zona-norte\/\" target=\"_blank\" class=\"item-share-list-link item-facebook\" rel=\"noopener noreferrer\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/capa-santaners-zona-norte\/&amp;text=10%20790%20reais%20por%20m%C3%AAs%20%C3%A9%20a%20renda%20m%C3%A9dia%20mensal%20das%20fam%C3%ADlias%20santaners.%20Maior%20que%20os%20vizinhos%20Casa%20Verde%20%286%20591%29%20e%20Mandaqui%20%287%20071%29.%20Na%20capital%20paulista%20como%20um%20todo%20o%20valor%20%C3%A9%206%20631%20reais&amp;via=http:\/\/VejaSP\" target=\"_blank\" class=\"item-share-list-link item-twitter\" rel=\"noopener noreferrer\"><i class=\"icon-twitter\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"mailto:?subject=10%20790%20reais%20por%20m%C3%AAs%20%C3%A9%20a%20renda%20m%C3%A9dia%20mensal%20das%20fam%C3%ADlias%20santaners.%20Maior%20que%20os%20vizinhos%20Casa%20Verde%20%286%20591%29%20e%20Mandaqui%20%287%20071%29.%20Na%20capital%20paulista%20como%20um%20todo%20o%20valor%20%C3%A9%206%20631%20reais&amp;body=10%2520790%2520reais%2520por%2520m%25C3%25AAs%2520%25C3%25A9%2520a%2520renda%2520m%25C3%25A9dia%2520mensal%2520das%2520fam%25C3%25ADlias%2520santaners.%2520Maior%2520que%2520os%2520vizinhos%2520Casa%2520Verde%2520%25286%2520591%2529%2520e%2520Mandaqui%2520%25287%2520071%2529.%2520Na%2520capital%2520paulista%2520como%2520um%2520todo%2520o%2520valor%2520%25C3%25A9%25206%2520631%2520reais%20https%3A%2F%2Fvejasp.abril.com.br%2Fcidades%2Fcapa-santaners-zona-norte%2F%20via%20VEJA%20S%C3%83O%20PAULO\" class=\"item-share-list-link item-email hidden-xs hidden-sm\"><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><\/a>\n      <\/div>\n<\/blockquote>\n<p><b>+<\/b><a href=\"https:\/\/abr.ai\/assine-vejasp\"><b>Assine a Vejinha a partir de 6,90<\/b><\/a><b>.<\/b><\/p>\n<p>S\u00e3o em vias como essa que moram as fam\u00edlias que vivem ali desde o come\u00e7o do s\u00e9culo passado. \u00c9 o caso dos Almeida. H\u00e1 quatro gera\u00e7\u00f5es todos estudam na mesma escola: o <strong>Salesiano,<\/strong> na Rua Dom Henrique Mour\u00e3o. Tudo come\u00e7ou com <strong>Jo\u00e3o Bosco Almeida,<\/strong> 82, casado com <strong>Maria Candida,<\/strong> 84. Ele estudou na institui\u00e7\u00e3o e teve um filho, <strong>Antonio,<\/strong> 59, que conheceu a futura esposa ali: <strong>Denise,<\/strong> 60. <strong>Pedro,<\/strong> 31, \u00e9 filho do casal e sua filha, L\u00edgia, de pouco mais de 1 aninho, tamb\u00e9m vai estudar por l\u00e1. A hist\u00f3ria se repete em muitas outras fam\u00edlias.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/DSC_8029.jpg.jpg\" \/><figcaption>Jo\u00e3o Bosco Almeida, ao lado da fam\u00edlia: liga\u00e7\u00e3o com a escola Salesiano, quando ainda era uma grande ch\u00e1cara<span class=\"copyright\">Rog\u00e9rio Pallatta\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Santana<\/strong> acaba absorvendo outras \u201cnacionalidades\u201d da Zona Norte. \u201cQuando eu morava no Lauzane Paulista, fui celebrar um casamento fora da regi\u00e3o e me perguntaram de onde eu era. Falei <strong>Santana!<\/strong> E, mesmo assim, tinha gente que n\u00e3o conhecia\u201d, diz o padre <strong>Jos\u00e9.<\/strong> O fen\u00f4meno se repete com outros bairros: Imirim, Mandaqui, \u00c1gua Fria. Se perguntar, moram em <strong>Santana,<\/strong> o centro da ZN. \u201cMeu Deus, se voc\u00ea n\u00e3o conhece <strong>Santana,<\/strong> n\u00e3o conhece S\u00e3o Paulo!\u201d<\/p>\n<blockquote class=\"quote-box  with-author\">\n<p>79% da popula\u00e7\u00e3o do bairro \u00e9 branca; 11% s\u00e3o pardos; 5%, negros e 5%, orientais<\/p>\n<div class=\"item-share-list\">\n        <a href=\"\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/capa-santaners-zona-norte\/ via VEJA S\u00c3O PAULO\" data-action=\"share\/whatsapp\/share\" class=\"item-share-list-link item-whatsapp hidden-md hidden-lg\"><i class=\"icon-whatsapp\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"https:\/\/facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/capa-santaners-zona-norte\/\" target=\"_blank\" class=\"item-share-list-link item-facebook\" rel=\"noopener noreferrer\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/capa-santaners-zona-norte\/&amp;text=79%25%20da%20popula%C3%A7%C3%A3o%20do%20bairro%20%C3%A9%20branca%3B%2011%25%20s%C3%A3o%20pardos%3B%205%25%2C%20negros%20e%205%25%2C%20orientais&amp;via=http:\/\/VejaSP\" target=\"_blank\" class=\"item-share-list-link item-twitter\" rel=\"noopener noreferrer\"><i class=\"icon-twitter\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"mailto:?subject=79%25%20da%20popula%C3%A7%C3%A3o%20do%20bairro%20%C3%A9%20branca%3B%2011%25%20s%C3%A3o%20pardos%3B%205%25%2C%20negros%20e%205%25%2C%20orientais&amp;body=79%2525%2520da%2520popula%25C3%25A7%25C3%25A3o%2520do%2520bairro%2520%25C3%25A9%2520branca%253B%252011%2525%2520s%25C3%25A3o%2520pardos%253B%25205%2525%252C%2520negros%2520e%25205%2525%252C%2520orientais%20https%3A%2F%2Fvejasp.abril.com.br%2Fcidades%2Fcapa-santaners-zona-norte%2F%20via%20VEJA%20S%C3%83O%20PAULO\" class=\"item-share-list-link item-email hidden-xs hidden-sm\"><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><\/a>\n      <\/div>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Val\u00e9ria Rottger,<\/strong> 58, veio para o bairro com 11 anos de idade, quando o irm\u00e3o ingressou na Aeron\u00e1utica. No Aeroporto Campo de Marte, a For\u00e7a A\u00e9rea mant\u00e9m um hospital militar e um parque de manuten\u00e7\u00f5es de aeronaves. \u201cAos 22 anos me casei com um militar, que servia ali. E ficamos 21 anos juntos. Meu ex-marido \u00e9 carioca, mas mora em <strong>Santana<\/strong> at\u00e9 hoje\u201d, explica. O fen\u00f4meno \u00e9 tanto no ar quanto em terra.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/CEL_MAURICIO_CPOR_1.JPG.jpg\" \/><figcaption>O Coronel Maur\u00edcio M\u00e1ximo de Andrade, do Centro de Prepara\u00e7\u00e3o de Oficiais da Reserva: \u201c\u00c9 a segunda vez que sirvo aqui. Lembro que ia muito no Famoso Bar do Justo! Nossa senhora, quantas vezes eu fui l\u00e1!\u201d<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201c\u00c9 um bairro excepcional! N\u00f3s temos oficiais da reserva que v\u00eam para c\u00e1 e depois n\u00e3o querem sair\u201d, diz o coronel do Ex\u00e9rcito <strong>Maur\u00edcio M\u00e1ximo<\/strong> de <strong>Andrade,<\/strong> 51. Ele \u00e9 o comandante do Centro de Prepara\u00e7\u00f5es de Oficiais da Reserva na Rua Alfredo Pujol, que recebe anualmente 175 jovens, que ali fazem um curso com dura\u00e7\u00e3o de um ano para se especializar em \u00e1reas como infantaria e artilharia. Desde 2019 funciona no mesmo complexo o Col\u00e9gio Militar de S\u00e3o Paulo, com 165 alunos.<\/p>\n<p>Com a presen\u00e7a das For\u00e7as Armadas, \u00e9 bem comum caminhar por <strong>Santana<\/strong> e cruzar com um ou outro fardado e tamb\u00e9m encontrar clubes de tiro espalhados pelo peda\u00e7o. Ao menos tr\u00eas deles funcionam na regi\u00e3o. Apesar de n\u00e3o haver estimativas de quantos moradores militares h\u00e1, a for\u00e7a dos quepes e coturnos tamb\u00e9m \u00e9 refletida em outro aspecto bem caracter\u00edstico: o conservadorismo.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/RUAGUILCRISTOFFEL-montagem-1.jpg\" \/><figcaption>Bandeiras do Brasil na Rua Doutor Guilherme Cristofel<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/RUAGUILCRISTOFFEL-montagem-2.jpg\" \/><figcaption>Bandeiras do Brasil na Rua Doutor Guilherme Cristofel<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Na Rua Doutor Guilherme Cristofel, por exemplo, os pr\u00e9dios exibem bandeiras do Brasil penduradas nas portarias dos edif\u00edcios: o presidente <strong>Jair Bolsonaro<\/strong> teve em <strong>Santana<\/strong> a sua segunda vit\u00f3ria mais expressiva na capital em 2018: 75,47% dos votos na zona eleitoral da regi\u00e3o (perdendo apenas para Indian\u00f3polis, com 76,15%). A devo\u00e7\u00e3o a <strong>Bolsonaro<\/strong> foi, assim, bem retribu\u00edda: em um de seus primeiros atos como presidente, ele anunciou a constru\u00e7\u00e3o de um novo col\u00e9gio militar no Campo de Marte, com previs\u00e3o de abertura para 2023, ao custo previsto de 139 milh\u00f5es de reais. A promessa de um parque no local, assinada entre seu antecessor <strong>Michel Temer<\/strong> e o ent\u00e3o prefeito <strong>Jo\u00e3o Doria,<\/strong> foi engavetada.<\/p>\n<p><b>+<\/b><a href=\"https:\/\/abr.ai\/assine-vejasp\"><b>Assine a Vejinha a partir de 6,90<\/b><\/a><b>.<\/b><\/p>\n<p>Para quem est\u00e1 fora das conven\u00e7\u00f5es, o bairro decepciona. \u201cN\u00e3o tem muita op\u00e7\u00e3o voltada para o p\u00fablico LGBT\u201d, relata <strong>Lillian Mendes,<\/strong> 29. Ela se mudou para a Rua Conselheiro Moreira de Barros com a esposa <strong>Carol Cairo,<\/strong> 27, que nasceu no bairro e trouxe <strong>Lillian<\/strong> para a regi\u00e3o depois de um ano no centro. Juntas h\u00e1 seis anos, <strong>Lillian<\/strong> e <strong>Carol<\/strong> conheciam bem <strong>Santana<\/strong> antes da mudan\u00e7a. \u201cN\u00e3o \u00e9 bairro para a gente ficar muito pr\u00f3xima (na rua), diz <strong>Carol.<\/strong> \u201cTem bares aqui t\u00e3o conservadores que eu n\u00e3o me sinto confort\u00e1vel de ir\u201d, relata <strong>Lillian.<\/strong><\/p>\n<p>Um movimento dos anos 70, que clamava pelo fim do comunismo, era contra o div\u00f3rcio e a \u201cpornografia\u201d da televis\u00e3o era encabe\u00e7ado por mulheres do bairro: as senhoras de <strong>Santana.<\/strong> D\u00e9cadas depois, elas ainda s\u00e3o lembradas e a express\u00e3o \u00e9 piada no peda\u00e7o. \u201cVirou chacota! Quando a pessoa fala demais, dizem: essa pertence \u00e0s senhoras de <strong>Santana\u201d,<\/strong> explica <strong>Valter Alves,<\/strong> 63, da centen\u00e1ria loja Agulha de Ouro.<\/p>\n<p>\u201cO pessoal \u00e9 muito conservador at\u00e9 no quesito bar\u201d, diz <strong>Pedro Fargetti,<\/strong> 34. Ele \u00e9 um dos quatro s\u00f3cios do Degrau Bar, de 2017, voltado para a coquetelaria. \u201cA gente tamb\u00e9m teve de ser flex\u00edvel, sem fugir da nossa meta, o drinque. Mas colocamos cerveja de 600 mililitros e por\u00e7\u00f5es que remetem a um boteco: coxinha, dado de tapioca. O importante (<i>para quem mora em Santana<\/i>) \u00e9 o copo americano na m\u00e3o\u201d, resume.<\/p>\n<p>O advogado <strong>Rog\u00e9rio Barbieri,<\/strong> 45 anos, faz um contraponto sobre o bairro. \u201cPela geografia, estamos mesmo isolados e entendemos que isso pode deixar o desenvolvimento da regi\u00e3o mais lenta, com servi\u00e7os que s\u00e3o mais resistentes a vir\u201d, diz ele que estudou no Col\u00e9gio Salesiano, onde conheceu a mulher, <strong>Cristiane.<\/strong> A filha do casal, <strong>Giovanna,<\/strong> de 23 anos e estudante de arquitetura, lembra que para ir \u00e0s baladas, precisa sair da regi\u00e3o. Ela diz n\u00e3o se incomodar tanto com isso. \u201cTem algumas festas por aqui de faculdade, mas considero a Zona Sul o lugar das baladas e aqui, a minha casa, onde eu descanso\u201d, conta.<\/p>\n<p>J\u00e1 <strong>Barbieri<\/strong> afirma que a cada sa\u00edda da mo\u00e7a \u00e9 mais uma preocupa\u00e7\u00e3o na cabe\u00e7a. \u201cQuando ela vai para a Vila Madalena, fico bem apreensivo. Ela tem de ir, se divertir, mas esse trajeto \u00e0 noite eu fico sem dormir\u201d, diz. \u201cPor <strong>Santana<\/strong> ter esse aspecto de interior, tem pontos bons e ruins\u201d, diz. \u201cAqui n\u00e3o tem uma galeria de arte\u201d, observa tamb\u00e9m Pedro Fargetti.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/DSC_8040.jpg.jpg\" \/><figcaption>O economista Elcio Calixto, ao lado da mulher, Rosa, com as filhas, Cristiane e Beatriz, os respectivos maridos, Rog\u00e9rio e Marcelo, e os netos, Giovanna, Lucas, Pietro e Manuela: encontro com amigos do tempo do col\u00e9gio nas festas juninas das crian\u00e7as<span class=\"copyright\">Rog\u00e9rio Pallatta\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<blockquote class=\"quote-box  with-author\">\n<p>588 076 reais \u00e9 o valor m\u00e9dio de um apartamento no bairro. Mais barato que Pinheiros ( 1,06 milh\u00e3o) e mais caro que Santa Cec\u00edlia (534 120)<\/p>\n<div class=\"item-share-list\">\n        <a href=\"\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/capa-santaners-zona-norte\/ via VEJA S\u00c3O PAULO\" data-action=\"share\/whatsapp\/share\" class=\"item-share-list-link item-whatsapp hidden-md hidden-lg\"><i class=\"icon-whatsapp\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"https:\/\/facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/capa-santaners-zona-norte\/\" target=\"_blank\" class=\"item-share-list-link item-facebook\" rel=\"noopener noreferrer\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/capa-santaners-zona-norte\/&amp;text=588%20076%20reais%20%C3%A9%20o%20valor%20m%C3%A9dio%20de%20um%20apartamento%20no%20bairro.%20Mais%20barato%20que%20Pinheiros%20%28%201%2C06%20milh%C3%A3o%29%20e%20mais%20caro%20que%20Santa%20Cec%C3%ADlia%20%28534%20120%29&amp;via=http:\/\/VejaSP\" target=\"_blank\" class=\"item-share-list-link item-twitter\" rel=\"noopener noreferrer\"><i class=\"icon-twitter\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"mailto:?subject=588%20076%20reais%20%C3%A9%20o%20valor%20m%C3%A9dio%20de%20um%20apartamento%20no%20bairro.%20Mais%20barato%20que%20Pinheiros%20%28%201%2C06%20milh%C3%A3o%29%20e%20mais%20caro%20que%20Santa%20Cec%C3%ADlia%20%28534%20120%29&amp;body=588%2520076%2520reais%2520%25C3%25A9%2520o%2520valor%2520m%25C3%25A9dio%2520de%2520um%2520apartamento%2520no%2520bairro.%2520Mais%2520barato%2520que%2520Pinheiros%2520%2528%25201%252C06%2520milh%25C3%25A3o%2529%2520e%2520mais%2520caro%2520que%2520Santa%2520Cec%25C3%25ADlia%2520%2528534%2520120%2529%20https%3A%2F%2Fvejasp.abril.com.br%2Fcidades%2Fcapa-santaners-zona-norte%2F%20via%20VEJA%20S%C3%83O%20PAULO\" class=\"item-share-list-link item-email hidden-xs hidden-sm\"><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><\/a>\n      <\/div>\n<\/blockquote>\n<p>Novidade no peda\u00e7o \u00e9 o restaurante italiano Lass\u00f9, na Rua Conselheiro Saraiva. Do alto do Edif\u00edcio K1, no 28\u00ba andar, o espa\u00e7o oferece uma rara vista panor\u00e2mica da capital e tem reservas esgotadas at\u00e9 abril. \u201c40% do nosso p\u00fablico vem de outros bairros. A gente est\u00e1 t\u00e3o feliz com o neg\u00f3cio que vamos fazer outro restaurante no pr\u00e9dio, inaugura em 2 meses\u201d, diz <strong>Ricardo Trevisani,<\/strong> um dos s\u00f3cios, tamb\u00e9m dono do Ristorantino, nos Jardins. A novidade ser\u00e1 o Rist\u00f4 Street Food, com investimento de 2 milh\u00f5es de reais, com sandu\u00edches, massas e pizzas em um espa\u00e7o de 250 metros quadrados. Melhor ainda, dali n\u00e3o se v\u00ea a arquitetura pouco inspirada do pr\u00f3prio K1.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\"><span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div id=\"abrAD_rectangle2\" class=\"abrAD\" data-ad-><\/div>\n<\/div>\n<p>Ainda nos comes e bebes, em uma pegada completamente diferente, na <strong>Avenida Luiz Dumont Villares,<\/strong> senhores de cabe\u00e7a branca e jovens entre 20 e 30 anos convivem em uma interessante mistura. Pagode ao vivo para os mais novos e samba de raiz aos sessent\u00f5es. Na ruas do entorno, como na <strong>Lucas de Freitas Azevedo,<\/strong> as esquinas mostram uma harmonia rara: de um lado, o Loir\u00e3o Bar, tocando um estrondoso hit do cantor <strong>Thiaguinho,<\/strong> cheio de rapazes que n\u00e3o se furtam de cantar a melodia enquanto olham maliciosamente para alguma mo\u00e7a que passa ao lado. Do outro, o restaurante Ful\u00f4 Cozinha Regional, de comida brasileira, abrigando dezenas de fam\u00edlias em jantares animados.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/LUIZDUMONTVILLARES_LOIRASSA_7.JPG.jpg\" \/><figcaption>Bar na Avenida Luiz Dumont Villares: pagode e samba<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>E n\u00e3o d\u00e1 para falar do bairro sem mencionar o Bar do Luiz Fernandes, \u201cboteco raiz desde 1970\u201d, como a pr\u00f3pria casa diz. \u201c\u00c9 bacana ir no bar que meu pai frequentava quando jovem\u201d, diz <strong>Pedro Vergueiro.<\/strong> A paix\u00e3o <strong>santaner,<\/strong> no entanto, j\u00e1 fugiu dos olhos de <strong>Luiz Eduardo Fernandes,<\/strong> 55, \u00e0 frente do bar. Apesar da imensa maioria dos admiradores do estabelecimento cravarem que o empreendimento fica em <strong>Santana,<\/strong> ele se esquiva. \u201cA gente levanta a bandeira Mandaqui. <strong>Santana<\/strong> morreu, perdeu a identidade. \u00c9 muito mais louv\u00e1vel falar que voc\u00ea mora em um bairro em que todo mundo conhece todo mundo, n\u00e3o aquele megacom\u00e9rcio, virou um Br\u00e1s\u201d, diz <strong>Luiz Eduardo.<\/strong><\/p>\n<p><b>+<\/b><a href=\"https:\/\/abr.ai\/assine-vejasp\"><b>Assine a Vejinha a partir de 6,90<\/b><\/a><b>.<\/b><\/p>\n<p>Talvez a cr\u00edtica seja mais destinada \u00e0 regi\u00e3o conhecida como centro de <strong>Santana.<\/strong> Pr\u00f3ximo do metr\u00f4 que leva o nome do bairro e do Parque da Juventude, a \u00e1rea lembra uma 25 de Mar\u00e7o, com dezenas de lojas de com\u00e9rcio popular. Outra marca dali \u00e9 a presen\u00e7a de moradores de rua, principalmente embaixo do viaduto da <strong>Avenida Cruzeiro do Sul<\/strong> (sim, <strong>Santana<\/strong> n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente do resto da capital). \u201cEm m\u00e9dia mais de 500 moradores de rua tomam caf\u00e9 aqui todo dia. Na pandemia, o n\u00famero chegou a 800 e houve dia em que foi preciso partir o p\u00e3o ao meio. N\u00e3o sabia o que fazer para dar de comer para esse povo todo\u201d, diz o padre <strong>Jos\u00e9 Roberto<\/strong>\u00a0<strong>de Mattos.<\/strong> Ele conta que o caf\u00e9 \u00e9 servido \u00e0s 8h para evitar atritos com os comerciantes, que abrem as lojas \u00e0s 9h. <strong>Jos\u00e9 Roberto<\/strong> relata ainda que pouco v\u00ea a atua\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/AV_CRUZEIRODOSUL_1.JPG.jpg\" \/><figcaption>Avenida Cruzeiro do Sul: aumento no n\u00famero de moradores de rua<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em nota, a prefeitura afirmou que realizou 1 117 encaminhamentos para centros de acolhida na regi\u00e3o da <strong>Cruzeiro do Sul<\/strong> em janeiro deste ano. Ainda de acordo com a gest\u00e3o, 1 034 pessoas est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua na \u00e1rea da subprefeitura de Santana\/Tucuruvi.<\/p>\n<p>\u201cO prefeito precisa cuidar um pouquinho mais da Zona Norte. N\u00e3o olhar s\u00f3 para a (Avenida) <strong>Braz Leme,<\/strong> mas tamb\u00e9m para a <strong>Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria\u201d,<\/strong> diz o padre. A diferen\u00e7a \u00e9 um fato. \u201cTivemos dois movimentos importantes na regi\u00e3o da <strong>Braz Leme.<\/strong> Um nas d\u00e9cadas de 80 e 90, quando v\u00e1rios pr\u00e9dios foram executados. E outro por volta de 2010\u201d, conta o arquiteto <strong>Abel Rocha.<\/strong> A regi\u00e3o virou lar de empreendimentos de alto padr\u00e3o nos \u00faltimos anos: em 2012 foi entregue o The Point, com 61 apartamentos de 297 a 472 metros quadrados. Outro lan\u00e7amento fica na <strong>Rua Soror Ang\u00e9lica,<\/strong> o Village de France (<i>sic<\/i>), para 2023, com 103 unidades que variam entre 22 e 135 m\u00b2: um apartamento de 80 m\u00b2 custa cerca de 1,1 milh\u00e3o. O kitsch do nome do pr\u00e9dio, infelizmente, se estende \u00e0 arquitetura.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/BRAZLEME_HELIODORA_2.JPG.jpg\" \/><figcaption>Braz Leme: local de caminhadas<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cA <strong>Braz Leme<\/strong> tem canteiro central e conta com muitos empreendimentos, tem tamb\u00e9m um shopping novo vindo por a\u00ed\u201d, diz <strong>Reinaldo Kalil,<\/strong> da construtora Lopes-Kalil. O Br\u00e1s Leme Mall, da Pelosi Empreendimentos, ter\u00e1 6 000 m\u21e2 de \u00e1rea loc\u00e1vel para lojas e deve ser inaugurado ainda no primeiro semestre. Mas, para a regi\u00e3o decolar, falta um grande entrave: a gera\u00e7\u00e3o de empregos. Mesmo com o bairrismo, uma grande parte dos <strong>santaners<\/strong> precisa atravessar o rio diariamente. A verticaliza\u00e7\u00e3o residencial n\u00e3o foi acompanhada pelo surgimento de centros empresariais (um problema similar ao vivido no <strong>Jardim<\/strong>\u00a0<strong>An\u00e1lia Franco).<\/strong> V\u00e1rios servi\u00e7os e entretenimento ainda est\u00e3o ao sul da Marginal.<\/p>\n<p>O zoneamento atual, de 2016, determina um gabarito (a altura m\u00e1xima de um pr\u00e9dio) de no m\u00e1ximo nove andares em boa parte do entorno do Campo de Marte, mais restritivo que os cerca de catorze andares permitidos pela Aeron\u00e1utica. O metro quadrado ficou caro e a densidade \u00e9 baixa mesmo ao redor dos parques da regi\u00e3o e do metr\u00f4 <strong>(Santana<\/strong> tem menos da metade da popula\u00e7\u00e3o de Perdizes por quil\u00f4metro quadrado). Segundo o Secovi, apenas 3 000 ap\u00eas foram entregues no bairro entre 2014 e 2020.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o tenha o ar mais puro da cidade, como alguns moradores gostam de clamar, pela proximidade com a Serra da Cantareira (sofre com a polui\u00e7\u00e3o em propor\u00e7\u00f5es iguais ao resto da cidade, de acordo com a Cetesb), o orgulho da Zona Norte tem, sim, um clima diferente.<\/p>\n<div class=\"box\"><span>O PONTO DA AVIA\u00c7\u00c3O PAULISTANA<\/span><\/p>\n<p><p>O Aeroclube de S\u00e3o Paulo, no Campo de Marte, \u00e9 o destino para quem quer se tornar piloto de avi\u00e3o. \u201c80% dos alunos querem ingressar na avia\u00e7\u00e3o profissional, outros 20% est\u00e3o ali por hobby\u201d, explica Fernando Barros, 46, diretor da institui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma brincadeira barata: cada hora de voo custa ao menos 400 reais e para se tornar piloto comercial, apto a atuar em companhias \u00e1reas, \u00e9 preciso acumular ao menos 150 horas de pilotagem. Com a pandemia, a institui\u00e7\u00e3o perdeu cerca de 50% dos alunos e conta com 150 matriculados. Barros \u00e9 um dos que ingressaram nos ares por hobby: durante a semana, pega o metr\u00f4 rumo \u00e0 Paulista, onde \u00e9 advogado. Aos finais de semana cuida da gest\u00e3o do Aeroclube e tamb\u00e9m passeia pelo c\u00e9u em uma das 15 aeronaves da institui\u00e7\u00e3o. \u201cIsso aqui faz parte da hist\u00f3ria de Santana!\u201d, explica ele, que mora no bairro desde que nasceu. Um programa diferente no bairro \u00e9 um passeio de avi\u00e3o pela cidade: custa 380 reais, basta agendar com a secretaria.<\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/FERNANDOBARROS_AEROCLUBESP_2.JPG.jpg\" \/><figcaption>Fernando Barros: diretor do Aeroclube<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"box\"><span>ESCOLA DOS ALEM\u00c3ES<\/span><\/p>\n<p><p>O Col\u00e9gio Imperatriz Leopoldina foi constru\u00eddo para atender parte da col\u00f4nia alem\u00e3 que havia se instalado na Zona Norte da capital, em 1923. \u201cAntes, para estudar, tinha de ir para o centro, no Porto Seguro, que era o \u00fanico alem\u00e3o\u201d, conta Elvira Beck, de 85 anos. Nascida e criada em Santana, ela estudou na escola na d\u00e9cada de 40. \u201cEu me lembro que, na \u00e9poca da Segunda Guerra, n\u00e3o pod\u00edamos falar a l\u00edngua na frente da escola, com medo de que batessem na gente.\u201d Conheceu o marido, Jo\u00e3o Ricardo Beck, por causa do CIL (apelido que os alunos deram \u00e0 institui\u00e7\u00e3o), quando ele, morador da Zona Sul, fez um passeio por l\u00e1 para divulgar os trabalhos do gr\u00eamio estudantil da comunidade. Beck, o patriarca, se tornou diretor da mantenedora do col\u00e9gio nos anos 60 e foi o principal respons\u00e1vel pela expans\u00e3o do espa\u00e7o \u2014 de noventa alunos passou a 1 200. A filha Elvira, 55 anos, foi uma das primeiras alunas a entrar no colegial rec\u00e9m-formado (hoje ensino m\u00e9dio) e a linhagem se manteve. Ellen, a neta, ingressou nos anos 80 e agora, s\u00e3o seus filhos, Erick, de 7 anos, e Vivian, de 4, que correm pelos corredores. Segundo elas, a comunidade da \u00e1rea sempre ajudou muito na manuten\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da institui\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00e3o sempre festas bem animadas. Tempos atr\u00e1s, tinha at\u00e9 chope para os pais. Hoje j\u00e1 n\u00e3o podemos mais.\u201d<\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/SANTANERSlm8.jpg.jpg\" \/><figcaption>Elvira Beck, a filha Evelyn (no fundo), a neta, Ellen, e os bisnetos, Erick e Vivian: mesmos corredores e festas<span class=\"copyright\">Leo Martins\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"box\"><span>N\u00c3O SAIO DAQUI<\/span><\/p>\n<p><p>Foi na escola que a estudante de moda Isabela Carit\u00e1s, 21 anos, na foto abaixo, come\u00e7ou sua empreitada nos neg\u00f3cios. Quando tinha 14, decidiu revender roupas de marcas para as amigas do col\u00e9gio Salesiano. \u201cAntes, eu ia \u00e0 Rua 25 de Mar\u00e7o, comprava muitas coisas e oferecia para as meninas de Santana porque sabia que elas n\u00e3o iriam para l\u00e1\u201d, conta. Primeiro ocupou um arm\u00e1rio do quarto. Depois, optou por fazer uma confec\u00e7\u00e3o com as suas pr\u00f3prias cria\u00e7\u00f5es e as pe\u00e7as passaram a dominar mais de uma \u00e1rea da casa. Logo, veio a decis\u00e3o de abrir um estoque que tamb\u00e9m virou seu showroom. \u201cAs meninas queriam vir aqui experimentar, n\u00e3o adiantava ter s\u00f3 as vendas pela internet.\u201d<\/p>\n<p>Segundo ela, 70% das clientes, em sua maioria com idades entre 14 e 25 anos, que marcam hor\u00e1rio para visit\u00e1-la s\u00e3o do bairro. Para Isabela, quem \u00e9 \u201cSantana raiz\u201d prefere consumir pela Zona Norte e arregala os olhos se tiver de atravessar a ponte. \u201cEu pretendo abrir showroom nos Jardins, mas n\u00e3o deixo aqui por nada. Eu comecei por causa dessas meninas.\u201d O empres\u00e1rio Guilherme Falconi, 24 anos, tamb\u00e9m n\u00e3o pensa em montar sua hamburgueria, a Vegas Burger Beer, em outro local. S\u00f3 se for uma nova unidade. Da Freguesia do \u00d3, o rapaz ouviu dos tios, moradores de Santana, que haveria um p\u00fablico para ele. \u201cFui v\u00e1rias vezes aos Estados Unidos e queria trazer um ambiente inspirado no interior do Tennessee\u201d, conta. H\u00e1 quatro anos \u00e0 frente do empreendimento, al\u00e9m dos sandu\u00edches, ele atraiu a turma fiel ao restaurante pelas lembran\u00e7as. Instalou m\u00e1quina de pinball e jukebox. Uma dificuldade para ele \u00e9 a inova\u00e7\u00e3o, principalmente no card\u00e1pio. \u201cS\u00e3o clientes que prezam pela tradi\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes eu quero mudar um ingrediente, que n\u00e3o vai alterar o hamb\u00farguer, mas que fica mais bonito em uma foto de Instagram, e n\u00e3o posso porque v\u00e3o reclamar\u201d, diverte-se. \u201cFoi assim quando eu tirei a maionese branca das mesas, porque estava sendo muito desperdi\u00e7ada.\u201d<\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/SANTANERSlm22.jpg.jpg\" \/><figcaption>Isabela Carit\u00e1s: empreendimento nasceu no bairro<span class=\"copyright\">Leo Martins\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"box\"><span>O ELEFANTE BRANCO<\/span><\/p>\n<p><p>O Campo de Marte foi fundado em 1929, e a prefeitura disputa na Justi\u00e7a desde 1958 sua devolu\u00e7\u00e3o, tomado em 1932 na ditadura Vargas. Cerca de metade do complexo \u00e9 de administra\u00e7\u00e3o do Comando da Aeron\u00e1utica e a outra parte, da Infraero: s\u00e3o 2,1 milh\u00f5es de metros quadrados. Na \u00e1rea da Infraero, onde est\u00e3o empresas de avia\u00e7\u00e3o executiva, podem pousar e levantar voo helic\u00f3pteros de pequeno porte e jatinhos (o maior modelo autorizado \u00e9 uma avi\u00e3o de 22 metros de envergadura. Um Airbus A380, fartamente usado pelas companhias a\u00e9reas, tem 79 metros). Segundo o \u00f3rg\u00e3o federal, apenas 75 153 passageiros circularam por ali em 2020, cerca de 206 por dia, e 96 735 em 2019, m\u00e9dia de 265 por dia, um p\u00fablico irris\u00f3rio mesmo pr\u00e9-pandemia. O espa\u00e7o conta com 23 hangares para loca\u00e7\u00e3o, sendo que dois est\u00e3o vazios. A m\u00e9dia de aluguel de um espa\u00e7o do tipo \u00e9 na faixa dos 50 000 reais por m\u00eas. H\u00e1 tr\u00eas anos, o ent\u00e3o prefeito Jo\u00e3o Doria assinou um acordo com o ex-presidente Michel Temer para que um quinto do terreno, ou seja, 400 000 metros quadrados, fosse transformado em parque. O acerto n\u00e3o foi adiante no governo Bolsonaro.<\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Estacionamento-do-Anhembi-e-Campo-de-Marte-1.jpg.jpg\" \/><figcaption>Estacionamento do Anhembi e Campo de Marte<span class=\"copyright\">Marco de Bari\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"box\"><span>PEQUENA ARM\u00caNIA<\/span><\/p>\n<p><p>A partir da d\u00e9cada de 1920, os arm\u00eanios come\u00e7aram a construir sua comunidade pela capital, depois de fugir do genoc\u00eddio provocado pelos vizinhos turcos. \u201cNo in\u00edcio, se instalaram perto do Mercado Municipal e no Imirim, onde tinha a \u00fanica igreja para os colonos na \u00e9poca\u201d, conta o editor do portal Esta\u00e7\u00e3o Arm\u00eania, Armen Pamboukdjian. Segundo ele, a comunidade se desenvolveu por ali e aqueles com melhores condi\u00e7\u00f5es financeiras se espalharam por Santana, em regi\u00f5es como Alto de Santana e Santa Terezinha. \u201cEles queriam continuar por perto, mas em uma \u00e1rea mais nobre.\u201d Na Zona Norte como um todo, organizaram uma \u201cpequena Arm\u00eania\u201d, com escolas, confec\u00e7\u00e3o de sapatos, tradi\u00e7\u00e3o antiga dos arm\u00eanios que se manteve por aqui, e gastronomia. Yeran Habibian, de 55 anos, morava na S\u00edria, para onde sua fam\u00edlia se mudou com a di\u00e1spora. Conheceu seu marido, Hagop, e se casou em quinze dias. Duas semanas depois, estava em Santana. J\u00e1 s\u00e3o 35 anos no bairro. \u201cN\u00e3o sabia nada daqui. Mas quando cheguei a comunidade inteira me ajudou, at\u00e9 para aprender a l\u00edngua\u201d, diz. \u201cAqui, todos s\u00e3o considerados primos. Tem \u2018ian\u2019 no nome \u00e9 arm\u00eanio.\u201d Foi com essa fam\u00edlia que iniciou na gastronomia. \u201cComecei atendendo amigos em casa e esses foram chamando outros e mais outros. Quando me dei conta, tinha 50 pessoas na minha sala\u201d, diz. O espa\u00e7o, Yeran Culin\u00e1ria Arm\u00eania, veio em seguida. \u201cOs clientes s\u00e3o fieis, a gente senta para conversar, faz festa. Todo mundo se conhece e \u00e9 uma del\u00edcia.\u201d<\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/YERAN_1.JPG.jpg\" \/><figcaption>Yeran Habibian: diretamente da S\u00edria<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"box\"><span>LINHA DO TEMPO<\/span><\/p>\n<p><p>Inaugurada em 1904 a loja de aviamentos Agulha de Ouro \u00e9 o estabe- lecimento mais antigo em atividade no bairro. H\u00e1 15 anos na Rua Salete, funcionou durante um s\u00e9culo na Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria. A arquiteta Alessandra Carvalho, 50, na foto, toca o endere\u00e7o, que \u00e9 da fam\u00edlia do marido, Valter Alves, 63. A esposa \u00e9 quem tomou as r\u00e9deas do endere\u00e7o, j\u00e1 que Valter enfrenta problemas de sa\u00fade. Engenheiro agr\u00f4nomo, ele come\u00e7ou a se dedicar exclusivamente ao com\u00e9rcio h\u00e1 18 anos, quando sua m\u00e3e se aposentou do neg\u00f3cio da fam\u00edlia. \u201cEu falei: n\u00e3o pode acabar, tem de continuar\u201d, lembra. \u201cMeu p\u00fablico \u00e9 todo idoso. Elas v\u00e3o para bater-papo\u201d, diz Alessandra. \u201c\u00c9 gente que chega e fala que fez ali o enxoval da neta, bisneta. Tudo com coisas compradas na Agulha de Ouro\u201d, se orgulha a arquiteta.<\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/BAZARAGULHADEOURO_ALESSANDRA_1.JPG.jpg\" \/><figcaption>Alessandra Carvalho: toca o estabelecimento mais antigo do bairro<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"PEDRO_THAIS_2.JPG Os Santaners: a paix\u00e3o pelos botecos, os com\u00e9rcios centen\u00e1rios e os moradores conservadores do centro da Zona Norte\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/MAPA.jpg\" \/><figcaption>&lt;span class=&quot;hidden&quot;&gt;&#8211;&lt;\/span&gt;<span class=\"copyright\">Arte: Marcelo Cutti\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>1- Avenida Engenheiro Caetano \u00c1lvares<\/h3>\n<p>A \u00e1rea \u00e9 a mais desvalorizada, com o valor do metro quadrado de 7 024 reais. \u201cMuda completamente de perfil, \u00e9 como se tivesse uma barreira invis\u00edvel.\u201d De acordo com Constantino, o baixo n\u00famero de edifica\u00e7\u00f5es e o trecho pouco plano s\u00e3o fatores que reduzem o pre\u00e7o do terreno.<\/p>\n<h3>2- Rua Pedro Doll<\/h3>\n<p>De um modo geral, \u00e9 a \u00e1rea que abriga pr\u00e9dios de alto padr\u00e3o. \u201cEstas localidades t\u00eam um mercado bastante pungente no bairro\u201d, diz Constantino. H\u00e1 col\u00e9gios de qualidade e tradicionais, servi\u00e7os como academias, restaurantes e mercados, e hospitais.<\/p>\n<h3>3- Rua Alfredo Pujol<\/h3>\n<p>Segundo Constantino, a diferen\u00e7a aqui em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Marginal Tiet\u00ea \u00e9 o perfil da \u00e1rea, com maior concentra\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio local popular. \u201cN\u00e3o \u00e9 ruim. Por se tratar de um bairro bastante residencial, esses trechos costumam ter os estabelecimentos de servi\u00e7os e os moradores preferem morar ao redor desses espa\u00e7os.<\/p>\n<h3>4- Marginal Tiet\u00ea<\/h3>\n<p>Alguns elementos contribuem para o valor mais baixo da \u00e1rea, como a polui\u00e7\u00e3o e o tr\u00e2nsito, al\u00e9m de constru\u00e7\u00f5es degradadas, muitos estacionamentos e o com\u00e9rcio bem popular. \u201cSe a \u00e1rea tivesse pr\u00e9dios, o cen\u00e1rio poderia mudar\u201d, diz Constantino.<\/p>\n<h3>5- Esta\u00e7\u00e3o Carandiru<\/h3>\n<p>A mobilidade \u00e9 um atributo importante e faz a \u00e1rea ter o valor mais alto, de 9 014 reais. \u201cEstar perto do metr\u00f4, com uma grande \u00e1rea comercial e muito acesso, \u00e9 o que faz ser um trecho concorrido\u201d, explica Edivaldo Constantino, economista do DataZap. Outra caracter\u00edstica que influencia \u00e9 a proximidade com o Parque da Juventude.<\/p>\n<p><b>+<\/b><a href=\"https:\/\/abr.ai\/assine-vejasp\"><b>Assine a Vejinha a partir de 6,90<\/b><\/a><b>.<\/b><\/p>\n<p><b>Publicado em VEJA S\u00e3o Paulo de 17 de fevereiro de 2021, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 2725<\/b><\/p>\n<div id=\"relacionadas\" class=\"block related-posts three_columns\">\n<ul class=\"block-menu\">\n<li data-tab=\"tab-1\" class=\"active\">Relacionadas<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"tab-1\" class=\"block-content active\">\n<div class=\"row\">\n<li class=\"widget-news-item without-thumb with-border\">\n<div class=\"widget-news-info\"><a href=\"http:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\">Cidades<\/a><span class=\"widget-news-item-title\"><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/mooca-mooquensers-capa\/\">Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade<\/a><\/span><span class=\"widget-news-item-date\">30 out 2020 &#8211; 06h10<\/span><\/div>\n<\/li>\n<li class=\"widget-news-item without-thumb with-border\">\n<div class=\"widget-news-info\"><a href=\"http:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\">Cidades<\/a><span class=\"widget-news-item-title\"><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/capa-moemers\/\">Moemers: a conviv\u00eancia entre fam\u00edlia tradicional e mercado do sexo<\/a><\/span><span class=\"widget-news-item-date\">18 set 2020 &#8211; 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