{"id":61259,"date":"2023-02-26T15:23:51","date_gmt":"2023-02-26T18:23:51","guid":{"rendered":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/os-mooquensers-moradores-apaixonados-do-bairro-mais-bairrista-da-cidade\/"},"modified":"2020-10-30T08:53:42","modified_gmt":"2020-10-30T11:53:42","slug":"os-mooquensers-moradores-apaixonados-do-bairro-mais-bairrista-da-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/os-mooquensers-moradores-apaixonados-do-bairro-mais-bairrista-da-cidade\/","title":{"rendered":"Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<p><strong>Mooca<\/strong> \u00e9 Mooca e o resto \u00e9 bairro, m\u00eao. Quem mora em qualquer outro distrito paulistano pode estranhar o orgulho exacerbado, mas na \u201cporteira da Zona Leste\u201d, como dizem alguns moradores, o estranho \u00e9 n\u00e3o repetir as frases que estampam camisetas e decoram paredes de estabelecimentos do peda\u00e7o. Com dialeto, bandeira e time de futebol pr\u00f3prio, os <strong>mooquensers<\/strong> s\u00e3o facilmente identific\u00e1veis. O primeiro passo \u00e9 ver a cor da camisa: o gren\u00e1 do <strong>Clube Atl\u00e9tico Juventus<\/strong>. Importante manter 1,5 metro de dist\u00e2ncia: tamb\u00e9m pela Covid-19, mas para n\u00e3o ficar no caminho do gestual fren\u00e9tico que parece cosplay de italiano.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC_9839.jpg.jpg\" \/><figcaption>O letreiro na entrada do bairro: mooquensers apaixonados<span class=\"copyright\">Guilherme Queiroz\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Depois de algumas conversas, d\u00e1 para entender que nada \u00e9 for\u00e7ado, \u00e9 s\u00f3 um lugar cheio de identidade. \u201cFica tranquilo, bello! Voc\u00ea cresce no bairro, em uma tribo e acompanha o que todos fazem. \u00c9 da gente!\u201d, diz quase cantando Jo\u00e3o Romero, 65, que mora no peda\u00e7o desde que veio ao mundo. Ele \u00e9 um dos 96.393 moradores dos \u201c<strong>Estados Unidos da Mooca<\/strong>\u201d, espalhados em 12 milh\u00f5es de metros quadrados, entre sobradinhos e edif\u00edcios. Para os n\u00e3o iniciados, h\u00e1 v\u00e1rias Moocas, em um conflito interessante entre futuro e passado, inova\u00e7\u00e3o e conservadorismo.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/14.jpg\" \/><figcaption>A Mooca vista de cima: galp\u00f5es e pr\u00e9dios fazem parte do cen\u00e1rio<span class=\"copyright\">Guilherme Queiroz\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Nas ruas do bairro, galp\u00f5es tombados pelo patrim\u00f4nio hist\u00f3rico (mas infelizmente sem uso) e estabelecimentos octogen\u00e1rios contrastam com a Mooca que pulsa novidades. Na <strong>Rua Borges de Figueiredo<\/strong>, uma s\u00edntese desse momento. De um lado, a tradicional\u00edssima <strong>Di Cunto<\/strong>, fundada em 1935, e do outro, o <strong>restaurante Hospedaria<\/strong>, inaugurado em 2017, do chef <strong>Fellipe Zanuto<\/strong>, 34, que tamb\u00e9m comanda o caf\u00e9 do <strong>Museu da Imigra\u00e7\u00e3o<\/strong>, ali perto (outro item cultural que atrai quem \u00e9 de fora do bairro \u00e9 o <strong>teatro Arthur Azevedo<\/strong>).<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC_9793.jpg.jpg\" \/><figcaption>Restaurante com toque imigrante: Fellipe Zanuto no Hospedaria<span class=\"copyright\">Rog\u00e9rio Pallatta\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O chef faz parte de um projeto chamado <strong>Distrito Mooca<\/strong>. Na companhia de <strong>Jos\u00e9 Am\u00e9rico Crippa Filho<\/strong>, 48, o Tat\u00e1, eles investiram em uma \u00e1rea que antes era muito pouco atrativa. A empreitada come\u00e7ou em 2016 com o Hospedaria e, em 2018, Tat\u00e1 abriu ao lado o <strong>Cadillac BBQ<\/strong>, restaurante r\u00fastico que serve enormes pe\u00e7as de carne, tamb\u00e9m na Borges de Figueiredo. \u201cA Mooca \u00e9 um bairro tradicional e careta na gastronomia. Agora que est\u00e1 ficando mais jovial\u201d, diz Tat\u00e1, que recebia antes da pandemia 6.000 pessoas por m\u00eas. H\u00e1 poucos anos o trecho onde se localizam os empreendimentos era mal-iluminado e evitado pelos mooquensers. Uma das inspira\u00e7\u00f5es para o re\u00faso da regi\u00e3o foi o bairro <strong>Wynwood<\/strong>, de <strong>Miami<\/strong>, polo industrial transformado em galeria de arte a c\u00e9u aberto. \u201cJ\u00e1 me falaram: \u2018Quem essa molecada acha que \u00e9 para mudar nosso bairro? Vai trazer mais gente e criminalidade\u2019, mas s\u00f3 valorizou a regi\u00e3o\u201d, diz Zanuto, que nasceu na Mooca.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WhatsApp-Image-2020-10-29-at-16.20.43.jpeg\" \/><figcaption>M\u00f4nica Rodrigues (44) e Mozart Fernandes (49): arte vinda de Pinheiros<span class=\"copyright\">Rog\u00e9rio Pallatta\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A \u201cmolecada\u201d tatuada acabou atraindo tamb\u00e9m outros moderninhos para o bairro que se prendia ao passado. Dois minutos de caminhada bastam para chegar at\u00e9 um quarteir\u00e3o da <strong>Rua da Mooca<\/strong> que beira o <strong>Viaduto Professor Alberto Mesquita de Camargo<\/strong>. Em todo o \u201cprincipado\u201d, como os mooquensers gostam de chamar, d\u00e1 para topar com barbearias cool e caf\u00e9s de inspira\u00e7\u00e3o francesa. Os 35.000 metros quadrados entre o viaduto, a Rua Nilo Pe\u00e7anha e a Jo\u00e3o Ant\u00f4nio de Oliveira concentram espa\u00e7os como o est\u00fadio de tatuagem <strong>Paint Black Tattoo<\/strong>, A <strong>Pizza da Mooca<\/strong> (tamb\u00e9m de Zanuto), o <strong>Brech\u00f3 Bar<\/strong> e o est\u00fadio <strong>V\u00e9rtices Cenografia<\/strong>, mix de ateli\u00ea, espa\u00e7o para tattoo, design e bar, todos inaugurados nos \u00faltimos cinco anos e atrativos para a nova gera\u00e7\u00e3o do bairro e para quem vem de outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Quem domina o mesmo quarteir\u00e3o \u00e9 a <strong>MAX Arena<\/strong>, aberta em 2016 em um galp\u00e3o industrial. Ali, os apaixonados por <strong>games<\/strong> encontram 6.250 metros quadrados totalmente dedicados aos e-sports. O espa\u00e7o mescla arena para competi\u00e7\u00f5es, lan house gamer e est\u00fadios utilizados por gigantes do setor, como a desenvolvedora <strong>Ubisoft<\/strong>, que aluga ali 170 metros quadrados. \u201cA gente quer comprar todo o resto do quarteir\u00e3o, mais 7.000 metros quadrados. O pre\u00e7o estimado \u00e9 de 15 milh\u00f5es de reais\u201d, diz <strong>Vin\u00edcius Prado<\/strong>, propriet\u00e1rio, que investiu 2,7 milh\u00f5es durante a pandemia em novas instala\u00e7\u00f5es no endere\u00e7o. \u201cAcredito que daqui a cinco anos isso aqui pode virar algo como a <strong>Vila Nova Concei\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d, opina.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WhatsApp-Image-2020-10-29-at-16.20.43-2.jpeg\" \/><figcaption>Jo\u00e3o Lo R\u00e9, 59: \u201ctodo mundo tem direito de trabalhar, mas eles (Mercado Livre) n\u00e3o fizeram estudo de impacto\u201d<span class=\"copyright\">Rog\u00e9rio Pallatta\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Tamb\u00e9m interessado em investir na regi\u00e3o, <strong>Fernando Parrillo<\/strong>, 52, presidente da <strong>Prevent Senior<\/strong>, comprou a antiga <strong>F\u00e1brica da Cervejaria Antarctica<\/strong>, que est\u00e1 vazia desde 1995. \u201cAinda n\u00e3o h\u00e1 projetos concretos para o interior do pr\u00e9dio, mas a prioridade \u00e9 a restaura\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC_9053.jpg\" \/><figcaption>Fernando Parrillo, criador da Prevent: mooquenser ilustre compra a velha f\u00e1brica da Antarctica<span class=\"copyright\">Rog\u00e9rio Pallatta\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEu gostaria que n\u00e3o tivesse essa mudan\u00e7a. Sempre foi um bairro muito quieto\u201d, pontua Ana L\u00facia Rosa, do <strong>Programa Acolher<\/strong>, que atua na <strong>Mooca Baixa<\/strong>, peda\u00e7o mais degradado. Ela n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica saudosista. \u201cEu n\u00e3o costumo sair muito de casa, n\u00e3o vou a restaurantes, prefiro pegar o dinheiro e fazer um belo almo\u00e7o em fam\u00edlia!\u201d, diz Adriano Thomazetti, 46, torcedor do Juventus, claro. De filhos da Mooca que decidiram dar uma nova cara ao lugar aos que preferem fugir das mudan\u00e7as, em todos o bairrismo \u00e9 latente. \u201cQuando me perguntam de onde eu sou, n\u00e3o falo que sou de S\u00e3o Paulo. Encho a boca para falar que sou da Mooca\u201d, diz Daniel Martins, 42, que fechou as costas com tatuagens que representam o peda\u00e7o. \u201cA Mooca \u00e9 um bairro diferenciado de todos, \u00e9 a nossa Miami\u201d, afirma Cleverton Horta, da torcida organizada Ju-Jovem.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WhatsApp-Image-2020-10-29-at-16.20.42.jpeg\" \/><figcaption>Daniel Martins, 42: bairrismo na pele<span class=\"copyright\">Rog\u00e9rio Pallatta\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A paix\u00e3o fica escancarada na loja Di Mooca, que vende camisetas do Juventus na Rua Javari. Senhores de meia-idade portando correntinhas de metal nos pulsos e munidos de barrigas proeminentes adentram o endere\u00e7o para comprar a sexta ou s\u00e9tima camiseta do clube. Por ali as cole\u00e7\u00f5es costumam ter at\u00e9 quatro n\u00fameros acima do GG. \u201c\u00c9 o padr\u00e3o da Mooca\u201d, diverte-se Luiz Ribeiro, 57. Pode-se sair do uniforme-padr\u00e3o mooquenser e encontrar acess\u00f3rios para cachorros, chaveiros, canecas, body para beb\u00eas, camisetas com frases do tipo <em>Mooca \u00e9 Mooca<\/em> e adesivos, que estampam uma enorme frota de ve\u00edculos que circulam pelas ruas do bairro com o logo do Juventus. Talvez por Henrique Dias, 31, propriet\u00e1rio, e Luiz, pai do rapaz, sempre darem de brinde um colante ap\u00f3s uma compra. \u201cAqui \u00e9 normal o cara chegar antes de ir para o Aeroporto de Guarulhos, abre a mala, lota de camiseta e vai embora\u201d, diz Dias, que mant\u00e9m a cole\u00e7\u00e3o outono-inverno durante todo o ano, para atender os clientes que levam o Juventus para fora do pa\u00eds (tamb\u00e9m \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o tirar foto com a camisa ou a bandeira do clube pelo mundo e mand\u00e1-la para ser postada nas redes sociais de p\u00e1ginas dedicadas ao bairro).<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WhatsApp-Image-2020-10-29-at-16.20.44-3.jpeg\" \/><figcaption>Ricardo, Brex\u00f3 e Bianca, em frente ao Moocacycles<span class=\"copyright\">Rog\u00e9rio Pallatta\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Na Mooca, \u00e9 comum encontrar moradores que est\u00e3o na segunda ou na terceira gera\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia no peda\u00e7o, sem que ningu\u00e9m queira se mudar. \u201cVoc\u00ea est\u00e1 na fila da padaria. \u00c9 bom tomar cuidado para falar mal de algu\u00e9m, o cara de tr\u00e1s pode ser parente ou amigo\u201d, sintetiza Jos\u00e9 Ferreira Ant\u00f4nio, 79, publicit\u00e1rio, como se a Mooca fosse uma cidade do interior dentro de S\u00e3o Paulo. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o \u00e9 daqui, n\u00e9, bello?\u201d, ouve com frequ\u00eancia quem chega para viver na Mooca vindo de outro local da cidade, como se fosse um forasteiro de algum lugar long\u00ednquo.<\/p>\n<p>O outro pilar do bairrismo \u00e9 o futebol. Mas o que h\u00e1 de t\u00e3o especial no Juventus, clube que disputa a segunda divis\u00e3o do Campeonato Paulista? \u201cA nossa torcida \u00e9 fam\u00edlia. Tem muita mulher, crian\u00e7a. O ambiente \u00e9 gostoso\u201d, diz Antonio Ruiz Gonsalez, que reclama que a paix\u00e3o n\u00e3o se estende ao clube social, que passa por uma crise financeira, com a inadimpl\u00eancia de 70% dos s\u00f3cios. \u201c\u00c9 um clima de antigamente. Futebol raiz\u201d, diz Gustavo Almeida, 36, conselheiro do clube. E por falar em tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 imposs\u00edvel mencionar o bate-bola gren\u00e1 sem mencionar Ant\u00f4nio Garcia, 70, o seu Ant\u00f4nio. Desde os 10 anos de idade ele vende <strong>cannoli<\/strong>. \u201cO doce virou tradi\u00e7\u00e3o. Tem esposa que n\u00e3o deixa o marido ir ver o jogo se ele n\u00e3o levar uma bandejinha de cannoli\u201d, diz ele, que aguarda ansiosamente a volta da torcida ao est\u00e1dio.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WhatsApp-Image-2020-10-29-at-16.20.44.jpeg\" \/><figcaption>Antonio Ruiz Gonsalez, 79, presidente do Clube Juventus: &#8220;o s\u00f3cio s\u00f3 olha para o pr\u00f3prio umbigo\u201d<span class=\"copyright\">Guilherme Queiroz\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma das cr\u00edticas ao bairro, de quem consegue olhar al\u00e9m da paix\u00e3o, \u00e9 um inadequado conservadorismo. \u201cVoc\u00ea imagina um est\u00e1dio machista. A\u00ed voc\u00ea imagina a <strong>Javari<\/strong>, \u00e9 dez vezes mais. Principalmente os mais velhos\u201d, comenta Gustavo Almeida. \u201c\u00c9 um bairro conservador. Apontam para travestis nas ruas e eu tento explicar que \u00e9 gente como a gente\u201d, diz M\u00f4nica Rodrigues Fernandes, da V\u00e9rtices. Uma exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a <strong>drag queen<\/strong> Charlene Blue, que participa de eventos no clube. \u201cNunca sofri preconceito no bairro, nem com p\u00fablico da Javari\u201d, diz Charles Matias, 48, estilista que d\u00e1 vida a Charlene.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WhatsApp-Image-2020-10-29-at-16.20.44-1.jpeg\" \/><figcaption>Adriano Thomazetti, 46: \u201cA Javari n\u00e3o \u00e9 cannoli! \u00c9 jogo do Juventus!\u201d<span class=\"copyright\">Arquivo pessoal\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Para al\u00e9m da Javari, os embates do bairro costumam ter tamb\u00e9m outro endere\u00e7o certo: a Mooca Baixa, comumente vista com preconceito por quem vive nas \u00e1reas do bairro consideradas mais nobres. Espremida entre a <strong>Linha 10-Turquesa<\/strong> da <strong>CPTM<\/strong>, a Avenida Alc\u00e2ntara Machado e a Avenida do Estado, a regi\u00e3o \u00e9 evitada por quem mora do lado direito da linha do trem, onde ficam o Alto da Mooca e o Parque da Mooca. O peda\u00e7o ainda n\u00e3o deu sorte de conhecer uma iniciativa como o Distrito Mooca e acumula im\u00f3veis vazios, que acabam sendo utilizados como moradias prec\u00e1rias por sem-teto. \u201cNas atividades da igreja na parte da noite, pouqu\u00edssimas pessoas aparecem. Justamente pela falta de seguran\u00e7a. Tentaram invadir o sal\u00e3o da igreja durante a pandemia para fazer uma ocupa\u00e7\u00e3o\u201d, diz o padre Wellington dos Santos, da <strong>Par\u00f3quia de San Gennaro<\/strong>. A localidade concentra moradores de rua, usu\u00e1rios de drogas e imigrantes bolivianos e haitianos, que dividem teto com os brasileiros nas moradias irregulares. \u201cVim pra c\u00e1 h\u00e1 quatro anos. \u00c9 o lugar que a gente consegue viver\u201d, diz Kesta Petion, 45, que chegou do Haiti e mora no <strong>Tijolinho da Mooca<\/strong>, nome da ocupa\u00e7\u00e3o na tombada <strong>F\u00e1brica de Tecidos Labor<\/strong>, na Rua da Mooca, onde vivem irregularmente cerca de 3.000 pessoas.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\"><span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div id=\"abrAD_rectangle2\" class=\"abrAD\" data-ad-><\/div>\n<\/div>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WhatsApp-Image-2020-10-29-at-16.20.43-1.jpeg\" \/><figcaption>Giovania de Oliveira, 37, e os filhos Isaac, 5, Kemilly, 9, e Sofia, 7: \u201cj\u00e1 fui alvo de preconceito no pr\u00f3prio bairro.&#8221;<span class=\"copyright\">Rog\u00e9rio Pallatta\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo a Cognatis, a renda m\u00e9dia familiar na Mooca Baixa \u00e9 de cerca de 5.900 reais, enquanto do outro lado da ponte, o \u00edndice chega a 10.500 reais. A degrada\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pega no valor m\u00e9dio dos apartamentos. Uma unidade ali fica na m\u00e9dia dos 390.000 reais, j\u00e1 a parte nobre registra 673.000 reais.<\/p>\n<p><strong>+<a href=\"https:\/\/abr.ai\/assine-vejasp\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/abr.ai\/assine-vejasp&amp;source=gmail&amp;ust=1604030613173000&amp;usg=AFQjCNGoW-Vlfc8ORc-uB1AMEl3q4h-_ag\" rel=\"noopener noreferrer\">Assine a Vejinha a partir de 6,90<\/a><\/strong><\/p>\n<p>No <strong>\u00cdndice de Exposi\u00e7\u00e3o a Crimes Violentos<\/strong> do <strong>Instituto Sou da Paz<\/strong>, o 57\u00ba DP do Alto da Mooca fica em d\u00e9cimo na lista dos bairros mais seguros da cidade, com dados de junho de 2019. Levando-se em conta apenas a estat\u00edstica de crimes contra a vida, ou seja, homic\u00eddios e latroc\u00ednios, a regi\u00e3o \u00e9 uma das treze das 87 analisadas que n\u00e3o registraram nenhum crime do tipo. A Mooca Baixa \u00e9 de responsabilidade do 8\u00ba DP do <strong>Br\u00e1s<\/strong>, que figurou entre os dez piores \u00edndices de seguran\u00e7a da cidade no mesmo m\u00eas. Em crimes contra a vida, o DP fica como o segundo pior.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WhatsApp-Image-2020-10-29-at-16.20.44-2.jpeg\" \/><figcaption>Mois\u00e9s Ant\u00f4nio Naif, 50: \u201cSe os vereadores da Mooca trabalhassem, eu n\u00e3o teria tanto trabalho\u201d,<span class=\"copyright\">Rog\u00e9rio Pallatta\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEu j\u00e1 fui assaltada aqui umas cinco vezes\u201d, diz Neusa Gomes, 79. Curiosamente, a inseguran\u00e7a da regi\u00e3o est\u00e1 longe de afastar a idosa, que h\u00e1 quarenta anos \u00e9 volunt\u00e1ria na tradicional <strong>Festa de San Gennaro<\/strong>. \u201cMooca \u00e9 Mooca, e \u00e9 a minha casa! S\u00f3 penso em sair quando morrer!\u201d Ao contr\u00e1rio de alguns dos amigos de mais idade, \u00e9 fervorosamente a favor de condom\u00ednios no lugar de sobrados e galp\u00f5es. \u201cEu acho que, se fizessem mais edif\u00edcios aqui, ia melhorar muito\u201d, diz ela, que mora a 400 metros da par\u00f3quia. \u201cA maioria fica trabalhando na festa at\u00e9 morrer! Eu tenho uma amiga que morreu fazendo sardella durante a San Gennaro. Foi uma tristeza.\u201d<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/veja-sp-cards-horizontais-3-1.png\" \/><figcaption>Pura Mooca: Dona Neusa e seu Ant\u00f4nio, macarronada e cannoli<span class=\"copyright\">Rog\u00e9rio Pallatta\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>As incorporadoras at\u00e9 querem atender ao desejo de Dona Neusa, mas a legisla\u00e7\u00e3o ainda dificulta. Segundo o <strong>DataZAP<\/strong>, a Mooca tem uma taxa de verticaliza\u00e7\u00e3o (porcentagem de apartamentos em rela\u00e7\u00e3o ao total de im\u00f3veis) de 59%. Acima da m\u00e9dia da capital, de 28%, mas ainda perdendo para os vizinhos Br\u00e1s, com 68%, e <strong>Tatuap\u00e9<\/strong>, 62%. O gabarito m\u00e1ximo de altura para edif\u00edcios em boa parte do bairro \u00e9 de 28 metros. \u201cA Mooca tem boa infra-estrutura de transporte (metr\u00f4, esta\u00e7\u00e3o de trem, corredores de \u00f4nibus) e \u00e9 perto do centro. Ela ainda n\u00e3o est\u00e1 em todo o seu potencial\u201d, aponta Luiz Fran\u00e7a, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Incorporadoras Imobili\u00e1rias. \u201cVinte e oito metros \u00e9 um pr\u00e9dio de oito andares. Muito pouco. No final, o valor do condom\u00ednio fica mais caro. Isso precisa mudar.\u201d Parte do entorno da Paes de Barros \u00e9 o melhor peda\u00e7o para a constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios, afirma. Um projeto de lei da gest\u00e3o <strong>Fernando Haddad<\/strong> (PT) tramita vagarosamente na C\u00e2mara, e permitiria mais adensamento na regi\u00e3o pr\u00f3ximo ao Tamanduate\u00ed. \u201cDestravaria do ponto de vista do potencial construtivo\u201d, diz Fran\u00e7a.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WhatsApp-Image-2020-10-29-at-16.20.45.jpeg\" \/><figcaption>As varia\u00e7\u00f5es de pre\u00e7o na Mooca: metro quadrado mais barato \u00e9 o pr\u00f3ximo \u00e0 problem\u00e1tica Avenida do Estado<span class=\"copyright\">Rog\u00e9rio Pallata \/ Data Zap\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Enquanto parte da Mooca olha com certa inveja o enriquecimento do vizinho Tatuap\u00e9, discute-se a realiza\u00e7\u00e3o do seu enorme potencial, inclu\u00eddo o charme fabril, antes dos erros que criaram bairros gen\u00e9ricos. A nova Mooca ser\u00e1 mais parecida com a Rua dos Pinheiros ou Santa Cec\u00edlia, atraindo gente esperta da cidade e mantendo os jovens mooquensers no bairro? Ou vai ganhar condom\u00ednios-clube fechados, sem personalidade, como Barra Funda ou Ipiranga? \u201cO tr\u00e2nsito piorou muito\u201d, diz Gilberto Luizetto, do tradicional Giba\u2019s Bar. Aos 70 anos, ele toca o endere\u00e7o na Rua Javari, aberto pelo seu pai em 1964. \u201cA gente ama a Mooca, mas j\u00e1 estou cansado.\u201d Ele pretende passar o ponto por 150.000 reais. Ser\u00e1 que vem mais um est\u00fadio de tatuagem por a\u00ed?<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"DSC_9839.jpg Os Mooquensers: moradores apaixonados do bairro mais bairrista da cidade\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/capamooca.jpg\" \/><figcaption>&lt;span class=&quot;hidden&quot;&gt;&#8211;&lt;\/span&gt;<span class=\"copyright\">VejaSP\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><b><span>Publicado<\/span>\u00a0em\u00a0<span>VEJA<\/span> S\u00c3O PAULO de 4 de novembro de 2020, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 2711.<\/b><span>\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/\">LEIA MAIS<\/a><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/capa-moemers\/\">+ Moemers: a conviv\u00eancia entre fam\u00edlia tradicional e mercado do sexo<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/faria-lima-condado-mercado-financeiro\/\">+ Faria Limers: como \u00e9 o jeito de viver de quem trabalha no \u201ccondado\u201d<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/santa-ceciliers\/\">+ A modernidade nost\u00e1lgica dos santa ceciliers<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\"><span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div id=\"abrAD_rectangle3\" class=\"abrAD\" data-ad-><\/div>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/mooca-mooquensers-capa\/\">Fonte do Artigo <\/a><br \/>\nTags:<br \/>\n#loterias #loteriascaixa #megasena #resultadoapostas#noticias #noticiario  #noticia #brasil #noticiascolombia #mundo #esporte #colombia #noticiadeld #ltimasnoticias  #noticiario #noticiasregionales #noticiasdepartamentales #noticiashoy #esportes #noticiaahora #elinformantenoticias #noticiasdeboyac  #esporteinterativo #esportivo #diariodosesportes  #noticiero  #jogodefutebol #jogos #loto #apostas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mooca \u00e9 Mooca e o resto \u00e9 bairro, m\u00eao. Quem mora em qualquer outro distrito paulistano pode estranhar o orgulho exacerbado, mas na \u201cporteira da Zona Leste\u201d, como dizem alguns moradores, o estranho \u00e9 n\u00e3o repetir as frases que estampam camisetas e decoram paredes de estabelecimentos do peda\u00e7o. Com dialeto, bandeira e time de futebol [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":61260,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-61259","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curso-de-copy"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61259","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61259"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61259\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61260"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}