{"id":48650,"date":"2023-02-26T15:45:13","date_gmt":"2023-02-26T18:45:13","guid":{"rendered":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/o-arriscado-plano-do-governo-para-reativar-investimentos-em-infraestrutura\/"},"modified":"2020-04-22T20:46:35","modified_gmt":"2020-04-22T23:46:35","slug":"o-arriscado-plano-do-governo-para-reativar-investimentos-em-infraestrutura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/o-arriscado-plano-do-governo-para-reativar-investimentos-em-infraestrutura\/","title":{"rendered":"O arriscado plano do governo para reativar investimentos em infraestrutura"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div id=\"\">\n<p style=\"text-align:left;\">Numa Europa destro\u00e7ada pela Segunda Guerra Mundial, o nome de um general serviu de alcunha para o grande plano econ\u00f4mico de reconstru\u00e7\u00e3o do continente. Os aportes astron\u00f4micos dos <a href=\"http:\/\/veja.com\/noticias-sobre\/estados-unidos\"><strong>Estados Unidos<\/strong><\/a> para investimentos em infraestrutura no Velho Continente entre 1948 e 1952 laureou o general George Carlett Marshall como fiador da retomada da economia europeia com o <strong>Plano Marshall<\/strong>, para que o continente n\u00e3o ca\u00edsse nas m\u00e3os da amea\u00e7a vermelha vinda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Em meio \u00e0 pandemia do <strong><a href=\"http:\/\/veja.com\/noticias-sobre\/coronavirus\">coronav\u00edrus<\/a><\/strong> (<strong><a href=\"http:\/\/veja.com\/noticias-sobre\/covid-19\">Covid-19<\/a><\/strong>), em terras brasileiras, o plano do governo tamb\u00e9m passa pela atua\u00e7\u00e3o de um general: o ministro da Casa Civil, <a href=\"http:\/\/veja.com\/noticias-sobre\/walter-braga-netto\"><strong>Walter Braga Netto<\/strong><\/a>. Sob coordena\u00e7\u00e3o dele, em parceria com o ministro do Desenvolvimento Nacional, Rog\u00e9rio Marinho; Tarc\u00edsio Gomes de Freitas, da Infraestrutura; e a anu\u00eancia de <a href=\"http:\/\/veja.com\/noticias-sobre\/paulo-guedes\"><strong>Paulo Guedes<\/strong><\/a>, da Economia, o governo desenha um plano de investimentos para a acelera\u00e7\u00e3o da economia passado o pico do descalabro na sa\u00fade. A f\u00f3rmula n\u00e3o \u00e9 nova, e vai contra a filosofia de Guedes: investimento p\u00fablico em infraestrutura. VEJA conheceu o primeiro rascunho do plano: militaresco e intervencionista, com pitadas de ran\u00e7o pol\u00edtico. Parece ter sa\u00eddo diretamente dos anos 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">Segundo o desenho da frente formada para cimentar os caminhos p\u00f3s-crise causada pela Covid-19, uma das formas de retomar o crescimento econ\u00f4mico (ou mitigar os efeitos da epidemia) ser\u00e1 o investimento p\u00fablico em obras paradas. Para isso, os ministros desejam contar com pequenas e m\u00e9dias empreiteiras para destravar projetos de infraestrutura, como estradas, viadutos e projetos de saneamento. Assim, contrata\u00e7\u00f5es de at\u00e9 1 milh\u00e3o de trabalhadores podem surgir, segundo os c\u00e1lculos do Planalto. Na contram\u00e3o do que sempre defendeu o ministro da Economia, a solu\u00e7\u00e3o viria do pr\u00f3prio Estado \u2013 e de novos parceiros. V\u00e1rios entraves, por\u00e9m, colocam o \u201cPlano Braga Netto\u201d em xeque.<\/p>\n<div class=\"block_assine_posts\">\n<h2 class=\"title-assine\">ASSINE VEJA<\/h2>\n<figure id=\"attachment_3452213\" class=\"wp-caption alignnone  media-assine\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"3452213\" data-permalink=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/matheus-leitao\/satelite-revela-desmatamento-provocado-por-garimpeiros-em-area-indigena\/attachment\/capa-veja-2683-v-3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/04\/capa-veja-2683-v-2.jpg?quality=70&amp;strip=info\" data-orig-size=\"200,263\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Covid-19: Sem Mandetta, Bolsonaro faz mudan\u00e7a de risco nos planos\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/04\/capa-veja-2683-v-2.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=200\" data-large-file=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/04\/capa-veja-2683-v-2.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=200\" class=\"size-full wp-image-3452213\" src=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/04\/capa-veja-2683-v-2.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=200&amp;h=263\" border=\"0\"alt = \"capa-veja-2683-v-2 O arriscado plano do governo para reativar investimentos em infraestrutura\"title = \"[Tags]\" width=\"200\" height=\"263\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Reprodu\u00e7\u00e3o\" data-image-caption=\"A perigosa nova dire\u00e7\u00e3o do governo no combate ao coronav\u00edrus, as li\u00e7\u00f5es dos recuperados e o corrida por testes. Leia na edi\u00e7\u00e3o desta semana.\"\/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><span class=\"title\">Covid-19: Sem Mandetta, Bolsonaro faz mudan\u00e7a de risco nos planos<\/span> A perigosa nova dire\u00e7\u00e3o do governo no combate ao coronav\u00edrus, as li\u00e7\u00f5es dos recuperados e o corrida por testes. Leia na edi\u00e7\u00e3o desta semana.<\/figcaption><\/figure>\n<p><a href=\"https:\/\/www.assine.abril.com.br\/portal\/paginasEstaticas!showPromocao.action?&amp;codPromocao=sr_ve_land&amp;origem=sr_ve_materia_land&amp;utm_source=sites&amp;utm_medium=sr&amp;utm_campaign=sr_ve_materia_land\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Clique e Assine<\/a><\/div>\n<p style=\"text-align:left;\">Em detrimento \u00e0 \u201cDoutrina Guedes\u201d de redu\u00e7\u00e3o do tamanho do Estado e a busca incessante por investimento privado, a leitura de que a iniciativa privada e investidores estrangeiros n\u00e3o teriam o m\u00ednimo de estrutura ou interesse em investir, em curto prazo, em obras no Brasil \u00e9 correta. Diferentemente da vivenciada durante os anos de gest\u00e3o de <a href=\"http:\/\/veja.com\/noticias-sobre\/dilma-rousseff\"><strong>Dilma Rousseff<\/strong><\/a>, a atual crise acomete o mundo inteiro. O investimento p\u00fablico \u00e9 a \u00fanica alternativa para, passado o momento cr\u00edtico, o pa\u00eds pensar em mitigar a desacelera\u00e7\u00e3o da economia e o desemprego. Acossadas pelo impacto astron\u00f4mico dos gastos com os desamparados, desempregados e com o <a href=\"http:\/\/veja.com\/noticias-sobre\/sistema-unico-de-saude-sus\"><strong>Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)<\/strong><\/a>, por\u00e9m, a d\u00favida \u00e9: com que recursos o programa seria viabilizado? A d\u00edvida p\u00fablica passada a pandemia, segundo proje\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Economia, pode passar de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, caso a atividade econ\u00f4mica recue 5% neste ano, como projeta o Banco Mundial. Isso leva em considera\u00e7\u00e3o apenas os gastos j\u00e1 anunciados, que, at\u00e9 o momento, s\u00e3o considerados moment\u00e2neos \u2013 sem gerar sequelas para o futuro. Contudo, um plano amplo de retomada do investimento p\u00fablico geraria um impacto fiscal permanente, comprometendo v\u00e1rios anos subsequentes \u00e0 crise.<\/p>\n<section class=\"block newsletter  single-newsletter  light \">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<p>\n        <span class=\"description\">Saiba logo no in\u00edcio da manh\u00e3 as not\u00edcias mais importantes sobre a pandemia do coronavirus e seus desdobramentos. <strong> <span class=\"btn-newsletter-assine\"> Inscreva-se aqui <\/span><\/strong> para receber a nossa newsletter<\/span>\n      <\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align:left;\">O secret\u00e1rio do Tesouro, Mansueto Almeida, \u00e9 o homem dos c\u00e1lculos dentro do Minist\u00e9rio da Economia. Na ponta do l\u00e1pis, as mais novas contas do chefe dos cofres envolvem uma iniciativa em conjunto de diversas pastas do governo de <a href=\"http:\/\/veja.com\/noticias-sobre\/jair-bolsonaro\"><strong>Jair Bolsonaro<\/strong><\/a>, somando os gastos e mais gastos com o combate \u00e0 doen\u00e7a e seus impactos econ\u00f4micos. E \u2013 por que n\u00e3o? \u2013 tamb\u00e9m os impactos pol\u00edticos. Como o presidente v\u00ea inimigos at\u00e9 debaixo da cama, as velhas empreiteiras, conhecidas pelos brasileiros pelos esc\u00e2ndalos de gest\u00f5es passadas \u00e0 luz gra\u00e7as \u00e0 Lava-Jato, s\u00e3o carta fora do baralho. VEJA apurou que as construtoras enfrentam resist\u00eancia de membros do governo, pela associa\u00e7\u00e3o pret\u00e9rita \u00e0s gest\u00f5es petistas e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. <a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/economia\/braskem-esta-no-centro-de-uma-disputa-feroz-entre-petrobras-e-odebrecht\/\">A Odebrecht, por exemplo, enfrenta resist\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es vinculadas \u00e0 Uni\u00e3o para a aprova\u00e7\u00e3o de seu plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial<\/a>. Com avers\u00e3o \u00e0s \u201cempreiteiras vermelhas\u201d, o programa de investimentos do Governo Federal visaria contar com m\u00e9dias e pequenas construtoras que, gra\u00e7as ao Clube das Empreiteiras, nunca tiveram vez nas grandes licita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\"><span class=\"title\" style=\"display:block\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/div>\n<p style=\"text-align:left;\">Outro obst\u00e1culo para a viabilidade dos planos do governo \u00e9 que essas empresas maculadas, por falta de alternativa, s\u00e3o as \u00fanicas capazes de resolverem obras de grande magnitude. As pequenas e m\u00e9dias empreiteiras n\u00e3o possuem expertise, nem f\u00f4lego financeiro, para se aventurarem na Amaz\u00f4nia ou no Sert\u00e3o Nordestino. Uma rateada do caixa do governo para sustentar essas obras e uma quebradeira generalizada acontece.\u00a0Durante o primeiro ano de gest\u00e3o de Bolsonaro, os ministros Guedes e Tarc\u00edsio travaram um embate pelos contratos das empreiteiras. Enquanto Guedes queria rasgar todos os compromissos de empresas que firmaram acordos de leni\u00eancia, Tarc\u00edsio almeja revisar um por um e ver o que poderia ser aproveitado. A preocupa\u00e7\u00e3o de falta de estrutura colocaria em xeque a opera\u00e7\u00e3o dessas obras, sem a participa\u00e7\u00e3o das grandes empresas de infraestrutura do pa\u00eds, como quer Bolsonaro.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">Noutra frente, o ministro Paulo Guedes n\u00e3o desistiu de atrair o capital privado para o jogo. Numa transmiss\u00e3o ao vivo realizada pelo banco BTG na segunda-feira 20, o ministro voltou a defender que a recupera\u00e7\u00e3o vir\u00e1 pelo investimento privado e apelou ao Congresso pelo \u201cesp\u00edrito c\u00edvico\u201d de se aprovar as reformas estruturantes ao fim do momento cr\u00edtico enfrentado pelo pa\u00eds. Para al\u00e9m das reformas administrativa (que, de fato, abriria espa\u00e7o fiscal para que o governo engendrasse novos investimentos e fomentasse a economia) e tribut\u00e1ria, Guedes lamentou que o marco legal do saneamento b\u00e1sico n\u00e3o foi aprovado. E ele tem raz\u00e3o. A flexibiliza\u00e7\u00e3o de regras para o investimento em servi\u00e7os de \u00e1gua e esgoto por parte de empresas pode atrair aportes em contratos a longo prazo e viabilizar grandes obras sem um centavo do Tesouro. \u201cO ministro sabe que, como os projetos s\u00e3o a longo prazo, a atratividade para empresas estrangeiras \u00e9 muito maior\u201d, diz um secret\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Economia.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">Por fim, um problema conceitual. Um Plano Marshall dependeria de dinheiro estrangeiro. Como no p\u00f3s-guerra, os Estados Unidos financiaram a recupera\u00e7\u00e3o europeia \u2013 ou seja, n\u00e3o foi um plano interno, mas externo. Assim, para fazer sentido este conceito, o dinheiro para a revitaliza\u00e7\u00e3o das obras de infraestrutura precisaria vir do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, do Banco Mundial ou at\u00e9 mesmo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). E a\u00ed mora o problema fundamental do plano com cheiro de naftalina de Braga Netto. O dinheiro vir\u00e1 obrigatoriamente das m\u00e1quinas de imprimir instaladas na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. Ser\u00e1 o governo financiando o governo num grande calote branco que \u2013 principalmente aos olhos dos investidores estrangeiros \u2013 acende um sinal de alerta para um problema fiscal e inflacion\u00e1rio futuro. O milagre econ\u00f4mico dos anos 1970, baseado exatamente neste tipo de plano, n\u00e3o sobreviveu \u00e0 primeira crise internacional. O resultado foi a hiperinfla\u00e7\u00e3o e um gigantesco problema no balan\u00e7o de pagamentos do pa\u00eds. Como sa\u00edda para a crise atual, os militares sugerem exatamente o mesmo projeto. N\u00e3o h\u00e1 hist\u00f3rico ou teoria econ\u00f4mica que sustente a l\u00f3gica de implementar um programa como este.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/economia\/o-arriscado-plano-do-governo-para-reativar-investimentos-em-infraestrutura\/\">Fonte do Artigo<\/a><br \/>\nTags: <\/p>\n<p><a title=\"IBJE\" href=\"https:\/\/ibge.gov.br\/\">#IBJE<\/a> <a title=\"FGV\" href=\"https:\/\/portal.fgv.br\/\">#FGV<\/a> <a title=\"LOTOFACIL\" href=\"http:\/\/loterias.caixa.gov.br\/wps\/portal\/loterias\/landing\/lotofacil\/\">#LOTOFACIL<\/a> <a title=\"TINDER\" href=\"https:\/\/tinder.com\/?lang=pt-BR\">#TINDER<\/a> <a title=\"GMAILGOOGLE\" href=\"https:\/\/mail.google.com\">#GMAILGOOGLE<\/a> <a title=\"TIKTOK\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/pt_BR\/\">#TIKTOK<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa Europa destro\u00e7ada pela Segunda Guerra Mundial, o nome de um general serviu de alcunha para o grande plano econ\u00f4mico de reconstru\u00e7\u00e3o do continente. 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