{"id":43487,"date":"2023-02-26T14:56:18","date_gmt":"2023-02-26T17:56:18","guid":{"rendered":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/nao-se-trata-de-falta-de-dinheiro-mas-de-capacidade-de-acao\/"},"modified":"2020-02-11T21:29:30","modified_gmt":"2020-02-11T23:29:30","slug":"nao-se-trata-de-falta-de-dinheiro-mas-de-capacidade-de-acao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/nao-se-trata-de-falta-de-dinheiro-mas-de-capacidade-de-acao\/","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o se trata de falta de dinheiro, mas de capacidade de a\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<p>Todo ano a mesma hist\u00f3ria. Vem o ver\u00e3o e assistimos a um festival de inunda\u00e7\u00f5es. A cidade p\u00e1ra, casas desabam, pessoas morrem. As perdas materiais e humanas s\u00e3o incalcul\u00e1veis. A economia da cidade perde em efici\u00eancia. Por que isso acontece? <strong>Se o evento \u00e9 t\u00e3o repetitivo e previs\u00edvel, por que n\u00e3o nos prevenimos?<\/strong> De quem \u00e9 a responsabilidade? A cidade inunda quando o volume de \u00e1gua dos temporais supera a capacidade de vaz\u00e3o do leito dos rios. Numa imagem simplificada, \u00e9 como se despej\u00e1ssemos rapidamente um balde de 30 litros em uma pequena pia de 3 litros. O resultado \u00e9 \u00f3bvio: a pia transborda. Na escala urbana, o ralo, sif\u00e3o e cano exercem a mesma fun\u00e7\u00e3o dos nossos bueiros, galerias e rios, que s\u00e3o capazes de escoar apenas uma fra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do recipiente original.<\/p>\n<p>Como as nossas pias, <strong>a cidade se tornou uma grande capa imperme\u00e1vel, feita de concreto e asfalto.<\/strong> Como consequ\u00eancia, quando as tempestades de ver\u00e3o acontecem, grande parte da \u00e1gua precipitada n\u00e3o \u00e9 absorvida pelo solo. O grande volume das chuvas &#8211; que deveria ser distribu\u00eddo e absorvido pela superf\u00edcie de toda a cidade &#8211; acaba sendo escoado concentradamente para os vales dos rios. Cat\u00e1strofe anunciada. Todos os anos sofremos resignadamente as consequ\u00eancias da ina\u00e7\u00e3o: as enchentes.<\/p>\n<p>O que fazer? <strong>As alternativas de a\u00e7\u00e3o comp\u00f5em uma gama de possibilidades que vai desde grandes obras estruturais conduzidas pelo poder p\u00fablico at\u00e9 iniciativas pontuais e pulverizadas no \u00e2mbito das propriedades privadas.<\/strong> Piscin\u00f5es, redes de galerias e programas de dragagem comp\u00f5em o conjunto dos investimentos em obras estruturais de drenagem necess\u00e1rias para a condu\u00e7\u00e3o de vaz\u00f5es adequadas a receptores como c\u00f3rregos, rios, lagos e represas. Na met\u00e1fora da pia, tais obras corresponderiam a tentativas de aumentar o tamanho da bacia (pela via dos piscin\u00f5es) e de melhorar o escoamento do ralo e sif\u00e3o (por meio de galerias).<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas grandes problemas com esta escala de interven\u00e7\u00e3o urbana.<\/p>\n<p><strong>O volume das chuvas \u00e9 de tal ordem que n\u00e3o h\u00e1 obra p\u00fablica, por fara\u00f4nica que seja, capaz de conter a vaz\u00e3o assombrosa que os ambientes (mal) constru\u00eddos concentram<\/strong>, fen\u00f4meno agravado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Um segundo problema est\u00e1 associado \u00e0 incapacidade do poder p\u00fablico de conduzir obras p\u00fablicas de grande porte. Dados do or\u00e7amento da prefeitura, por exemplo, mostram que os recursos dispon\u00edveis para obras contra enchentes foram minimamente utilizados.<strong> N\u00e3o se trata, portanto, de falta de dinheiro, mas de capacidade de a\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o, que tem como complicador a regula\u00e7\u00e3o de compras p\u00fablicas, licita\u00e7\u00f5es e concess\u00f5es.<\/strong> Terceiro, uma vez realizadas as obras, a rede precisa de manuten\u00e7\u00e3o permanente. De nada nos serve uma rede hidr\u00e1ulica de escoamento abrangente se as bocas-de-lobo e rede de microdrenagem estiverem entupidas de lixo nos momentos de chuva.<\/p>\n<p>Que alternativa temos?<\/p>\n<p>Na outra ponta, as a\u00e7\u00f5es pulverizadas apontam para outra l\u00f3gica de gest\u00e3o das \u00e1guas. Tais a\u00e7\u00f5es teriam como foco iniciativas voltadas n\u00e3o para a melhoria do <i>escoamento<\/i> pluvial, mas para o aumento da capacidade de <i>reten\u00e7\u00e3o<\/i> da \u00e1gua em toda superf\u00edcie da cidade. O incentivo ao aumento de todo tipo de jardins, no ch\u00e3o, em paredes e sobre lajes; amplia\u00e7\u00e3o dos programas de arboriza\u00e7\u00e3o de ruas e jardins (que al\u00e9m de reter de \u00e1gua, contribuiria com captura de carbono e balanceamento h\u00eddrico por evapotranspira\u00e7\u00e3o); fomento da agricultura urbana em todos tipos de superf\u00edcie, horizontais e verticais; o est\u00edmulo ao uso de pavimentos e revestimentos porosos, em vias, cal\u00e7adas e empreendimentos imobili\u00e1rios &#8211; est\u00edmulo que, com o avan\u00e7o de novos materiais, poder\u00e1 tornar-se uma norma. <strong>Trata-se de mudan\u00e7a de paradigma: com essa a\u00e7\u00e3o constituir\u00edamos uma adequada infraestrutura verde e azul capilar e difusa, transformando a cidade numa esponja que aliviaria os sistemas de drenagem e reduziria a vaz\u00e3o sobre os rios.<\/strong> Numa outra figura de linguagem, estar\u00edamos colocando, por cima da nossa capa de chuva imperme\u00e1vel, uma manta de algod\u00e3o, que seguraria uma boa parte da chuva antes que ela ca\u00edsse no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Para que isso ocorra, uma grande coaliz\u00e3o de for\u00e7as de governo, de mercado e sociais \u00e9 necess\u00e1ria. Regula\u00e7\u00f5es modernas que incentivem a iniciativa individual nesta dire\u00e7\u00e3o e programas de educa\u00e7\u00e3o que contribuam para o surgimento de uma nova mentalidade entre cidad\u00e3os e agentes do mercado ser\u00e1 fundamental para que possamos reverter, em prazos at\u00e9 mais curtos, o quadro dram\u00e1tico das inunda\u00e7\u00f5es que nos atingem todos os anos.\u00a0 Exemplos a nos inspirar: o plano estrat\u00e9gico de Melbourne (2017-2021), cidade que, como n\u00f3s, enfrenta os desafios dos extremos de secas e enchentes.<\/p>\n<p>Max Weber dizia que o racionalismo do Ocidente busca <i>o controle <\/i>da natureza, enquanto a raz\u00e3o confucionista est\u00e1 orientada para a <i>adapta\u00e7\u00e3o<\/i> ao meio ambiente. Quem sabe aqui neste caso possamos congregar as duas abordagens, aprimorando as a\u00e7\u00f5es em ambas as vertentes.<\/p>\n<p><em><strong>Artigo produzido para VEJA S\u00c3O PAULO por<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Philip Yang, <\/strong>mestre em administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica pela Universidade Harvard e fundador do Urbem (Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metr\u00f3pole);\u00a0<strong>Milton Braga, <\/strong>s\u00f3cio fundador do MMBB, diretor do URBEM e professor do Departamento de Projeto da FAUUSP; e\u00a0<strong>Carlo Ratti, <\/strong>professor de planejamento e tecnologias urbanos e diretor do Senseable City Lab, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/nao-se-trata-de-falta-de-dinheiro-mas-de-capacidade-de-acao\/\">Fonte do Artigo <\/a><br \/>\nTags:<br \/>\n#loterias #loteriascaixa #megasena #resultadoapostas#noticias #noticiario  #noticia #brasil #noticiascolombia #mundo #esporte #colombia #noticiadeld #ltimasnoticias  #noticiario #noticiasregionales #noticiasdepartamentales #noticiashoy #esportes #noticiaahora #elinformantenoticias #noticiasdeboyac  #esporteinterativo #esportivo #diariodosesportes  #noticiero  #jogodefutebol #jogos #loto #apostas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo ano a mesma hist\u00f3ria. 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