{"id":39112,"date":"2023-02-26T15:35:45","date_gmt":"2023-02-26T18:35:45","guid":{"rendered":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/o-multiempreendedor-que-esta-mudando-a-quebrada-do-campo-limpo\/"},"modified":"2019-12-06T09:36:08","modified_gmt":"2019-12-06T11:36:08","slug":"o-multiempreendedor-que-esta-mudando-a-quebrada-do-campo-limpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/o-multiempreendedor-que-esta-mudando-a-quebrada-do-campo-limpo\/","title":{"rendered":"O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<p>Para chegar ao Campo Limpo, \u00e9 necess\u00e1rio cruzar uma ponte. De carro ou de \u00f4nibus, um caminho mais reto para quem vem da S\u00e9 (s\u00e3o cerca de 25 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia e pelo menos uma hora, com tr\u00e2nsito bom) passa pela Ponte Jo\u00e3o Dias. Para quem n\u00e3o \u00e9 dessa quebrada, por\u00e9m, a viagem costuma incluir uma travessia um tanto mais complicada, ainda que simb\u00f3lica. \u201c\u00c9 preciso sair da pregui\u00e7a social para definir como destino no Waze uma regi\u00e3o perif\u00e9rica\u201d, afirma Thiago Vin\u00edcius, empreendedor \u00e0 frente da Ag\u00eancia Popular Solano Trindade.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"thiagovinicius_solano_9.jpg O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilvejasp.files.wordpress.com\/2019\/12\/thiagovinicius_solano_9.jpg.jpg\" \/><figcaption>Mesa coletiva na ag\u00eancia localizada na Rua Batista Crespo<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Numa casa alugada na Rua Batista Crespo, 105, a poucos metros do terminal de \u00f4nibus da regi\u00e3o, ele e muitos amigos (coletivo \u00e9 a palavra de ordem) colocaram para funcionar um coworking, uma r\u00e1dio, uma venda de produtos org\u00e2nicos e, desde outubro, um restaurante. \u201cQuando falo do direito \u00e0 cidade, a gente quer que a galera venha aqui \u00e0 favela, e a gente quer andar nos Jardins sem parecer suspeito. A gente tamb\u00e9m gosta de cerveja artesanal e comida boa.\u201d<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"thiagovinicius_solano_9.jpg O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilvejasp.files.wordpress.com\/2019\/12\/040_vsa212_gastromotiva_david-b.jpg.jpg\" \/><figcaption>David Hertz, da Gastromotiva: programa de forma\u00e7\u00e3o para 24 alunos no Campo Limpo em 2020<span class=\"copyright\">Divulga\u00e7\u00e3o\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>No pr\u00f3ximo domingo (15), o maior evento da ag\u00eancia, o Festival Percurso, oferece bons motivos para reunir quem quer encurtar dist\u00e2ncias dentro da pr\u00f3pria cidade. Na sua sexta edi\u00e7\u00e3o, a Pra\u00e7a do Campo Limpo ser\u00e1 tomada por barraquinhas de 100 empreendedores da regi\u00e3o. \u201cNa quebrada, as pessoas viram empreendedoras por necessidade, porque o marido morreu ou algo assim. A gente mostra que \u00e9 poss\u00edvel transformar essa realidade e se aperfei\u00e7oar\u201d, defende Thiago. Em menos de oito horas, por WhatsApp, ele conseguiu o cadastro de todos os participantes. Nenhum deles paga para estar l\u00e1 \u2014 nem d\u00e1 parte de seus rendimentos \u00e0 Solano Trindade depois. \u201cMas todo mundo tem de vir aos encontros pra receber capacita\u00e7\u00e3o e n\u00e3o chegar mort\u00e3o ao festival.\u201d<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"thiagovinicius_solano_9.jpg O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilvejasp.files.wordpress.com\/2019\/12\/kondzillalm48.jpg.jpg\" \/><figcaption>Videomaker KondZilla dar\u00e1 uma palestra no Perifa Talks<span class=\"copyright\">Leo Martins\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Um dia antes, no s\u00e1bado (14), a empresa sedia o Perifa Talks, ciclo de palestras inspirado no modelo TED. Entre os convidados para falar sobre sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o est\u00e1 o videomaker KondZilla, filho de um pedreiro e uma funcion\u00e1ria p\u00fablica que cresceu na periferia do Guaruj\u00e1 e hoje \u00e9 dono de um dos canais de YouTube mais acessados do planeta. No palco principal, o cantor Rael \u00e9 uma atra\u00e7\u00e3o muito aguardada. \u201cPara mim, \u00e9 uma honra estar junto de quem sempre levou a cultura para a quebrada. Como o acesso \u00e9 gratuito, muitas fam\u00edlias podem ir. Tem crian\u00e7a que vai ver pela primeira vez um show l\u00e1\u201d, afirma Rael.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"thiagovinicius_solano_9.jpg O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilvejasp.files.wordpress.com\/2019\/12\/thiagovinicius_solano_10.jpg.jpg\" \/><figcaption>QuebradaCast, na R\u00e1dio Mixtura: \u201cA economia \u00e9 uma bandeira de luta\u201d, diz Thiago Vin\u00edcius<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>No setor gastron\u00f4mico, a participa\u00e7\u00e3o mais famosa \u00e9 da chef Bel Coelho, que conheceu Thiago Vin\u00edcius durante uma mesa sobre a cadeia dos alimentos. \u201cEle me corrigiu, disse que a periferia queria, sim, comer melhor\u201d, lembra Bel. Para este ano, ela planeja dar uma aula aberta sobre aproveitamento total dos ingredientes. \u201cTento pensar em receitas que aumentem o repert\u00f3rio de quem pode trabalhar cozinhando. Provavelmente, vou usar pancs, as plantas aliment\u00edcias n\u00e3o convencionais.\u201d Um card\u00e1pio que poderia estar na Vila Madalena, onde funciona o seu restaurante Clandestino, mas, gra\u00e7as \u00e0 ponte de Thiago, estar\u00e1 no Campo Limpo.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"thiagovinicius_solano_9.jpg O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilvejasp.files.wordpress.com\/2019\/12\/46399784392_9068b63afc_o.jpg.jpg\" \/><figcaption>Festival Percurso 2018: edi\u00e7\u00e3o deste ano ter\u00e1 100 empreendedores reunidos<span class=\"copyright\">Jos\u00e9 C\u00edcero da Silva\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Tal habilidade de transitar entre universos separados por um precip\u00edcio de desigualdades econ\u00f4micas e preconceitos revela um pouco da trajet\u00f3ria incomum de Thiago. Nascido no Campo Limpo, ele passou parte da inf\u00e2ncia no Jardim S\u00e3o Marcos, em Embu, junto ao Pirajussara \u2014 \u00e1rea constantemente sujeita a enchentes. \u201cLembro de brincar de esconde-esconde e levar bronca da galera do tr\u00e1fico. N\u00e3o era para correr porque eles achavam que era a pol\u00edcia chegando.\u201d Em 1998, aos 8 anos, entrou para o Projeto Arrast\u00e3o, mais importante para a sua forma\u00e7\u00e3o humana do que a Escola Estadual Presidente Kennedy, na sua opini\u00e3o. L\u00e1, desenvolveu um projeto de coleta seletiva e educa\u00e7\u00e3o ambiental que foi escolhido, em 2004, pela aceleradora Artemisia. \u201cAos 15 anos, tive a oportunidade de implantar e coordenar esse projeto\u201d, recorda. \u201cCom os primeiros 600 reais que ganhei, bati a laje da casa da minha m\u00e3e. \u00c9 um s\u00edmbolo de status positivo para ela, mostra que seus filhos est\u00e3o trabalhando em prol da fam\u00edlia.\u201d Seus colegas sentiam a mesma provoca\u00e7\u00e3o para contribuir com dinheiro em casa, mas Thiago acabou encontrando outras formas de faz\u00ea- lo. \u201cOs caras diziam que eu vivia andando pra cima e pra baixo com um monte de papel. Depois daquela laje, vi que podia ganhar dinheiro com os pap\u00e9is que tinha na m\u00e3o.\u201d<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"thiagovinicius_solano_9.jpg O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilvejasp.files.wordpress.com\/2019\/12\/thiagovinicius_solano_12.jpg.jpg\" \/><figcaption>Organicamente Armaz\u00e9m: hortali\u00e7as direto dos produtores<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em pouco tempo, por\u00e9m, o contexto das ONGs n\u00e3o atendia mais ao horizonte do rapaz. \u201cDepois que assisti ao filme <em>Quanto Vale ou \u00c9 por Quilo?<\/em>, comecei a pensar na mercantiliza\u00e7\u00e3o da pobreza do terceiro setor. Vi que as organiza\u00e7\u00f5es se aproveitavam da fome das pessoas, n\u00e3o queriam acabar com ela. Foi quando conheci a Uni\u00e3o Popular de Mulheres e a for\u00e7a do empreendedorismo raiz, que vinha de um grupo de m\u00e3es que n\u00e3o tinham para onde correr e se associavam para se ajudar.\u201d Ali, um de seus projetos de maior visibilidade ganhou corpo: o Banco Comunit\u00e1rio Uni\u00e3o Sampaio. Com 20 000 reais arrecadados em uma vaquinha virtual, em 2012, o banco passou a oferecer microempr\u00e9stimos a moradores da regi\u00e3o. \u201cEu era analista de cr\u00e9dito, visitava a casa das pessoas e via que 70% dos pedidos eram para comprar comida\u201d, contabiliza. Para as pessoas nessas condi\u00e7\u00f5es delicadas, o empr\u00e9stimo era feito sem juros, na moeda sampaio \u2014 lastreada no real, mas v\u00e1lida somente no com\u00e9rcio local. \u201c\u00c9 um jeito de dar um oxig\u00eanio para a pessoa e estimular o consumo dentro da nossa comunidade, movimentar a economia da periferia.\u201d<\/p>\n<p>A dedica\u00e7\u00e3o aos movimentos sociais e de transforma\u00e7\u00e3o das \u00e1reas mais marginalizadas da cidade em muitos momentos andou junto com batalhas \u00edntimas. Em 2011, seu irm\u00e3o mais novo, Andr\u00e9, foi morto. \u201cEle foi fazer um assalto a banco. Ele n\u00e3o estava certo. Mas a pol\u00edcia deu onze tiros nele. Ele tinha de estar na pris\u00e3o, n\u00e3o no cemit\u00e9rio\u201d, diz Thiago. \u201cFoi para defender a juventude negra e pobre do exterm\u00ednio que fizemos o Projeto Redes, que culminou no primeiro Festival Percurso. A gente queria oferecer forma\u00e7\u00e3o e oportunidade pra chegar primeiro que o fuzil \u00e0 vida do jovem.\u201d O mesmo sentimento de inconformidade pessoal impulsionou o trabalho coletivo na ag\u00eancia, fundada em 2012 e batizada em homenagem ao poeta pernambucano Solano Trindade (1908-1974). Na 31\u00aa Bienal, de 2014, cujo tema questionava como falar das coisas que n\u00e3o existiam, eles foram convidados a participar dos saraus. A programa\u00e7\u00e3o inclu\u00eda exibi\u00e7\u00f5es de \u00edndios guaranis e m\u00fasicas de terreiros e contou com um manifesto: \u201cSim! N\u00f3s somos a cidade! A periferia, que est\u00e1 em todo lugar, \u00e9 a arte de toda parte. As culturas tradicionais e perif\u00e9ricas se irmanam para uma uni\u00e3o que legitima a ancestralidade e celebra a contemporaneidade, presente em quem sente aquele friozinho na barriga quando o Marco Pez\u00e3o (<em>cofundador da Cooperifa, que morreu em outubro em decorr\u00eancia de um c\u00e2ncer<\/em>) grita: \u2018N\u00f3is \u00e9 ponte e atravessa qualquer rio\u2019&#8221;.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"thiagovinicius_solano_9.jpg O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilvejasp.files.wordpress.com\/2019\/12\/cartaz-visionacc81rios-da-quebrada_jpeg.jpg.jpg\" \/><figcaption>Document\u00e1rio Vision\u00e1rios da Quebrada, de Ana Carolina Martins<span class=\"copyright\">Reprodu\u00e7\u00e3o\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Lan\u00e7ado no ano passado, o document\u00e1rio <em>Vision\u00e1rios da Quebrada,<\/em> dirigido por Ana Carolina Martins, busca retratar alguns desses agentes de transforma\u00e7\u00e3o que atuam hoje em dia. \u201cO Campo Limpo, toda a Zona Sul, \u00e9 um polo de inova\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica. \u00c9 um ecossistema fortalecido, com muitos projetos e lideran\u00e7as\u201d, argumenta Ana. \u201cO Thiago \u00e9 como se fosse um tradutor local. Mas, por ser um personagem mais conhecido, preferimos retratar quem ainda era mais invis\u00edvel. Entrevistamos o Tony Marlon, que empreende o projeto de comunica\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o Historiorama, no Campo Limpo.\u201d Nascida no Cap\u00e3o Redondo, a cineasta tamb\u00e9m disponibiliza o filme para sess\u00f5es gratuitas, como forma de estimular di\u00e1logos sobre o tema. \u201cAcredito que as transforma\u00e7\u00f5es v\u00eam das margens, n\u00e3o podem vir de quem n\u00e3o tem a viv\u00eancia local\u201d, diz a diretora.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"thiagovinicius_solano_9.jpg O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilvejasp.files.wordpress.com\/2019\/12\/bat7045.jpg.jpg\" \/><figcaption>Sal\u00e3o nos fundos da Ag\u00eancia Solano Trindade: cobertura de bioconstru\u00e7\u00e3o com bambu<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Polo cultural na \u00e1rea que recebeu 441 000 visitantes s\u00f3 neste ano, o Sesc Campo Limpo p\u00f4s em cartaz de junho a setembro a exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica <em>Ver\/Olhar,<\/em> de Gal Oppido. Durante dois meses, acompanhado por Suzi Aguiar e Binho Padial, do Sarau do Binho \u2014 que tamb\u00e9m tem presen\u00e7a confirmada no Percurso 2019 \u2014, Oppido andou pela regi\u00e3o do Campo Limpo para registrar, com um celular, seus personagens. \u201cAlguns paulistanos ainda n\u00e3o entenderam, mas esse grupo que est\u00e1 se revelando agora diz \u2018nossa cidade \u00e9 essa\u2019 \u201d, acredita o fot\u00f3grafo e m\u00fasico, um dos fundadores do Grupo Rumo. Na capa do folheto da mostra, atr\u00e1s de uma janela curiosamente grafitada como uma televis\u00e3o, aparece segurando uma xicrinha de caf\u00e9 Cleonice Maria, a Tia Nice, como \u00e9 conhecida a m\u00e3e de Thiago Vin\u00edcius. Hoje, ela \u00e9 a cozinheira respons\u00e1vel pelo Organicamente Rango, restaurante rec\u00e9m-inaugurado no fundo da ag\u00eancia. No sal\u00e3o, de cobertura de bambu feita com t\u00e9cnicas de bioconstru\u00e7\u00e3o e paredes grafitadas, as mesas de pl\u00e1stico s\u00e3o servidas com pratos como nhoque de mandioca e PF de peixe frito (20 reais cada um). \u201cQuero comprar um cilindro de massa de pastel el\u00e9trico, mas agora ainda n\u00e3o d\u00e1\u201d, pondera Nice. Nos eventos do filho, ela costuma oferecer uma vers\u00e3o diferente de pastel, recheada de pancs. \u201cCom o cilindro, vou poder testar uma massa sem gl\u00faten nem lactose, como as pessoas pedem nos eventos.\u201d<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"thiagovinicius_solano_9.jpg O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilvejasp.files.wordpress.com\/2019\/12\/whatsapp-image-2019-11-29-at-19.08.34.jpeg.jpg\" \/><figcaption>Tia Nice e a sua feijoada: vers\u00e3o tradicional e vegetariana, com ingredientes org\u00e2nicos<span class=\"copyright\">Alexandre Battibugli\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Para cuidar da fam\u00edlia, ela trabalhou como empregada dom\u00e9stica e manicure. Mas foi a boa m\u00e3o para os temperos que guiou os rumos gastron\u00f4micos da fam\u00edlia. Nice \u00e9 quem cuida de uma pequena horta no quintal e seleciona os produtos do Organicamente Armaz\u00e9m, que funciona na garagem desde 2017. \u201cO conceito de deserto alimentar na periferia \u00e9 muito forte. Conseguimos conversar direto com os produtores de Tabo\u00e3o da Serra e Parelheiros para que eles nos abastecessem antes de seguir para os bairros mais centrais\u201d, completa Thiago. Toda semana rola a feijoada da Tia Nice, que j\u00e1 foi contratada para eventos como a festa de fim de ano do Greenpeace. Na vers\u00e3o tradicional (25 reais o prato, 35 reais a cumbuca m\u00e9dia e 50 reais a grande) entram carne \u00adseca, paio, lingui\u00e7a calabresa, costelinha e lombo de porco. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma op\u00e7\u00e3o vegetariana (pelo mesmo pre\u00e7o), feita com abobrinha, cenoura, vagem e cogumelo shimeji. \u201cO segredo \u00e9 deixar tudo <em>al dente<\/em>\u201d, entrega Nice.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"thiagovinicius_solano_9.jpg O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilvejasp.files.wordpress.com\/2019\/12\/15350152681_45760f0251_o.jpg.jpg\" \/><figcaption>Ballet Cap\u00e3o Cidad\u00e3o em apresenta\u00e7\u00e3o na 31\u00aa Bienal, em 2014<span class=\"copyright\">Leo Eloy\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O prato \u00e9 um dos favoritos de Thiago e da esposa, Fernanda Mour\u00e3o. Eles moram num apartamento perto dali junto com a filhinha Maria Flor, de quase 2 anos, e Martin, o chow\u00ad chow batizado em homenagem a Martin Luther King, ganhador do Pr\u00eamio Nobel da Paz. Entre os amigos da fam\u00edlia est\u00e1 David Hertz, da ONG Gastromotiva, que oferece cursos de capacita\u00e7\u00e3o a quem quer empreender no universo da comida. \u201cEm 2004, conheci o Thiago na Artemisia. Ele me mostrou quem era o jovem da comunidade\u201d, lembra Hertz. \u201cPercebi que era fundamental a Gastromotiva sair das universidades e ir para os territ\u00f3rios. Estamos desenhando h\u00e1 tr\u00eas anos um projeto piloto com a Ag\u00eancia Popular Solano Trindade, que vai sair em 2020.\u201d O momento agora \u00e9 de captar parceiros para viabilizar a escola \u2014 para atender uma turma de 24 pessoas, o investimento previsto \u00e9 de 56 000 reais. \u201c\u00c9 um desafio conseguir os profissionais que topem se deslocar at\u00e9 o Campo Limpo para dar aula. Fica mais f\u00e1cil quando estamos dentro de uma faculdade, mas \u00e9 preciso levar as inova\u00e7\u00f5es para a base da pir\u00e2mide, mostrar que a gastronomia pode trazer resultado financeiro e que um prato vegano n\u00e3o tem de ser gourmetizado, pode ser para todos\u201d, completa Hertz. Enquanto a escola n\u00e3o sai do papel, o maior sonho de Thiago \u00e9 ver o restaurante decolar. \u201cUm dia a gente ainda vai estar no COMER &amp; BEBER da <strong>Vejinha<\/strong>\u201d.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"thiagovinicius_solano_9.jpg O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilvejasp.files.wordpress.com\/2019\/12\/whatsapp-image-2019-12-04-at-14.45.13.jpeg.jpg\" \/><figcaption>Cartaz do festival deste ano: enfoque art\u00edstico contra a marginaliza\u00e7\u00e3o<span class=\"copyright\">Reprodu\u00e7\u00e3o\/Veja SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h3>FESTIVAL PERCURSO 2019<\/h3>\n<p><em>Veja algumas das principais atra\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<p><strong>S\u00c1BADO (14) <\/strong><\/p>\n<p><em>PERIFA TALKS <\/em><\/p>\n<p>No modelo das palestras TED, o encontro recebe oito conferencistas, entre eles o produtor KondZilla, para abordar assuntos como projetos de neg\u00f3cios, sa\u00fade mental, protagonismo feminino e empreendedorismo negro.<em> Rua Batista Crespo, 105, Campo Limpo. S\u00e1bado (14), a partir das 10h. Ingressos distribu\u00eddos uma hora antes. Gr\u00e1tis.<\/em><\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"thiagovinicius_solano_9.jpg O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilvejasp.files.wordpress.com\/2019\/12\/31518814697_f2529ba325_o.jpg.jpg\" \/><figcaption>Festival ter\u00e1 aula de gastronomia da chef Bel Coelho<span class=\"copyright\">Nilson\/Ag\u00eancia Solano Trindade\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>DOMINGO (15)<\/strong><\/p>\n<p><em>BEL COELHO<\/em><\/p>\n<p>No restaurante sazonal Clandestino, a chef apresenta sofisticados menus degusta\u00e7\u00e3o. Para o Percurso, ela prepara uma aula sobre aproveitamento integral dos alimentos. \u201cSe n\u00e3o furarmos a bolha, n\u00e3o vamos conseguir uma sociedade mais igual\u201d, afirma Bel.<\/p>\n<figure><img title = \"[Tags]\"alt = \"thiagovinicius_solano_9.jpg O multiempreendedor que est\u00e1 mudando a quebrada do Campo Limpo\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilvejasp.files.wordpress.com\/2019\/12\/joacc83o-wainer_rael011-3.jpg.jpg\" \/><figcaption>Nome forte do rap paulistano, o cantor Rael ir\u00e1 se apresentar no festival<span class=\"copyright\">Joa\u0303o Wainer\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>RAEL<\/em><\/p>\n<p>Nome forte do rap paulistano, o cantor, que acaba de lan\u00e7ar Capim-Cidreira, toca no palco principal faixas como S\u00f3 Ficou o Cheiro e Flor de Aruanda. \u201cEventos na quebrada s\u00e3o os melhores eventos. As crian\u00e7as que s\u00e3o f\u00e3s tamb\u00e9m podem ir\u201d, diz Rael. <em>Pra\u00e7a do Campo Limpo. Domingo (15), a partir das 10h. Entrada gr\u00e1tis.<\/em><\/p>\n<p><b>Publicado em VEJA S\u00c3O PAULO de 11 de dezembro de 2019, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 2664.<\/b><\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/capa-empreendedor-campo-limpo\/\">Fonte do Artigo <\/a><br \/>\nTags:<br \/>\n#loterias #loteriascaixa #megasena #resultadoapostas#noticias #noticiario  #noticia #brasil #noticiascolombia #mundo #esporte #colombia #noticiadeld #ltimasnoticias  #noticiario #noticiasregionales #noticiasdepartamentales #noticiashoy #esportes #noticiaahora #elinformantenoticias #noticiasdeboyac  #esporteinterativo #esportivo #diariodosesportes  #noticiero  #jogodefutebol #jogos #loto #apostas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para chegar ao Campo Limpo, \u00e9 necess\u00e1rio cruzar uma ponte. 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