{"id":21935,"date":"2023-02-26T15:14:17","date_gmt":"2023-02-26T18:14:17","guid":{"rendered":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/empresas-usam-justica-para-sair-da-lista-suja-do-trabalho-escravo\/"},"modified":"2019-06-17T15:47:20","modified_gmt":"2019-06-17T18:47:20","slug":"empresas-usam-justica-para-sair-da-lista-suja-do-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/empresas-usam-justica-para-sair-da-lista-suja-do-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"Empresas usam Justi\u00e7a para sair da \u201clista suja\u201d do trabalho escravo"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<p>Rio de Janeiro \u2014 Grandes empresas no Brasil est\u00e3o usando medidas liminares na <a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/justica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Justi\u00e7a<\/strong> <\/a>para evitar sua inclus\u00e3o na &#8220;lista suja&#8221; do trabalho escravo no pa\u00eds. De acordo com procuradores e ju\u00edzes, a pr\u00e1tica enfraqueceu uma ferramenta importante para impedir que empresas lucrem com o <a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/trabalho-escravo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>trabalho escravo<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Doze empresas que, segundo o governo, est\u00e3o envolvidas com o trabalho escravo, foram \u00e0 Justi\u00e7a para suspender a inclus\u00e3o na lista enquanto recorrem da decis\u00e3o, conforme revelaram registros obtidos exclusivamente pela Thomson Reuters Foundation.<\/p>\n<p>De acordo com especialistas, as empresas inclu\u00eddas na lista n\u00e3o podem receber empr\u00e9stimos de bancos p\u00fablicos e sofrem restri\u00e7\u00f5es em suas vendas. A lista tamb\u00e9m \u00e9 usada por bancos privados para medir o risco de cr\u00e9dito e por compradores internacionais preocupados com suas cadeias de suprimentos.<\/p>\n<p>Se, ap\u00f3s dois anos, a empresa conseguir demonstrar que tomou medidas para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, ela \u00e9 removida da lista, que atualmente inclui cerca de 186 empresas e indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>A JBS Aves, uma unidade da maior empresa de processamento de carnes do mundo, a <a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/jbs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>JBS<\/strong><\/a>, a gigante dos sucos de laranja Citrosuco e a marca de moda F\u00e1bula Confec\u00e7\u00e3o e Com\u00e9rcio de Roupas estavam entre as 12 empresas que usaram a pr\u00e1tica atrav\u00e9s de uma solicita\u00e7\u00e3o feita por meio da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outras empresas inclu\u00edam a Rumo Malha Paulista, uma empresa de log\u00edstica, e a Spal Ind\u00fastria Brasileira de Bebidas, uma fabricante local da Coca-Cola. Todas as empresas que recorreram \u00e0 Justi\u00e7a, de acordo com a solicita\u00e7\u00e3o, afirmaram que nunca usaram trabalho escravo e que sua inclus\u00e3o foi um erro.<\/p>\n<p>\u00c9 a primeira vez que estes n\u00fameros s\u00e3o divulgados, mas n\u00e3o \u00e9 claro o n\u00famero total de medidas liminares relacionadas \u00e0 escravid\u00e3o concedidas nos \u00faltimos 15 anos.<\/p>\n<div class=\"widget-news widget-box no-margin no-border\"><span class=\"widget-news-title content-box-title\">Veja tamb\u00e9m<\/span><\/p>\n<ul class=\"widget-news-list\">\n<li class=\"widget-news-item without-thumb with-border\">\n<div class=\"widget-news-info\"><a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/brasil\">BRASIL<\/a><span class=\"widget-news-item-title\"><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/brasil\/brasil-tem-187-empresas-que-praticam-trabalho-escravo-diz-governo\/\">Brasil tem 187 empregadores que praticam trabalho escravo, diz governo<\/a><\/span><span class=\"widget-news-item-date\">3 abr 2019 &#8211; 18h04<\/span><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>Embora n\u00e3o tenha havido suspeita de irregularidade por parte das empresas, de acordo com a procuradora do trabalho Catarina von Zuben, \u00e9 prov\u00e1vel que mais empresas descobertas usando trabalho escravo sigam o exemplo e busquem medidas liminares para evitar ficar dois anos no limbo e ter que mostrar melhorias.<\/p>\n<p>&#8220;Quem tem vastos recursos econ\u00f4micos para bancar grandes advogados sai na frente&#8221;, disse von Zuben, titular da Coordenadoria Nacional de Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo no Brasil (Conaete), uma rede que inclui v\u00e1rios procuradores do trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;Eu, como uma compradora internacional, estaria bem preocupada&#8221;, disse ela, referindo-se ao fato de que as medidas liminares fazem com que algumas empresas nunca sejam expostas publicamente em raz\u00e3o de descobertas relacionadas ao trabalho escravo.<\/p>\n<p>A Secretaria do Trabalho, respons\u00e1vel pela &#8220;lista suja&#8221;, negou um pedido de entrevista sobre as revela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00e3o, a secretaria afirmou que as medidas liminares s\u00e3o decis\u00f5es judiciais que ser\u00e3o cumpridas &#8220;sem ju\u00edzo de valor sobre cada uma delas&#8221;.<\/p>\n<p>Um fiscal do trabalho, que se manifestou de forma an\u00f4nima por n\u00e3o estar autorizado a falar com a m\u00eddia, disse que acha que essas decis\u00f5es da Justi\u00e7a minam o trabalho do seu departamento.<\/p>\n<p>&#8220;Fiscais do trabalho sabem que uma empresa grande pode n\u00e3o entrar &#8230; e se entrar, vai ficar s\u00f3 um curto per\u00edodo.&#8221;<\/p>\n<h3>Negocia\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>No Brasil, a escravid\u00e3o \u00e9 definida como trabalho for\u00e7ado, mas tamb\u00e9m inclui escravid\u00e3o por d\u00edvida, condi\u00e7\u00f5es de trabalho degradantes, horas excessivas que representem risco \u00e0 sa\u00fade e trabalho em viola\u00e7\u00e3o \u00e0 dignidade humana.<\/p>\n<p>Cerca de 370.000 pessoas no Brasil, um pa\u00eds com uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 210 milh\u00f5es, s\u00e3o escravos modernos, de acordo com o \u00cdndice Global de Escravid\u00e3o do grupo de direitos humanos australiano Walk Free Foundation.<\/p>\n<p>A &#8220;lista suja&#8221; foi lan\u00e7ada em 2004 e foi reconhecida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) como uma ferramenta chave no combate \u00e0 escravid\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Algumas das 12 empresas que conseguiram medidas liminares disseram que n\u00e3o acreditam que as condi\u00e7\u00f5es enfrentadas por seus trabalhadores fossem de escravid\u00e3o; outras disseram que n\u00e3o podiam ser responsabilizadas, j\u00e1 que os trabalhadores n\u00e3o eram empregados diretamente por elas, mas por seus fornecedores.<\/p>\n<p>Em seus pedidos de liminar, v\u00e1rias das empresas disseram n\u00e3o ter tido assegurado seu direito de contestar a decis\u00e3o inicial, e que sua inclus\u00e3o na lista sem direito a recurso causaria danos financeiros irrepar\u00e1veis, de acordo com os documentos.<\/p>\n<p>A F\u00e1bula, de propriedade do Grupo Soma, uma empresa com cerca de 4.000 empregados, disse que considerava sua inclus\u00e3o &#8220;injusta&#8221;, mas que estava negociando com o governo para sair da &#8220;lista suja&#8221;.<\/p>\n<p>O acordo incluiria a contrata\u00e7\u00e3o, pela F\u00e1bula, de uma auditoria independente de sua cadeia de fornecimento e a cria\u00e7\u00e3o de um departamento de <a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/compliance\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>compliance<\/strong> <\/a>subordinado diretamente ao presidente do Grupo Soma, entre outras medidas, segundo a declara\u00e7\u00e3o da empresa em resposta \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>&#8220;A grande maioria destas obriga\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o em pr\u00e1tica desde 2017 por iniciativa pr\u00f3pria da empresa&#8221;, afirmou a F\u00e1bula em comunicado. &#8220;(O acordo) deve ser assinado nas pr\u00f3ximas semanas.&#8221;<\/p>\n<p>N\u00e3o ficou claro se as outras 11 empresas concordaram em alterar suas pr\u00e1ticas comerciais ao pedir liminares.<\/p>\n<p>O juiz federal Charles de Moraes, que aceitou o recurso da F\u00e1bula, disse que a empresa seria adicionada \u00e0 lista se n\u00e3o cumprir suas promessas de melhorar suas iniciativas de combate ao trabalho escravo.&#8221;(Se o acordo n\u00e3o sair) sem d\u00favida nenhuma: a liminar cai.&#8221;<\/p>\n<h3>&#8220;Enfraquecendo&#8221; a lista<\/h3>\n<p>Em suas decis\u00f5es judiciais, alguns ju\u00edzes disseram estar preocupados com as consequ\u00eancias financeiras da inclus\u00e3o de uma empresa na lista.<\/p>\n<p>Ao conceder uma liminar \u00e0 JBS Aves em novembro de 2017, a ju\u00edza do trabalho Janice Bastos disse que era necess\u00e1rio &#8220;agir com cautela&#8221;, j\u00e1 que a inclus\u00e3o da empresa na lista poderia afetar negativamente tanto a empresa quanto seus funcion\u00e1rios. Ela se negou a comentar a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Luciano Frota, juiz do trabalho e membro do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), afirmou que as empresas t\u00eam o &#8220;direito de recorrer \u00e0 Justi\u00e7a&#8221;, mas que ele estava preocupado com o n\u00famero de medidas liminares concedidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lista.<\/p>\n<p>O CNJ anunciou recentemente que todos os novos ju\u00edzes do trabalho devem participar de um treinamento sobre trabalho escravo, e Frota disse que o CNJ estava trabalhando para conscientizar melhor todos os ju\u00edzes sobre a &#8220;import\u00e2ncia da lista suja&#8221;, uma vez que o n\u00edvel de conhecimento dos ju\u00edzes n\u00e3o estava claro.<\/p>\n<p>&#8220;Nos cabe saber em que medida decis\u00f5es judiciais podem estar enfraquecendo este instrumento valioso&#8221;, disse Frota, que preside o comit\u00ea do CNJ voltado \u00e0 quest\u00e3o do trabalho escravo.&#8221;Precisamos do Poder Judici\u00e1rio comprometido com o que o Estado brasileiro est\u00e1 comprometido, que \u00e9 o combate ao trabalho escravo.&#8221;<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da concess\u00e3o de medidas liminares em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho escravo para as empresas ser\u00e1 discutida em uma audi\u00eancia no Senado no m\u00eas que vem, sobre os esfor\u00e7os do Brasil no combate \u00e0 escravid\u00e3o moderna.<\/p>\n<p>O senador Paulo Paim (PT-RS), presidente da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos do Senado, disse que a concess\u00e3o de liminares faz parte de uma tend\u00eancia maior de &#8220;enfraquecimento&#8221; da lista, fazendo refer\u00eancia tamb\u00e9m \u00e0 falta de recursos para que os fiscais do trabalho viagem para realizar trabalho de campo.<\/p>\n<p>A Secretaria de Inspe\u00e7\u00e3o do Trabalho est\u00e1 em um estado &#8220;calamitoso&#8221;, disseram v\u00e1rios funcion\u00e1rios do alto escal\u00e3o do governo ao Congresso em abril.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pelas liminares. O governo n\u00e3o investe mais nas inspe\u00e7\u00f5es. (Inspetores) n\u00e3o t\u00eam recursos para se deslocar para as \u00e1reas onde pode estar o trabalho escravo. A estrutura \u00e9 p\u00edfia&#8221;, afirmou Paim.<\/p>\n<p>As tentativas do Legislativo de dar for\u00e7a \u00e0 lista, como um projeto de lei proposto por Paim que proibiria contratos de entes p\u00fablicos com as empresas inclu\u00eddas na lista, foram arquivadas no ano passado, acrescentou o senador.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo aponta para um enfraquecimento da lista suja.&#8221;<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/negocios\/empresas-usam-justica-para-sair-da-lista-suja-do-trabalho-escravo\/\">Fonte do Artigo <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro \u2014 Grandes empresas no Brasil est\u00e3o usando medidas liminares na Justi\u00e7a para evitar sua inclus\u00e3o na &#8220;lista suja&#8221; do trabalho escravo no pa\u00eds. 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