{"id":18741,"date":"2023-02-26T15:45:03","date_gmt":"2023-02-26T18:45:03","guid":{"rendered":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/come-sem-parar-a-culpa-pode-estar-no-seu-dna\/"},"modified":"2019-04-21T18:24:07","modified_gmt":"2019-04-21T21:24:07","slug":"come-sem-parar-a-culpa-pode-estar-no-seu-dna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/come-sem-parar-a-culpa-pode-estar-no-seu-dna\/","title":{"rendered":"Come sem parar? A culpa pode estar no seu DNA"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>\nOs sujeitos do estudo tinham sido magros a vida toda, e n\u00e3o porque tivessem metabolismos incomuns. Eles simplesmente n\u00e3o ligavam muito para comida. Nunca comiam quantidades enormes, nem estavam obcecados com a pr\u00f3xima refei\u00e7\u00e3o. Agora, um grupo de pesquisadores no Reino Unido pode ter descoberto o motivo.\n<\/p>\n<p>\nAquelas pessoas da pesquisa carregam uma altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que silencia o apetite. A muta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m reduz muito as chances de desenvolver diabetes ou doen\u00e7as card\u00edacas.\n<\/p>\n<p>\nO estudo, publicado nesta semana na revista &#8220;Cell&#8221;, baseou-se em dados do Reino Unido Biobank, que inclui meio milh\u00e3o de pessoas com idades entre 40 e 69 anos. Os participantes forneceram amostras de DNA e registros m\u00e9dicos e permitiram que os pesquisadores acompanhassem sua sa\u00fade durante anos.\n<\/p>\n<p>\nUm segundo estudo, divulgado na mesma revista, tamb\u00e9m usou dados dessa popula\u00e7\u00e3o para desenvolver um ranking de risco gen\u00e9tico para a obesidade. A proposta dos cientistas \u00e9 tentar prever, j\u00e1 na inf\u00e2ncia, quem tem (ou n\u00e3o) alta propens\u00e3o \u00e0 obesidade.<\/p>\n<aside class=\"article-related-links article-related-links--inside\">\n<\/aside>\n<\/p>\n<p>\nJuntos, os dois estudos confirmam uma verdade que os pesquisadores querem que mais pessoas conhe\u00e7am. Existem raz\u00f5es biol\u00f3gicas para que alguns precisem lutar bravamente contra o pr\u00f3prio peso, e outros n\u00e3o. E os impactos disso s\u00e3o frequentemente vistos no apetite, e n\u00e3o no metabolismo. As pessoas que ganham muito peso ou lutam para permanecer magras sentem mais fome do que as pessoas naturalmente magras.\n<\/p>\n<p>\nO estudo sobre a muta\u00e7\u00e3o do apetite foi conduzido por Sadaf Farooqi, professor de Medicina na Universidade de Cambridge, e Nick Wareham, epidemiologista da mesma universidade.\n<\/p>\n<section class=\"block block--advertising\">\n<\/section>\n<p>\nOs cientistas se basearam numa pesquisa de Farooqi sobre um gene, o MC4R. O trabalho se debru\u00e7ou sobre isso por 20 anos, mas pelo motivo oposto: entender por que algumas pessoas est\u00e3o acima do peso, e n\u00e3o por que algumas s\u00e3o magras.\n<\/p>\n<p>\nPessoas com muta\u00e7\u00f5es no MC4R tendem a ser obesas. Os pesquisadores registraram at\u00e9 300 muta\u00e7\u00f5es nesse gene, e elas s\u00e3o a causa gen\u00e9tica mais comum da obesidade. Muta\u00e7\u00f5es nesse gene s\u00e3o respons\u00e1veis por 6% das crian\u00e7as que sofrem de obesidade severa.\n<\/p>\n<p>\nO estudo revelou que as muta\u00e7\u00f5es destroem a saciedade, aquela sensa\u00e7\u00e3o de plenitude ap\u00f3s uma refei\u00e7\u00e3o. Normalmente, depois de se alimentar, o gene \u00e9 acionado e envia um sinal dizendo ao c\u00e9rebro que o corpo est\u00e1 saciado. Ent\u00e3o, o gene \u00e9 &#8220;desligado&#8221;. Mas algumas pessoas carregam uma muta\u00e7\u00e3o rara no MC4R que impede o gene de funcionar.\n<\/p>\n<p>\nComo resultado, o c\u00e9rebro nunca recebe o sinal de que o corpo est\u00e1 saciado, e a pessoa sente fome sempre. O risco de diabetes e doen\u00e7a card\u00edaca \u00e9 50% maior entre os indiv\u00edduos com a muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.\n<\/p>\n<p>\nNo novo estudo, Farooqi e seus colegas descobriram que, em algumas pessoas magras, o gene MC4R est\u00e1 sempre ligado, em vez de estar sempre desligado, devido a diferentes muta\u00e7\u00f5es. Essas pessoas sentem-se saciadas continuamente. Cerca de 6% da popula\u00e7\u00e3o carrega essas muta\u00e7\u00f5es cosideradas &#8220;protetoras&#8221;, que acabam por prevenir a obesidade.\n<\/p>\n<section class=\"block block--advertising\">\n<\/section>\n<p>\n\u2014 Isso prova que o MC4R \u00e9 um importante, se n\u00e3o o mais importante, controlador de peso \u2014 diz Farooqi.\n<\/p>\n<p>\nO novo estudo apresenta um alvo \u00f3bvio para medicamentos que tentam combater a obesidade.\n<\/p>\n<h2>Apetite e saciedade<\/h2>\n<p>\nOs pesquisadores est\u00e3o cada vez mais confirmando que o apetite e a saciedade s\u00e3o os fatores determinantes da obsevidade, segundo Cecilia Lindgren, professora de endocrinologia e metabolismo gen\u00f4mico da Universidade de Oxford.\n<\/p>\n<p>\n\u2014 Achamos que a regula\u00e7\u00e3o da fome e da saciedade \u00e9 a chave \u2014 afirma ela. \u2014 H\u00e1 comida em todos os lugares. Se voc\u00ea est\u00e1 numa reuni\u00e3o, sentindo um pouco de fome, e algu\u00e9m coloca um grande prato de donuts na mesa, a pergunta \u00e9: quem vai pegar os donuts?\n<\/p>\n<p>\nNo estudo que usou os dados do Reino Unido Biobank,\u00a0 Amit V. Khera, cardiologista do Hospital Geral de Massachusetts, e seus colegas procuraram uma forma de prever, a partir de uma enorme cole\u00e7\u00e3o de pequenas varia\u00e7\u00f5es no DNA, quem est\u00e1 destinado a ser gordo ou lutar contra o peso e quem seria poupado dessa batalha.\n<\/p>\n<p>\nOs cientistas organizaram um sistema de pontos para risco de obesidade baseado em muta\u00e7\u00f5es no DNA em dois milh\u00f5es de pontos do genoma. As pessoas com as pontua\u00e7\u00f5es mais altas\u00a0 pesavam 30 quilos a mais, em m\u00e9dia, do que aquelas com as pontua\u00e7\u00f5es mais baixas. Entre os muito obesos, 60% tiveram uma pontua\u00e7\u00e3o alta.\n<\/p>\n<section class=\"block block--advertising\">\n<\/section>\n<p>\n\u2014 Ficamos chocados com a diferen\u00e7a \u2014 conta Sekar Kathiresan, um dos autores do estudo e geneticista do Instituto Broad, em Boston.\n<\/p>\n<p>\nMas a popula\u00e7\u00e3o cujos dados foram retirados do Reino Unido Biobank era formada apenas por adultos. E os pesquisadores queriam responder \u00e0 pergunta: &#8220;Quando isso come\u00e7a?&#8221;, nas palavras de\u00a0 Kathiresan.\n<\/p>\n<p>\nOs cientistas, ent\u00e3o, voltaram-se para dados adicionais, confirmando suas descobertas em 300 mil participantes em outros estudos gen\u00e9ticos. No nascimento, os beb\u00eas com pontua\u00e7\u00f5es altas pesaram o mesmo que os beb\u00eas com baixa pontua\u00e7\u00e3o, os cientistas descobriram.\n<\/p>\n<h2>Cuidado at\u00e9 os 8 anos pode ser crucial<\/h2>\n<p>\nAos 3 anos e meio, por\u00e9m, eles passaram a ser mais pesados do que os outros em sua idade. Aos 8 anos, essas crian\u00e7as j\u00e1 estavam obesas e, no final da adolesc\u00eancia, pesavam em m\u00e9dia 30 quilos a mais do que aquelas com pontua\u00e7\u00f5es menores.\n<\/p>\n<p>\nNo entanto, ter uma pontua\u00e7\u00e3o alta &#8220;n\u00e3o \u00e9 determinista&#8221;, lembra Kathiresan. N\u00e3o significa que, s\u00f3 ter mais pontos, o sujeito est\u00e1 condenado a ser obeso. Mas ter\u00e1 de controlar o peso.\n<\/p>\n<p>\nJoel Hirschhorn, geneticista do Hospital Infantil de Boston, observou que a maioria dos locais do genoma que comp\u00f5em a pontua\u00e7\u00e3o de risco n\u00e3o tem nada a ver com peso. Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro quais s\u00e3o os fatores mais importantes.\n<\/p>\n<section class=\"block block--advertising\">\n<\/section>\n<p>\nEle ficou impressionado com o fato de que a obesidade n\u00e3o parece realmente firme at\u00e9 que as crian\u00e7as tenham 8 anos.\n<\/p>\n<p>\n\u2014 Os primeiros oito anos podem ser m\u00e1gicos e dar-lhes uma oportunidade \u00fanica para mudar o cen\u00e1rio \u2014 afirma Hirschhorn.\n<\/p>\n<p>\nN\u00e3o se trata de algo simples, segundo Ruth Loos, diretora do programa de gen\u00e9tica da obesidade na Escola de Medicina Icahn, no Monte Sinai. Crian\u00e7as que est\u00e3o sempre com fome encontram maneiras de obter mais comida.\n<\/p>\n<p>\n\u2014 Em um ambiente como o nosso, h\u00e1 muita sedu\u00e7\u00e3o \u2014 disse ela.\n<\/p>\n<p>\nAlimentos baratos, saborosos e altamente cal\u00f3ricos est\u00e3o dispon\u00edveis por todos os lados. Aqueles com alto risco de obesidade, com o gene da saciedade &#8220;desligado&#8221;, &#8220;podem ser mais facilmente seduzidos&#8221;, como reitera a pesquisadora.\n<\/p>\n<p>\nAs altas pontua\u00e7\u00f5es, por outro lado, tamb\u00e9m podem indicar um caminho estrat\u00e9gico no combate ao excesso de peso, segundo Lee M. Kaplan, diretor do Instituto de Obesidade, Metabolismo e Nutri\u00e7\u00e3o do Hospital Geral de Massachusetts.\n<\/p>\n<p>\nEntre os 10% da popula\u00e7\u00e3o com as pontua\u00e7\u00f5es mais altas, muitos indiv\u00edduos n\u00e3o s\u00e3o gordos. Por qu\u00ea? Existem genes ainda n\u00e3o descobertos que combatem aqueles que levam o sujeito a comer demais? Ou essas pessoas t\u00eam boas estrat\u00e9gias para lidar com a fome e controlar a alimenta\u00e7\u00e3o?\n<\/p>\n<section class=\"block block--advertising\">\n<\/section>\n<p>\n\u2014 O fato \u00e9 que esses estudos abrem uma nova lista de perguntas que podem ser feitas e respondidas \u2014 afirma Kaplan.\n<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/come-sem-parar-culpa-pode-estar-no-seu-dna-23613663\">Fonte do Artigo <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os sujeitos do estudo tinham sido magros a vida toda, e n\u00e3o porque tivessem metabolismos incomuns. Eles simplesmente n\u00e3o ligavam muito para comida. Nunca comiam quantidades enormes, nem estavam obcecados com a pr\u00f3xima refei\u00e7\u00e3o. Agora, um grupo de pesquisadores no Reino Unido pode ter descoberto o motivo. 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