{"id":10739,"date":"2023-02-26T15:18:15","date_gmt":"2023-02-26T18:18:15","guid":{"rendered":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/boa-relacao-com-trump-e-suficiente-para-garantir-acordo-comercial\/"},"modified":"2019-03-16T06:11:13","modified_gmt":"2019-03-16T09:11:13","slug":"boa-relacao-com-trump-e-suficiente-para-garantir-acordo-comercial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/boa-relacao-com-trump-e-suficiente-para-garantir-acordo-comercial\/","title":{"rendered":"Boa rela\u00e7\u00e3o com Trump \u00e9 suficiente para garantir acordo comercial?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<p>Dentre as mais importantes metas anunciadas para o encontro entre Bolsonaro e Trump na pr\u00f3xima semana est\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis acordos econ\u00f4micos entre Brasil e <strong><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/estados-unidos\">Estados Unidos<\/a><\/strong>. Ainda que n\u00e3o esteja claro quais exatamente os objetivos do governo Bolsonaro nesse campo, para algu\u00e9m que chegou ao poder prometendo um aprofundamento das rela\u00e7\u00f5es com os Estados Unidos, a busca por algum tipo de acordo comercial faria sentido.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia para Bolsonaro \u00e9 que a rela\u00e7\u00e3o pessoal com <strong><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/donald-trump\/\">Trump<\/a> <\/strong>deve fluir de forma positiva. A m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que isso n\u00e3o deve ter muita import\u00e2ncia.<\/p>\n<div class=\"widget-news widget-box no-margin no-border\"><span class=\"widget-news-title content-box-title\">Veja tamb\u00e9m<\/span><\/p>\n<ul class=\"widget-news-list\">\n<li class=\"widget-news-item without-thumb with-border\">\n<div class=\"widget-news-info\"><a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/brasil\">BRASIL<\/a><span class=\"widget-news-item-title\"><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/brasil\/casa-branca-anuncia-visita-de-bolsonaro-para-19-de-marco\/\">Casa Branca anuncia visita de Bolsonaro para 19 de mar\u00e7o<\/a><\/span><span class=\"widget-news-item-date\">8 mar 2019 &#8211; 20h03<\/span><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>Um fator que n\u00e3o pode ser negligenciado em qualquer negocia\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos \u00e9 a import\u00e2ncia do Congresso americano em quest\u00f5es de pol\u00edtica externa. Acordos que necessitam de aprova\u00e7\u00e3o do Congresso t\u00eam um tempo pr\u00f3prio. \u00c9 extremamente comum serem iniciados com um presidente e finalizados por outro.<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es para o NAFTA, por exemplo, come\u00e7aram por iniciativa do presidente mexicano\u00a0Carlos\u00a0Salinas em 1990, mas o tratado foi assinado nos estertores do governo do Republicano George Bush em 1992 e ratificado pelo Congresso apenas sob o Democrata Bill Clinton, em 1993. Importante notar que, mesmo ap\u00f3s anos de negocia\u00e7\u00e3o e apoio de dois presidentes de partidos diferentes, o NAFTA foi aprovado com uma margem de apenas 34 votos na C\u00e2mara dos Representantes, que conta com 435 membros.<\/p>\n<p>Da mesma forma, Peru e Col\u00f4mbia iniciaram conversas com os Estados Unidos sob a presid\u00eancia de Bush-filho, mas esses acordos foram implementados apenas durante o governo Obama. O caso do Chile \u00e9 ainda mais gritante. Desde 1992 os chilenos almejavam um tratado comercial com os Estados Unidos, e Bill Clinton chegou a concordar em incluir o Chile no NAFTA. Por\u00e9m, Clinton encontrou dificuldades no Congresso e o Chile acabou assinando acordos separados com o Canad\u00e1 e com o M\u00e9xico, mas n\u00e3o com os Estados Unidos. Apenas em 2003, com Bush, o Chile finalmente conseguiria assinar um acordo comercial com o pa\u00eds norte-americano.<\/p>\n<p>A men\u00e7\u00e3o a esses casos passados tamb\u00e9m serve para ilustrar as dificuldades na compara\u00e7\u00e3o com o atual contexto. Quando o NAFTA foi aprovado, Clinton estava em seu primeiro ano de mandato e contava com s\u00f3lida maioria Democrata na C\u00e2mara e no Senado. Al\u00e9m disso, o Democrata foi eleito com um discurso que enfatizava as virtudes do livre-com\u00e9rcio. Mesmo nessas condi\u00e7\u00f5es, menos da metade dos Democratas nas duas casas legislativas votaram a favor do NAFTA.<\/p>\n<p>O principal cr\u00edtico do acordo durante a campanha presidencial de 1992 era Ross Perot, um milion\u00e1rio populista sem experi\u00eancia pol\u00edtica que se vendia como um \u201coutsider\u201d e concorreu como candidato independente. Perot acabou tendo a melhor performance da hist\u00f3ria entre os candidatos independentes \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos ao angariar quase 20% dos votos naquela elei\u00e7\u00e3o. O bom desempenho de Perot, tirando votos sobretudo dos setores mais conservadores do eleitorado, \u00e9 considerada uma das principais raz\u00f5es pela n\u00e3o-reelei\u00e7\u00e3o de Bush.<\/p>\n<p>Desde 2016, o cen\u00e1rio \u00e9 bastante distinto. Os Republicanos elegeram um presidente que lembra mais Perot que Bush. O partido Democrata, por outro lado, est\u00e1 cada vez mais distante das vis\u00f5es liberais de Clinton, com um n\u00famero crescente de apoiadores que se auto denominam socialistas. Dentre os candidatos do partido que t\u00eam se apresentado para as elei\u00e7\u00f5es de 2020, poucos defendem abertamente o livre-com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Em 2016, Hillary Clinton encontrou dificuldades para bater Bernie Sanders pela nomea\u00e7\u00e3o do partido Democrata. Sanders teve como uma de suas principais bandeiras de campanha naquele ano a rejei\u00e7\u00e3o ao Tratado Transpac\u00edfico (TPP), negociado por Obama com o apoio de Clinton. Sanders j\u00e1 est\u00e1 novamente em campanha e suas posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o hoje mais populares no partido do que as de Hillary Clinton, que por sua vez j\u00e1 anunciou que est\u00e1 fora da disputa pela presid\u00eancia.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de 2020 podem ser as primeiras da hist\u00f3ria recente dos Estados Unidos sem nenhum candidato dos principais partidos a empunhar a bandeira da liberaliza\u00e7\u00e3o comercial.\u00a0 Nesse contexto, as condi\u00e7\u00f5es para um acordo do Brasil com os Estados Unidos s\u00e3o muito menos auspiciosas que as encontradas pelos pa\u00edses Latino-Americanos mencionados acima. E o Brasil, ao contr\u00e1rio de M\u00e9xico, Peru, Col\u00f4mbia e Chile, ainda teria que equacionar restri\u00e7\u00f5es impostas pelo Mercosul.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o grau de polariza\u00e7\u00e3o no atual ambiente pol\u00edtico nos Estados Unidos \u00e9 consideravelmente mais alto do que no passado recente, o que tem levado a constantes paralisias no governo americano e cada vez menos coopera\u00e7\u00e3o entre os dois partidos no Congresso.<\/p>\n<p>Um exemplo para se prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o caso do novo NAFTA (rebatizado como USCMA), renegociado por Trump e atualmente parado no Congresso com poucas chances de ser aprovado sem modifica\u00e7\u00f5es relevantes. J\u00e1 circulam coment\u00e1rios em Washington que a l\u00edder do partido Democrata e presidente da C\u00e2mara Nancy Pelosi n\u00e3o facilitaria a aprova\u00e7\u00e3o do acordo, isto que isso seria visto como uma vit\u00f3ria de Trump. Isso \u00e9 uma pequena ilustra\u00e7\u00e3o de como a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tem impedido a constru\u00e7\u00e3o de consensos dom\u00e9sticos nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00f3bvia \u00e9 que, se o governo brasileiro considerar que seu \u00fanico interlocutor \u00e9 Trump, estar\u00e1 cometendo um erro colossal. Adicionalmente, se levarmos em conta o hist\u00f3rico da atual presid\u00eancia americana em termos de negocia\u00e7\u00f5es comerciais, o governo brasileiro deveria ter raz\u00f5es adicionais para ser cauteloso. Trump tem uma vis\u00e3o basicamente mercantilista das rela\u00e7\u00f5es internacionais, que interpreta a exist\u00eancia de d\u00e9ficits comerciais como uma evid\u00eancia de que os demais pa\u00edses tiram vantagens dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Um alerta para o Brasil nesse sentido foi a recente decis\u00e3o do governo Trump de suspender o tratamento tarif\u00e1rio preferencial dado \u00e0 \u00cdndia por fazer parte do Sistema Geral de Prefer\u00eancias (SGP), que beneficia pa\u00edses em desenvolvimento, e do qual o Brasil tamb\u00e9m \u00e9 parte. A alega\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o Trump foi que a \u00cdndia n\u00e3o teria sido capaz de assegurar aos Estados Unidos, que tem um d\u00e9ficit comercial de mais de 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares com o pa\u00eds, um \u201cacesso razo\u00e1vel e equitativo\u201d ao mercado indiano. Isso, apesar de o pa\u00eds ser um importante aliado dos Estados Unidos e o primeiro-ministro Narendra Modi ter boa rela\u00e7\u00e3o pessoal com Trump.<\/p>\n<p>A vantagem de <strong><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/governo-bolsonaro\/\">Bolsonaro<\/a> <\/strong>\u00e9 que os Estados Unidos possuem um super\u00e1vit comercial com o Brasil que mais do que dobrou entre 2016 e 2018. Mas isso n\u00e3o vai adiantar de nada se o presidente n\u00e3o agir estrategicamente e priorizar rela\u00e7\u00f5es pessoais de curto prazo.<\/p>\n<p><em>*Carlos Gustavo Poggio \u00e9 professor dos cursos de rela\u00e7\u00f5es internacionais da FAAP e da PUC-SP, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais San Tiago Dantas, e coordenador do NEPEU \u2013 N\u00facleo de Estudos sobre a Pol\u00edtica Externa dos Estados Unidos.<\/em><\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/mundo\/uma-boa-relacao-com-trump-e-suficiente-para-um-acordo-comercial\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentre as mais importantes metas anunciadas para o encontro entre Bolsonaro e Trump na pr\u00f3xima semana est\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis acordos econ\u00f4micos entre Brasil e Estados Unidos. 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