{"id":106551,"date":"2026-01-09T08:55:28","date_gmt":"2026-01-09T11:55:28","guid":{"rendered":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/cristina-fibe-os-feminicidios-estao-sendo-cometidos-a-luz-do-dia\/"},"modified":"2026-01-09T08:55:28","modified_gmt":"2026-01-09T11:55:28","slug":"cristina-fibe-os-feminicidios-estao-sendo-cometidos-a-luz-do-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/cristina-fibe-os-feminicidios-estao-sendo-cometidos-a-luz-do-dia\/","title":{"rendered":"Cristina Fibe: \u201cOs feminic\u00eddios est\u00e3o sendo cometidos \u00e0 luz do dia\u201d"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img title = \"[Tags]\"alt = \"Cris-Fibe-Revista-Veja29306.jpg-1 Cristina Fibe: \u201cOs feminic\u00eddios est\u00e3o sendo cometidos \u00e0 luz do dia\u201d\"decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Cris-Fibe-Revista-Veja29306.jpg-1.jpg\" \/><\/p>\n<p>A primeira vez que Cristina Fibe cobriu viol\u00eancia de g\u00eanero foi em 2018. Ent\u00e3o editora no jornal O Globo, ela come\u00e7ou a investigar um famoso l\u00edder espiritual acusado de violentar sexualmente meninas e mulheres. Anos depois, a apura\u00e7\u00e3o culminou no livro <em><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/joao-de-deus-condenado\/\">Jo\u00e3o de Deus<\/a>: o Abuso da F\u00e9<\/em> (Globo Livros; 240 p\u00e1gs.; R$ 79,90), publicado em 2021.<\/p>\n<p>H\u00e1 sete anos, a jornalista escreve colunas e reportagens em que denuncia crimes contra mulheres e reivindica uma cobertura mais robusta e respeitosa na imprensa. Os textos que escreveu para o UOL e para a Amado Mundo ser\u00e3o compilados em uma colet\u00e2nea a ser lan\u00e7ada pela Bazar do Tempo no primeiro semestre deste ano. \u201cA ideia \u00e9 juntar os textos para termos a dimens\u00e3o do car\u00e1ter estrutural dessas viol\u00eancias\u201d, conta.<\/p>\n<div class=\"noreadme-audima ads video-ads\">\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext_video\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O tema a acompanhou tamb\u00e9m em <em>Silenciadas<\/em>, podcast de setembro de 2025 em que aborda os bastidores da cobertura jornal\u00edstica dos crimes contra as mulheres. Em meio \u00e0 recente onda de mobiliza\u00e7\u00e3o contra o feminic\u00eddio, ela faz um alerta: \u201cEst\u00e1vamos em um per\u00edodo em que a m\u00eddia estava muito em cima desses casos brutais, mas a gente v\u00ea nas estat\u00edsticas que \u00e9 o ano inteiro, \u00e9 todo dia. E muitos n\u00e3o s\u00e3o mostrados\u201d. \u00c0 Vejinha, Fibe narra os ossos de seu of\u00edcio e comenta a recente pol\u00eamica sobre a crise da masculinidade e o movimento feminista.<\/p>\n<p><strong>No \u00faltimo m\u00eas, uma discuss\u00e3o sobre a responsabilidade das mulheres na supera\u00e7\u00e3o da crise da masculinidade causou um grande desconforto entre as feministas. Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>V\u00e1rias pessoas vieram a p\u00fablico defender que as mulheres deveriam ensinar os homens a resolver essa crise, e apontaram que o discurso feminista n\u00e3o \u00e9 convidativo para os homens. Mas foram eles mesmos que criaram o problema. Dizer que, quando reivindicamos o fim do abuso e da viol\u00eancia, estamos causando uma crise na masculinidade da qual a gente tem que cuidar \u00e9 uma coisa absurda. N\u00e3o cabe \u00e0s mulheres encontrar esse novo papel para os homens, eles v\u00e3o ter que se virar. Al\u00e9m disso, essa narrativa pode ser um fomento para o discurso de \u00f3dio contra as mulheres dos masculinistas e red pills, que tamb\u00e9m \u00e9 alimentado pelo questionamento do discurso feminista. \u00c9 um perigo dar um verniz intelectual a um discurso de \u00f3dio que pode ser usado por pessoas mal-intencionadas. Estamos extremamente machucadas, traumatizadas, sangrando pelas ruas. N\u00e3o \u00e9 o momento para vir cobrar do movimento feminista que passe a m\u00e3o na cabe\u00e7a dos homens.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma exig\u00eancia de que o feminismo seja mais d\u00f3cil?<\/strong><\/p>\n<p>Exatamente. Historicamente, n\u00e3o temos a tradi\u00e7\u00e3o que os homens t\u00eam de pegar em armas. Mas a exig\u00eancia da docilidade, para mim, flerta com a tentativa de subjugar as mulheres. Ensinam a gente a ser d\u00f3cil e \u00e9 isso que est\u00e1 causando uma no\u00e7\u00e3o de impunidade enorme para os homens. Tanto que eles d\u00e3o trinta socos em uma mulher dentro de um elevador, um anestesista estupra uma mulher em um hospital, outro entra em uma padaria para atirar na companheira. S\u00e3o crimes que est\u00e3o sendo cometidos \u00e0 luz do dia justamente porque ningu\u00e9m est\u00e1 pegando em armas contra esses caras, eles est\u00e3o passando impunes. Certamente n\u00e3o \u00e9 com viol\u00eancia que a gente vai combater a viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 falando mais baixo. Acho que a indigna\u00e7\u00e3o, a coletividade, o falar umas com as outras, o denunciar e o expor s\u00e3o o caminho.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\">\n    <span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel um homem n\u00e3o ser machista?<\/strong><\/p>\n<p>Todos n\u00f3s, criados nessa sociedade, somos machistas. Somos ensinados desde muito cedo que as pessoas com mais poder e credibilidade s\u00e3o homens brancos. Acho que temos que ter consci\u00eancia disso e lutar ativamente para tirar isso do nosso corpo. E, principalmente, n\u00e3o educar as crian\u00e7as assim e n\u00e3o perpetuar essas viol\u00eancias. Agora, n\u00e3o s\u00e3o todos os homens que s\u00e3o mis\u00f3ginos. O machismo vem do estrutural, acostuma a gente a estereotipar cada papel, e da\u00ed ocorrem erros que acabam sendo violentos, como descredibilizar uma v\u00edtima, fazer vista grossa para abuso, n\u00e3o denunciar um homem, n\u00e3o apoiar uma mulher que denuncia&#8230; Mas a misoginia, que \u00e9 o \u00f3dio \u00e0 mulher, \u00e9 algo de uma agressividade mais clara.<\/p>\n<blockquote class=\"quote-box noreadme-audima olho\">\n<p>\u201cEstamos extremamente machucadas, traumatizadas. N\u00e3o \u00e9 o momento para vir cobrar do movimento feminista que passe a m\u00e3o na cabe\u00e7a dos homens\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Como os homens podem se engajar na luta contra o machismo sem tomar para si o protagonismo?<\/strong><\/p>\n<p>Com mais escuta e mais humildade, falando entre si, ajudando a espalhar a palavra. O que vemos hoje \u00e9 muita coniv\u00eancia. Acho que esses homens poderiam sair desse lugar de conforto, admitir que h\u00e1 um desequil\u00edbrio estrutural imenso e fazer atitudes simples, como parar de nos interromper, nos pagar o mesmo sal\u00e1rio, de fato dividir os cuidados com os filhos e com a casa, n\u00e3o nos sobrecarregar, deixar que a gente tamb\u00e9m tenha momentos de lazer. E, se estiverem abertos para a escuta, eles t\u00eam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o um monte de material para aprender. N\u00e3o acho que estamos nos opondo a ensinar. Eu, por exemplo, quando falo de viol\u00eancia contra a mulher, n\u00e3o estou s\u00f3 tentando dar voz \u00e0s mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m mostrar o aspecto estrutural disso. Se os homens que n\u00e3o s\u00e3o violentos estivessem se indignando com isso, como eles se indignam e protegem os outros homens, j\u00e1 seria um primeiro passo.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\">\n    <span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>A cobertura di\u00e1ria da viol\u00eancia contra a mulher afeta voc\u00ea emocionalmente?<\/strong><\/p>\n<p>Afeta muito. Fico em carne viva. Mas entendi que seria um desconforto e um sofrimento maiores ficar fora desse tema. A melhor maneira que encontrei de lidar com essas viol\u00eancias foi falando sobre elas, dando voz \u00e0s v\u00edtimas, apontando o dedo para o estrutural. Mas me faz sofrer muito e me coloca em um estado de ansiedade muito delicado. Eu sou atravessada pelas hist\u00f3rias que escuto e isso me abala. Mas n\u00e3o conseguiria cobrir esse tema se n\u00e3o me afetasse por ele, e acho que isso deixa o meu trabalho delicado e respons\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Quais erros a imprensa comete na cobertura de feminic\u00eddio?<\/strong><\/p>\n<p>As m\u00eddias est\u00e3o cheias de voz passiva, \u201cmulher \u00e9 assassinada\u201d, \u201cmulher \u00e9 arrastada por carro\u201d. Os homens nunca est\u00e3o no centro da hist\u00f3ria, e isso causa um escape de responsabiliza\u00e7\u00e3o. Isso invisibiliza os homens que cometem essa viol\u00eancia, os protege, e joga a responsabilidade nas mulheres. Outra quest\u00e3o delicada \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o da imagem da viol\u00eancia e da imagem da mulher. \u00c9 importante mostrar que as mulheres est\u00e3o sofrendo viol\u00eancia para combat\u00ea-la, essas imagens circulam motivadas, em tese, pela indigna\u00e7\u00e3o, mas servem \u00e0 fetichiza\u00e7\u00e3o dos homens que s\u00e3o violentos. O cara que soca a mulher trinta vezes no elevador, por exemplo, n\u00e3o tem vergonha, porque a gente n\u00e3o vive numa sociedade que o deixa envergonhado. Quem tem vergonha \u00e9 a mulher que sofreu. Depende do caso, mas como regra geral, acho que precisamos proteger mais as imagens das mulheres e expor mais as dos homens que cometeram a viol\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Publicado em VEJA S\u00e3o Paulo de 9 de janeiro de 2026, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba2977<\/strong><\/p>\n<div class=\"box-app-phone-share noreadme-audima\">\n<div class=\"title-phone-share\">Compartilhe essa mat\u00e9ria via:<\/div>\n<div class=\"buttoms-phone-share\">\n\t\t<a class=\"whatsapp\" id=\"whatsappShare\" rel=\"nofollow\" aria-label=\"Compartilhe no Whatsapp\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send?text=https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/cristina-fibe-amarelinhas\/?utm_medium=whatsapp&amp;utm_source=shortcode_vejinhas\"><span>WhatsAPP<\/span><\/a><br \/>\n\t\t<a class=\"telegram\" id=\"telegramShare\" rel=\"nofollow\" aria-label=\"Compartilhe no Telegram\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/telegram.me\/share\/url?url=https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/cristina-fibe-amarelinhas\/?utm_medium=telegram&amp;utm_source=shortcode_vejinhas\"><span>Telegram<\/span><\/a>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div class=\"ads after-text noreadme-audima\">\n    <span class=\"title\">Publicidade<\/span><\/p>\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"aftertext\" data-mapping=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/cidades\/cristina-fibe-amarelinhas\/\">Fonte do Artigo <\/a><br \/>\nTags:<br \/>\n#loterias #loteriascaixa #megasena #resultadoapostas#noticias #noticiario  #noticia #brasil #noticiascolombia #mundo #esporte #colombia #noticiadeld #ltimasnoticias  #noticiario #noticiasregionales #noticiasdepartamentales #noticiashoy #esportes #noticiaahora #elinformantenoticias #noticiasdeboyac  #esporteinterativo #esportivo #diariodosesportes  #noticiero  #jogodefutebol #jogos #loto #apostas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira vez que Cristina Fibe cobriu viol\u00eancia de g\u00eanero foi em 2018. Ent\u00e3o editora no jornal O Globo, ela come\u00e7ou a investigar um famoso l\u00edder espiritual acusado de violentar sexualmente meninas e mulheres. Anos depois, a apura\u00e7\u00e3o culminou no livro Jo\u00e3o de Deus: o Abuso da F\u00e9 (Globo Livros; 240 p\u00e1gs.; R$ 79,90), publicado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":106552,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-106551","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curso-de-copy"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106551","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=106551"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106551\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/106552"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=106551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=106551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wiy.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=106551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}